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06/05/2026 - 2026: a encruzilhada democrática


Entre projetos antagônicos de Estado, a eleição expõe fragilidades institucionais, pressiona o sindicalismo e testa os limites do pacto social brasileiro. Este é um alerta ao movimento sindical.


Marcos Verlaine*


São 2 projetos, e um país tensionado. É disso que se trata as eleições de 2026, que se desenham menos como alternância de poder e mais como teste de estresse da própria arquitetura democrática brasileira.


De um lado, a candidatura associada ao campo progressista, liderado por Lula (PT), sustenta agenda ancorada em políticas públicas, valorização do trabalho e reativação do papel indutor do Estado para inclusão e desenvolvimento, num Brasil marcado por exclusão, desequilíbrio e injustiça.


De outro, a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como herdeiro político do bolsonarismo e preposto do pai, que está preso e inelegível, reorganiza o projeto neoliberal-conservador, que combina enxugamento estatal, endurecimento penal, centralidade do mercado em detrimento do povo e dos trabalhadores e submissão a interesses estrangeiros.


A polarização, longe de ser apenas eleitoral, reflete visões distintas sobre o papel da democracia, das instituições e dos direitos sociais. O risco, portanto, não está apenas em quem vence, mas no grau de erosão institucional que o processo pode produzir.


Empate técnico, desequilíbrio estrutural

As pesquisas mais recentes apontam cenário de empate técnico no segundo turno, com variações mínimas entre ambos os lados em disputa. Esse equilíbrio numérico, no entanto, convive com dado estrutural relevante: a tendência de vantagem da oposição no Senado.


Essa assimetria pode reproduzir — ou aprofundar — problema recorrente no presidencialismo brasileiro recente: governos eleitos com dificuldade de governar.

 

Nesse contexto, a disputa de 2026 não se limita ao Executivo. A composição do Congresso será determinante para definir se o País seguirá por rota de pactuação institucional ou de bloqueio político permanente.


Trabalho, direitos e o fio da navalha

O debate sobre o mundo do trabalho emerge como um dos eixos mais sensíveis dessa eleição, que aponta de um lado para o futuro e de outro para o retrocesso ou salto para trás. Diante disso, o movimento sindical precisará “terçar armas”.


Propostas como a redução da jornada, o fortalecimento da negociação coletiva e a regulação de novas formas de contratação sinalizam tentativa de atualização do modelo trabalhista frente à economia digital.


Por outro lado, a ênfase em flexibilização, desburocratização e ampliação de formatos contratuais mais livres reacende o temor de precarização. O ponto crítico não está na dicotomia simplista entre “direitos” e “mercado”, mas na ausência de novo equilíbrio capaz de proteger trabalhadores sem sufocar a dinâmica econômica.


A experiência recente mostra que mudanças abruptas, sem mediação institucional robusta, tendem a gerar ganhos assimétricos e instabilidade social.


Sindicalismo: entre a reinvenção e a irrelevância

Diante desse cenário, o movimento sindical enfrenta talvez seu maior teste ou desafio desde a redemocratização. Com estrutura capilarizada — mais de 17 mil entidades —, sua capacidade de mobilização ainda é relevante, mas sua influência política tem oscilado.


A eleição de 2026 coloca o sindicalismo diante de escolha estratégica: atuar como protagonista na disputa de projetos ou manter postura reativa, correndo o risco de ver reduzido seu espaço de interlocução.


Mais do que apoiar candidaturas, trata-se de redefinir seu papel num mercado de trabalho em transformação, marcado por informalidade, plataformas digitais e fragmentação dos trabalhadores como classe social.


Risco maior: a corrosão silenciosa

O verdadeiro divisor de águas de 2026 pode não estar no resultado imediato das urnas, mas na capacidade — ou incapacidade — de preservar regras do jogo democrático em meio à disputa.


A história recente brasileira mostra que a erosão institucional raramente ocorre por ruptura explícita e abrupta; essa avança por meio de pressões graduais, deslegitimação de instituições e tensionamento constante dos limites legais.


Assim, mais do que escolher entre programas distintos, o País se vê diante de questão mais profunda: qual o grau de compromisso das forças políticas em disputa com a estabilidade democrática, o Estado de Direito e a mediação de conflitos por vias institucionais.


Se 2026 será “a eleição de nossas vidas”, como muitos afirmam, e será de fato, isso não se deve apenas ao contraste entre projetos, mas ao fato de que o resultado — qualquer que seja — exigirá maturidade política para evitar que a disputa democrática se converta em impasse permanente.


Em 2026, o País e os eleitores não estarão sob o “Dilema de Sofia”1 depois da experiência trágica de 2019-2022 e do contraste de 2023-2026.


(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP

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¹ O “Dilema de Sofia” — ou A Escolha de Sofia — refere-se ao romance de William Styron (1979) e filme (1982), em que Sofia, polonesa em Auschwitz, é forçada por nazistas a escolher qual dos 2 filhos dela viveria e qual seria morto. Se recusasse, ambos morreriam. Ela fez a opção e viveu assombrada pela culpa permanente.

Fonte: Diap

 


 

06/05/2026 - Comissão debate impacto da jornada de trabalho na qualidade de vida


Entre os convidados está o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho


A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6x1 no Brasil debate, nesta quarta-feira (6), diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho. O tema está ligado à PEC 221/19, que trata da redução da jornada de trabalho. A audiência pública será às 14 horas, no plenário 2.


Entre os convidados está o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.


O debate atende a pedidos dos deputados Túlio Gadêlha (PSD-PE), Carlos Zarattini (PT-SP), Fernando Mineiro (PT-RN) e da deputada Julia Zanatta (PL-SC).


Túlio Gadêlha afirma que a audiência é necessária para demonstrar que a proteção ao tempo de vida da classe trabalhadora é papel do Estado e não deve ficar restrita a acordos coletivos e individuais. Segundo ele, setores em que a escala 6x1 é comum, como comércio, supermercados, farmácias, telemarketing e alimentação, têm alta rotatividade e maior vulnerabilidade na negociação sindical.


Carlos Zarattini argumenta que a comissão precisa conhecer estudos e pesquisas sobre o uso do tempo de trabalho, com foco nas consequências da redução da jornada e da escala de dias de trabalho, sem redução salarial.


Fernando Mineiro afirma que a medida pode impactar a vida dos trabalhadores, a economia nacional e as relações de trabalho. Para ele, o debate deve tratar também de desigualdades, diferenças de gênero, qualificação profissional e das condições para implementar a redução da jornada sem diminuição salarial.


Júlia Zanatta quer debater quais estudos sustentam a ideia de que a redução da jornada pode aumentar a renda. Ela também quer esclarecimentos sobre consultas públicas, informalidade e impactos nos empregos formais.

Fonte: Agência Câmara

 


 

06/05/2026 - Comissão da Mulher debate impacto do fim da escala 6x1 para as trabalhadoras


A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados promove nesta quarta-feira (6) audiência pública sobre o impacto para as trabalhadoras do fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de folga por semana).


O encontro será realizado no plenário 14, às 13 horas, e foi sugerido pela presidente do colegiado, deputada Erika Hilton (Psol-SP), e pelas deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), Adriana Accorsi (PT-GO) e Socorro Neri (PP-AC).


O debate faz parte da “Tribuna da Mulher” – reuniões semanais que buscam aproximar a sociedade e os movimentos de mulheres dos trabalhos realizados pela comissão.

Fonte: Agência Câmara

 


 

05/05/2026 - Democracia sob tensão e pressão com escalada de ataques ao Supremo


Investidas da extrema-direita contra o STF é estratégia de deslegitimação institucional, amplificada pela mídia e agravada por divisões no tribunal


Marcos Verlaine*


O Supremo Tribunal Federal tornou-se alvo estratégico da extrema-direita, o que explica porque a escalada de ataques à Corte não é episódica nem tampouco espontânea. Ao agir assim, esse campo político revela profundo desprezo pela democracia e pelo Estado de Direito. Diante disso, cabe aos democratas enfrentar esse movimento de forma contínua e determinada.


Trata-se, pois, de estratégia política consistente: enfraquecer a instituição que, nos momentos mais críticos recentes, funcionou e tem funcionado como anteparo às investidas contra a ordem democrática.


Ao assumir protagonismo no enfrentamento a atos antidemocráticos — especialmente após os desdobramentos dos ataques de 8 de janeiro de 2023 — o STF passou a ocupar, para a extrema-direita, o papel de o inimigo central, que deve ser combatido e destruído.


A escolha não é trivial. Ao deslocar o foco para o Judiciário, esses grupos buscam tensionar a legitimidade de decisões judiciais, politizar a atuação da Corte e, em última instância, reconfigurar os limites institucionais do Estado de Direito.


Retórica política e cálculo eleitoral

É nesse contexto que se insere a atuação, dentre outros, do ex-governador Romeu Zema (Novo), que é pré-candidato à Presidência da República.


Ao intensificar críticas ao STF — incluindo a produção de conteúdos que ironizam ministros e a promessa de “novo Supremo” —, o pré-candidato parece operar em 2 frentes simultâneas: de um lado, dialoga com base eleitoral já predisposta à desconfiança institucional; de outro, amplia a visibilidade no cenário nacional.


O cálculo, assim, é político e eleitoral.


A retórica, no entanto, não é neutra. Ao associar ministros a práticas ilícitas ou sugerir ruptura na configuração da Corte, o discurso ultrapassa o campo da crítica legítima e adentra zona de tensionamento institucional perigosa.


A reação de integrantes do próprio STF, como a movimentação envolvendo Gilmar Mendes, evidencia que essas declarações não são vistas apenas como posicionamentos políticos, mas como potenciais vetores de desinformação e deslegitimação da instituição que protege a Constituição.


Papel ambíguo da imprensa

Parte da imprensa brasileira, ao amplificar essas declarações sem o devido filtro crítico, contribui para a escalada do conflito.


Não se trata de defender silêncio ou censura — pilares incompatíveis com a democracia —, mas de reconhecer que a mediação jornalística carrega responsabilidade editorial.


Quando ataques institucionais são reproduzidos como mera controvérsia política, sem contextualização adequada, cria-se ambiente em que a excepcionalidade vira rotina e a crítica destrutiva ganha status de debate legítimo.


O resultado é a erosão gradual da confiança pública nas instituições.


Divisão interna e dilema do STF

A resposta do STF a esse cenário está longe de ser homogênea. Há, no interior da Corte, divisão relevante e incomoda: parte dos ministros defende reação mais incisiva, com uso ampliado de instrumentos legais para conter ataques; outra ala prefere postura mais contida, temendo que o enfrentamento direto alimente ainda mais o discurso de politização do Judiciário.


O fato é que esses ataques têm se intensificado e, diante das divisões internas, a Corte muitas vezes não consegue oferecer respostas à altura. Nem aos golpistas de ocasião, nem tampouco à própria sociedade.


Esse impasse revela dilema estrutural. Reagir de forma dura pode reforçar acusações de ativismo; agir com discrição pode ser interpretado como fragilidade institucional. Em ambos os casos, o custo político é elevado.


Assim, será preciso encontrar a média correta entre ambos os dilemas colocados como desafio.


Entre resistência e desgaste institucional

O STF permanece, de fato, como um dos principais pilares de contenção de rupturas institucionais no Brasil recente. Mas essa centralidade tem preço: quanto mais a Corte atua, mais se expõe ao embate político.


E quanto mais se expõe mais necessita de equilíbrio interno, na imprensa, nos amplos setores democráticos, e inclui-se aí o governo.


O que está em jogo, portanto, não é apenas a imagem do tribunal, mas o próprio equilíbrio entre os Poderes. A normalização de ataques sistemáticos ao Supremo — especialmente quando instrumentalizados por projetos eleitorais — aponta para risco mais amplo: o de que a crítica legítima seja substituída por lógica de corrosão institucional.


Nesse ambiente, a defesa da democracia deixa de ser consenso básico e passa a ser objeto de disputa, que é sinal de alerta que o País não pode ignorar.


*Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

Fonte: Diap

 


 

05/05/2026 - Governo Lula lança publicidade em defesa do fim da escala 6×1: ‘Tempo é direito’


Em peça publicitária, Lula afirma que tempo de descanso é direito essencial, rebate temor de quebra da economia e sustenta que redução da jornada favorece saúde mental e evolução do País


O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançou na noite do domingo, 4, uma nova peça publicitária para defender o fim da escala 6×1. Na produção, o Executivo diz que ter mais tempo para descanso é um direito do trabalhador e que outras conquistas trabalhistas não quebraram o País, apesar do temor do mercado financeiro.


“Limitar a jornada, garantir descanso semanal, férias, licença maternidade, foram conquistas que devolveram o tempo às pessoas. Contra cada uma delas disseram que o Brasil ia quebrar. Não quebrou e direitos foram garantidos. Tempo é direito”, afirma a peça publicitária.


Ela diz também que ter apenas um dia de folga não garante um descanso do trabalhador e que isso se torna um “privilégio” que gera injustiça.


“A luta aqui é por dignidade, por direito ao tempo, por saúde mental, por vida além do trabalho”, diz um trecho. “Três de cada dez brasileiros com carteira assinada trabalham seis por um. Isso significa ter apenas um dia de descanso. Um único dia, que na prática não é descanso. É lavar roupa, limpar a casa, fazer compras, resolver problemas”, afirma a produção.


A peça também defende que a redução da jornada de trabalho vai acarretar uma melhora da produtividade por parte dos trabalhadores. “Trabalhadores descansados produzem mais, cometem menos erros, duram mais os empregos. Um país exausto não cresce. Um país que respira, evolui. Mais tempo significa mais saúde, mais estudo, mais vida. Fim da escala seis por um é tempo com a família”, diz.


O conteúdo foi compartilhado nos perfis do governo nas redes sociais. No Instagram, em 15 horas, obteve 3,6 mil curtidas e 600 compartilhamentos.

Fonte: Estadão Conteúdo

 


 

04/05/2026 - O 1º de Maio e a redução da jornada


Artigo dos presidentes das Centrais Sindicais*


O Dia do Trabalhador está diretamente ligado à luta pela redução da jornada. A origem da data remete à greve geral ocorrida em Chicago, EUA, em 1º de maio de 1886, cuja principal reivindicação era reduzir o tempo de trabalho — que chegava a 17 horas diárias. A mobilização, que completa 140 anos, foi duramente reprimida, transformando-se em símbolo de resistência e luta.


Desde então, trabalhadores no Brasil e no mundo obtiveram importantes conquistas. No Brasil, o principal marco foi a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras melhorias, estabeleceu a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais — um avanço significativo em um contexto em que a jornada frequentemente ultrapassava 14 horas por dia, com escalas que invadiam sábados e até manhãs de domingo.
Outro momento decisivo foi a Constituição Federal de 1988, que, consolidando uma luta sindical construída nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga horária semanal de 48 para 44 horas.


Diante desse histórico, surge a pergunta: por que, em 2026, ainda empunhamos a bandeira da redução da jornada — hoje também expressa na luta pelo fim da escala 6x1?


Em 140 anos, importantes conquistas promoveram regulamentação e atenuaram os abusos do início da industrialização. No entanto, as condições de trabalho também se transformaram e hoje permitem maior equilíbrio na organização do tempo, da produção e na distribuição dos ganhos. Avançar nesse sentido é fundamental para construir uma sociedade mais justa.


Além disso, a partir da década de 1980, com as crises do capitalismo, houve uma desestruturação dos setores produtivos, marcada pelo aumento do desemprego, pela expansão da terceirização e pelo crescimento da informalidade.


Esse cenário foi aprofundado com a reforma trabalhista de 2017, que abriu brechas para a precarização e para o aumento da jornada, ao flexibilizar regras de contratação e normas relacionadas ao tempo de alimentação, descanso e deslocamento.


Para os trabalhadores na informalidade, a situação é ainda pior. Muitos revivem os abusos do início da industrialização, com jornadas que chegam àquelas 17 horas diárias do século XIX. Trata-se de um contingente que permanece à margem das conquistas acumuladas ao longo desses 140 anos de luta.


Diante desse quadro, a defesa da redução da jornada não é apenas uma pauta histórica — é uma necessidade contemporânea. E ela envolve mais do que o tempo de trabalho: a carga horária excessiva provoca desgaste físico, rebaixamento salarial, dificulta o acesso à formação e agrava a saúde mental.


Assim, ao completar 140 anos, o 1º de Maio reafirma seu sentido original: a luta pelo tempo de vida. Em um mundo marcado por avanços tecnológicos, de um lado, e novas formas de exploração, de outro, resgatar essa luta é atualizar o significado histórico da data, mantendo viva a busca por dignidade, equilíbrio e justiça social para a classe trabalhadora.


* Miguel Torres, presidente da Força Sindical; Sérgio Nobre, presidente da CUT; Ricardo Patah, presidente da UGT; Adilson Araújo, presidente da CTB; Antonio Neto, presidente da CSB; Sônia Zerino, presidente da NCST.

Fonte: NCST

 


 

04/05/2026 - Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período


Pnad Contínua: país tinha 6,6 milhões de pessoas em busca de trabalho


A taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano ficou em 6,1%. O indicador fica acima do registrado no quarto trimestre de 2025 (5,1%), porém é a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.


Nos três primeiros meses do ano passado, o desemprego tinha marcado 7%. Os dados foram divulgados na quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.


Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.


No entanto, o IBGE não recomenda comparação em meses imediatamente seguidos, pois há sobreposição de dados. Por exemplo, os números de fevereiro se repetem nas duas últimas divulgações da pesquisa. Por isso, o instituto prefere fazer comparações com o quarto trimestre de 2025.


Trabalhadores

O primeiro trimestre de 2026 terminou com 6,6 milhões em busca de emprego. É a chamada população desocupada. O contingente é 19,6% superior (1,1 milhão de pessoas) ao do quarto trimestre de 2025, porém fica 13% a menos que o primeiro trimestre de 2025.


No mesmo trimestre, o total de ocupados chegou a 102 milhões de pessoas, 1 milhão a menos que no último trimestre de 2025 e 1,5 milhão acima do contingente do primeiro trimestre do ano passado, ou seja, comparação anual.

 

Matéria completa: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/desemprego-no-1o-trimestre-e-de-61-o-menor-ja-registrado-no-periodo

 

Fonte: Agência Brasil

 


 

04/05/2026 - Emprego formal cresce e alcança marca de 49 milhões no Brasil


Aumento sobre igual período de 2025 foi de 2,6%. Em 12 meses, foram criadas mais de 1,2 milhão de vagas com carteira assinada


O Brasil criou, em março, 228.208 novos empregos com carteira assinada. Com isso, o país ultrapassou 49 milhões de vínculos formais ativos, alta de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado.


Os dados fazem parte do Novo Caged e foram divulgados na quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


Considerando o resultado de março, o País acumula 613.373 novas vagas formais somente no primeiro trimestre do ano.


Já no recorte dos últimos 12 meses, entre abril de 2025 e março de 2026, foram criados mais de 1,2 milhão de empregos com carteira assinada.


Na comparação com março de 2025, quando foram geradas 79.994 vagas, o saldo de março deste ano confirma a expansão do mercado de trabalho formal.


Estados e setores

Ainda de acordo com os dados, 24 estados tiveram resultado positivo, com destaque para São Paulo (+67.876), Minas Gerais (+38.845) e Rio de Janeiro (+23.914).


Já Alagoas (-5.243), Mato Grosso (-1.716) e Sergipe (-338) ficaram com saldo negativo.


No recorte por setor econômico, o de serviços foi o maior gerador de postos no mês, com mais 152.391 vagas (+0,6%).


Na sequência está o segmento de construção registrou aumento de 38.316 postos formais.


O terceiro maior gerador foi a indústria, com saldo de 28.336 postos, seguido pelo comércio, com 27.267 empregos.


Gênero, idade e raça

Segundo o Caged, as mulheres obtiveram melhores resultados, ficando com 132.477 novas vagas, enquanto os homens ficaram com 95.731 postos.


Considerando a faixa etária, os jovens de até 24 anos respondem por 72,6% do saldo total no mês, o equivalente a 165.785 postos.


No recorte por raça, o balanço foi positivo para pardos (142.228), brancos (68.663), pretos (33.823) e amarelos (883).


Quanto ao nível de escolaridade, pessoas com ensino médio completo (183.037) lideraram a ocupação dos postos, seguidas por trabalhadores com nível superior (23.265).

Fonte: Portal Vermelho

 


 

04/05/2026 - Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722


Em um ano, valor sobe 5,5% acima da inflação


O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa acréscimo real – já descontada a inflação – de 5,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. É o maior registrado em toda série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.


O trimestre encerrado em março é o segundo consecutivo em que o salário médio supera a casa dos R$ 3,7 mil. No período de três meses terminado em fevereiro, o rendimento foi de R$ 3.702. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, houve expansão de 1,6%.


Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.


A pesquisa do IBGE coleta informações de dez grupos de atividades. Em oito deles, o rendimento médio ficou estável (sem variação significativa). Em dois, houve aumento médio de salários: no comércio, alta de 3% (mais R$ 86); na administração pública, 2,5% (mais R$ 127).

 

Causas

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, considera que parte desse rendimento recorde pode ser atribuída ao aumento do salário mínimo, no começo de janeiro, fixado em R$ 1.621.


“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”

 

Matéria completa: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/salario-medio-do-trabalhador-amplia-recorde-e-chega-r-3722

 

Fonte: Agência Brasil

 


 

04/05/2026 - Redução da jornada na Europa não afetou PIB nem nível de emprego


Estudo do Instituto de Economia do Trabalho analisou reformas em cinco países e concluiu que economia absorveu mudanças sem perdas


Um estudo publicado pelo IZA@LISER Network (antigo Institute of Labor Economics) traz evidências sólidas para o debate global sobre a jornada de trabalho. A pesquisa analisou reformas de redução de horas semanais em cinco países europeus entre os anos de 1995 e 2007, concluindo que a diminuição do tempo de serviço não gerou queda significativa no Produto Interno Bruto (PIB) nem afetou negativamente o nível de emprego nas nações observadas.


Intitulado “The Employment Effects of Working Time Reductions: Sector-Level Evidence from European Reforms”, o artigo científico é assinado pelos pesquisadores Cyprien Batut, da Paris School of Economics; Andrea Garnero, ligado à OCDE e ao IZA; e Alessandro Tondini, do FBK-IRVAPP. O levantamento utilizou dados setoriais do EU KLEMS e da European Labour Force Survey para medir os impactos reais das mudanças legislativas.


Impacto setorial

Os autores examinaram reformas nacionais que reduziram a jornada padrão em diferentes contextos: na França, de 39h para 35h; em Portugal, de 44h para 40h; na Itália, de 48h para 40h; na Bélgica, de 40h para 38h; e na Eslovênia, de 42h para 40h. A metodologia comparou setores com maior proporção de trabalhadores acima do novo limite de horas com aqueles menos afetados pelas novas regras.


Os resultados mostram que o número de horas trabalhadas caiu significativamente nos setores mais expostos, variando entre 1,3% e 6%. No entanto, ao contrário do que argumentam setores conservadores, não houve perda de postos de trabalho. O documento afirma que os resultados não apoiam a visão de que reformas na jornada padrão, que mantêm os salários mensais e semanais, tenham efeito negativo sobre o emprego.


Produto Interno Bruto

Quanto ao PIB e ao valor adicionado setorial, o estudo aponta que o impacto foi insignificante do ponto de vista estatístico. Durante o período analisado, os países registraram crescimento econômico robusto, e a economia foi capaz de absorver a redução do tempo de trabalho. Segundo o texto, o coeficiente sobre o output, medido como valor adicionado em cada setor, manteve-se estável.


Outro dado relevante refere-se ao salário-hora e à produtividade. Com a manutenção do poder de compra mensal dos trabalhadores e a redução das horas, o valor recebido por hora trabalhada subiu. Os pesquisadores indicam que o valor adicionado por hora mostrou tendência positiva, sugerindo que a eficiência do trabalho pode ser otimizada em jornadas menores.


Debate necessário

Os autores resumem que, embora o emprego não tenha aumentado por meio da redistribuição de vagas — a chamada “partilha do trabalho” —, a economia absorveu o aumento do custo do trabalho por hora sem efeitos colaterais consideráveis. “É possível que a redução do tempo de trabalho tenha sido rapidamente absorvida”, concluem.


No cenário brasileiro, onde o Congresso Nacional discute propostas como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada constitucional, o estudo do IZA serve como subsídio técnico fundamentado. Os dados refutam a tese de que a redução de jornada levaria automaticamente ao fechamento de vagas ou ao colapso da produção econômica.


O IZA@LISER Network é uma referência global em economia do trabalho, contando com uma rede de mais de 2 mil pesquisadores. O estudo completo, com todos os dados e tabelas estatísticas, permanece disponível para consulta pública na plataforma da instituição alemã.

Fonte: Portal Vermelho