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17/04/2026 -
Governo propõe projeto com salário mínimo de R$
1.717 mil em 2027
Proposta do governo estima acréscimo de R$ 96,00
ao mínimo nacional a partir de janeiro.
O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional
nesta quarta-feira (15) o Projeto da Lei de
Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 com previsão
de salário mínimo de R$ 1.717,00 a partir de
janeiro. O valor representa aumento nominal de R$
96,00 em relação ao piso atual, de R$ 1.621,00,
consolidando a alta de 5,92%.
A estimativa integra as projeções fiscais
apresentadas pela equipe econômica do governo, e
ainda pode ser revista ao longo da tramitação do
Orçamento. O valor definitivo do mínimo será fixado
apenas no fim deste ano, após a consolidação da
inflação medida até novembro.
O cálculo do reajuste considera a inflação acumulada
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
no período de 12 meses encerrado em novembro,
projetada em 3,06%, somada ao crescimento da
economia nos dois anos anteriores. Esse ganho está
sujeito ao limite estabelecido pelo arcabouço
fiscal, que restringe o aumento das despesas a no
máximo 2,5% acima da inflação.
Além da estimativa para 2027, o projeto antecipa
projeções preliminares para os anos seguintes. O
governo trabalha com valores de R$ 1.812 em 2028, R$
1.913 em 2029 e R$ 2.020 em 2030, números que
deverão ser atualizados nas próximas propostas
orçamentárias.
O salário mínimo tem impacto direto sobre despesas
obrigatórias, como aposentadorias, pensões e
benefícios sociais. Com isso, o ritmo de crescimento
deve acompanhar outros indicadores econômicos para
assegurar com que a expansão de gastos esteja de
acordo com as regras fiscais vigentes.
O aumento anual do salário mínimo acima do cálculo
da inflação foi uma das principais promessas de
campanha do presidente Lula nas eleições de 2022. Em
2023, o piso aumentou de R$ 1.302,00 para R$
1.320,00. Em 2024, subiu para R$1.412,00 e R$
1.518,00 em 2025. Com isso, a valorização salarial
acumulada até o momento foi de R$ 319,00.
Veja a íntegra das estimativas fiscais do governo.
Fonte: Congresso em Foco

17/04/2026 -
PEC 221 propõe reduzir jornada semanal para 36 horas
em até 10 anos
Proposta altera a Constituição e prevê
transição gradual, sem redução salarial, com foco em
geração de empregos e qualidade de vida
A
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019,
em análise na Câmara dos Deputados, estabelece a
redução da jornada semanal de trabalho no Brasil de
44 para 36 horas, a ser implementada de forma
progressiva ao longo de dez anos, sem diminuição de
salários.
De autoria do deputado Reginaldo Lopes e outros
parlamentares, a medida altera o artigo 7º da
Constituição Federal, que trata dos direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais. O objetivo central é
readequar o tempo de trabalho às novas dinâmicas
econômicas e sociais, buscando melhorar a qualidade
de vida da população e estimular a geração de
empregos.
A proposta prevê uma transição gradual até atingir o
limite de 36 horas semanais, permitindo adaptação
progressiva de empresas e trabalhadores. Segundo a
justificativa dos autores, a redução da jornada, sem
corte salarial, pode contribuir para a criação de
novos postos de trabalho, redução do desemprego e da
informalidade, além de aumentar a produtividade e a
massa salarial.
O texto também está apensado à PEC 8/2025, que trata
do mesmo tema e propõe jornada de quatro dias por
semana, respeitando o limite de 36 horas semanais e
oito horas diárias. Ambas as propostas tramitam
juntas e serão analisadas pelo plenário da Câmara.
A PEC 221 segue o rito especial das emendas
constitucionais e ainda depende de análise de
admissibilidade e de mérito nas comissões e no
plenário do Congresso Nacional.
O debate envolve diferentes posições: enquanto
defensores apontam ganhos sociais e econômicos com a
redistribuição do tempo de trabalho, críticos
alertam para possíveis impactos nos custos das
empresas e na dinâmica produtiva. Ainda assim, a
proposta se insere em um contexto global de
discussão sobre redução da jornada como instrumento
de modernização das relações de trabalho.
Fonte: Diap

17/04/2026 -
Motta diz que há vontade política do Parlamento de
aprovar o fim da escala 6x1
Presidente da Câmara mantém cronograma de votação
da PEC após a chegada de projeto do governo; texto
deve ir ao Plenário em maio
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), afirmou que há uma vontade
política do Parlamento para aprovar o fim da escala
de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho e um de
descanso). Ele reforçou que é preciso
responsabilidade, mas que não adianta ficar contra a
matéria apenas por ficar contra.
“Não há compromisso em retardar essa medida, que vai
trazer avanços para o país. Quem acha que a Câmara
vai segurar a discussão e a votação da matéria está
equivocado”, afirmou ele, em entrevista ao SBT News.
Antes, em entrevista coletiva, ele afirmou que o
envio, pelo governo, do projeto de lei que reduz a
jornada de trabalho e estabelece o fim da escala 6x1
não muda o cronograma estabelecido por ele em
relação à proposta de emenda à Constituição (PEC)
que trata do mesmo tema.
Motta reforçou que é prerrogativa do presidente da
República o envio de um projeto de lei com urgência
constitucional, mas que também é prerrogativa da
Presidência da Câmara definir a tramitação de
qualquer proposição na Casa. Ele disse que o envio
do texto não afeta a relação com o Poder Executivo,
já que os Poderes são independentes e harmônicos.
“Vamos continuar com a tramitação da PEC, porque com
a PEC temos um espaço maior de discussão, para ouvir
a todos que serão impactados por essa mudança. O
avanço que vamos dar à classe trabalhadora com um
tempo a mais para a saúde, para o lazer e para a sua
família, acreditando que isso melhorará a
produtividade, e vamos fazer isso de forma
responsável”, afirmou.
Fonte: Agência Câmara

17/04/2026 -
INSS libera consulta a prévia do 13º de aposentados
e pensionistas
Pagamento da primeira parcela começa no dia 24 de
abril
Aposentados e pensionistas já podem consultar a
prévia do 13º salário no site ou no aplicativo Meu
INSS. Neste ano, o pagamento do abono anual foi
antecipado. Mais de 35 milhões de pessoas vão
receber em duas parcelas.
A primeira será paga de 24 de abril, sexta-feira que
vem, até 8 de maio. A segunda saí entre 25 de maio e
8 de junho. No total, o INSS vai antecipar quase R$
80 bilhões aos segurados.
Também têm direito ao 13º aqueles que, em 2026,
receberam salário-maternidade e os auxílios por
incapacidade temporária, acidente e reclusão.
Tradicionalmente, o pagamento do abono é feito entre
agosto e novembro.
Segundo o governo, a antecipação do benefício
alcança todos os estados brasileiros e representa
uma injeção significativa de recursos na economia
dos municípios.
Fonte: Agência Brasil

17/04/2026 -
Supremo tem maioria para invalidar lei que proíbe
cotas raciais em SC
Ainda que os estados tenham competência para
estabelecer regras sobre cotas e outras ações
afirmativas na administração pública, uma proibição
não pode se basear na suposta violação à isonomia,
pois essa tese já foi rechaçada pela jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal e por compromissos
internacionais assumidos pelo Brasil.
Com esse entendimento, o Plenário do STF formou
maioria, nesta quinta-feira (16/4), para declarar a
inconstitucionalidade da lei catarinense que proíbe
cotas raciais em universidades e concursos públicos
estaduais.
A sessão virtual terminará oficialmente às 23h59
desta sexta (17/4). Atualmente, a norma está
suspensa por decisão do Tribunal de Justiça de Santa
Catarina.
Contexto
A lei catarinense, sancionada no último mês de
janeiro, proíbe políticas de cotas, reservas de
vagas ou qualquer outra ação afirmativa baseada em
critérios raciais. A regra é válida para
instituições públicas estaduais ou que recebam verba
do estado.
O texto permite apenas cotas para pessoas com
deficiência, alunos de escolas públicas e por
critérios econômicos. O descumprimento das regras
pode acarretar multa administrativa de R$ 100 mil,
corte dos repasses de verbas públicas e abertura de
processos administrativos disciplinares contra os
responsáveis.
Ainda em janeiro, a desembargadora Maria do Rocio
Luz Santa Ritta, do TJ-SC, suspendeu, em liminar, os
efeitos da norma. Em ação movida pelo Partido
Socialismo e Liberdade (PSOL), a magistrada
constatou “aparente incompatibilidade com o regime
constitucional da igualdade material e com os
objetivos de redução das desigualdades e de combate
à discriminação”.
A lei é contestada no STF em seis ações com sete
autores: o PSOL; a União Nacional dos Estudantes
(UNE); a entidade Educação e Cidadania de
Afrodescendentes e Carentes (Educafro); a
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria
(CNTI); o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil (CFOAB); o Partido dos Trabalhadores (PT); e
o Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Em geral, os autores alegam que a proibição das
cotas ignora o racismo estrutural e contraria normas
federais já consolidadas, como a Lei de Cotas e o
Estatuto da Igualdade Racial.
Outro argumento em comum é que a lei estadual
afronta a autonomia universitária, pois retira das
instituições de ensino a capacidade de formular suas
próprias políticas de acesso, organização,
diversidade e inclusão.
Matéria completa:
https://www.conjur.com.br/2026-abr-16/supremo-tem-maioria-para-invalidar-lei-que-proibe-cotas-raciais-em-sc/
Fonte: Consultor Jurídico

16/04/2026 -
O PL de Lula e quem lucra com a exaustão do
trabalhador?
Resistência à jornada de 40 horas e ao fim da
escala 6x1 revela pacto conservador entre elites
empresariais e maioria do Congresso para manter
privilégios à custa do tempo de vida dos
trabalhadores.
Marcos Verlaine*
Há algo de profundamente revelador — e igualmente
revoltante — na reação de setores empresariais e de
parcelas expressivas do Congresso Nacional à
proposta de redução da jornada para 40 horas
semanais e substituição da escala 6x1 pelo modelo
5x2.
Não se trata apenas de divergência técnica ou
cautela econômica. O que está em jogo é a defesa
explícita de modelo de exploração intensiva do
trabalho, sustentado por aliança histórica entre o
capital e a política conservadora e neoliberal.
A decisão do governo de acelerar a tramitação por
meio de projeto de lei em regime de urgência expõe,
sem filtros, quem está de cada lado.
De um lado, trabalhadores que reivindicam o mínimo
civilizatório: tempo de descanso, convivência
familiar e dignidade. Do outro, bloco conservador e
neoliberal, que insiste em tratar o tempo humano
como variável descartável da planilha de custos.
CANTILENA DO MEDO
A grita empresarial, capitaneada por entidades como a
CNI, repete roteiro conhecido: quase preguiçoso.
Fala-se em colapso econômico, perda de
competitividade, risco ao crescimento.
É o mesmo discurso que ecoou contra a jornada de 44
horas, contra o 13º salário, contra as férias
remuneradas. Contra a escravidão. Repertório este
que a história já desmentiu reiteradas vezes. O que
se vende como “preocupação com a economia” nada mais
é do que resistência à redistribuição de ganhos e à
modernização das relações de trabalho.
A verdade incômoda é que parte do empresariado
brasileiro ainda opera sob lógica arcaica: lucrar
mais exigindo mais horas, e não produzindo melhor.
Em vez de investir em tecnologia, gestão e
produtividade, aposta-se na compressão do tempo de
vida do trabalhador. É mais fácil explorar à
exaustão do que inovar.
CONGRESSO COMO TRAVA
No Congresso, o cenário não é menos desolador. A
resistência à proposta escancara a atuação de
maioria informal comprometida com interesses
patronais. Sob os eufemismos de “flexibilização” e
“modernização”, parlamentares atuam para manter
intacta a estrutura que penaliza justamente quem
sustenta a economia real.
Não é coincidência que propostas semelhantes — como
as PEC que tratam da redução da jornada — tenham
sido sistematicamente engavetadas ou desidratadas.
Há bloqueio político deliberado, operado por
coalizão que vai do Centrão (direita) à
extrema-direita, sempre sob o olhar complacente —
quando não incentivador — das confederações
empresariais.
Esse bloqueio não é neutro. Tem lado. E esse lado é
o da manutenção de privilégios.
FARSA DA “MODERNIZAÇÃO”
Os argumentos contrários à mudança ignoram, de forma
conveniente, evidências internacionais e
experiências concretas que apontam para ganhos de
produtividade, melhora na saúde dos trabalhadores e
até impactos positivos no emprego com a redução da
jornada.
Ignoram também o ponto elementar: trabalhar menos
não é luxo, é condição para viver melhor.
A defesa da escala 6x1, nesse contexto, beira o
cinismo. Trata-se de modelo que compromete a saúde
física e mental, destrói rotinas familiares e limita
qualquer possibilidade de vida além do trabalho.
Mantê-lo é, na prática, naturalizar a exaustão como
norma.
HORA DA EXPOSIÇÃO
Ao forçar o debate via projeto de lei com urgência, o
governo acerta ao expor o Congresso à luz do dia.
Não haverá mais espaço para manobras silenciosas ou
obstruções disfarçadas.
Cada parlamentar terá que dizer, publicamente, de
que lado está: do lado de quem trabalha ou do lado
de quem lucra com jornadas extenuantes.
No fim das contas, o que está em disputa não é
apenas mudança na legislação trabalhista. É o
próprio modelo de sociedade. Uma sociedade que
aceita jornadas longas e descanso mínimo como regra
é uma sociedade que normaliza desigualdades
profundas, como é a norma brasileira.
A resistência à redução da jornada e ao fim da
escala 6x1 não é técnica. É ideológica. E,
sobretudo, é escolha política: manter o Brasil preso
ao passado onde o tempo do trabalhador vale menos do
que o lucro de poucos. Muito poucos.
(*) Jornalista, analista político, assessor
parlamentar do Diap e redator do HP
Fonte: Diap

15/04/2026 -
Artigo defende que é viável reduzir a jornada de
trabalho no Brasil
O artigo analisa a possibilidade de reduzir a
jornada de trabalho no Brasil sem afetar a economia
ou as empresas.
O trigésimo sexto – e último – artigo do dossiê “Fim
da Escala 6×1, organizado pelo Organizado pelo Cesit
(Centro de Estudos Sindicais e de Economia do
Trabalho) em parceria com as centrais sindicais
aborda “Viabilidade econômica para redução da
jornada de trabalho no Brasil”. O artigo é assinado
por Isadora Scheide Muller e Cássio da Silva Calvete.
O artigo sustenta que o país reúne condições
econômicas para reduzir a jornada sem prejuízos à
economia ou às empresas, e mostra que, entre 2012 e
2024, houve crescimento de cerca de 25% na geração
de riqueza e aumento de 12% na produtividade do
trabalho, indicando a existência de excedente
econômico capaz de sustentar a medida.
Os autores também destacam que o custo da mão de
obra no Brasil é relativamente baixo em comparação
internacional, o que reduz o impacto de uma eventual
diminuição da jornada sobre as empresas. Além disso,
a experiência histórica da Constituição de 1988 —
quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas —
demonstra que previsões de aumento do desemprego não
se confirmaram, reforçando a viabilidade da
proposta.
Por fim, o estudo aponta que o debate atual vai além
da geração de empregos e passa a incorporar a
melhoria da qualidade de vida e a redução das
desigualdades, especialmente de gênero. Com a
recuperação econômica recente e a queda do
desemprego, os autores concluem que a redução da
jornada pode contribuir para uma melhor distribuição
de renda e para condições mais dignas de trabalho no
país.
Leia aqui o artigo:
Viabilidade econômica para redução da jornada de
trabalho no Brasil
Fonte: Diap

15/04/2026 -
Três verbos para vencer a eleição presidencial em
2026
Antônio Augusto de Queiroz*
Um estudo realizado pela Ativaweb Lab, do analista
Alek Maracajá, com base em metodologia de Big Data,
análise semântica e clusterização de audiência,
comparou os perfis de Lula, Flávio Bolsonaro e
Ronaldo Caiado no Instagram – a rede social mais
popular do Brasil – e chegou a uma conclusão central
que desafia o senso comum do marketing político: no
ambiente digital, a eleição de 2026 não será
decidida por volume de seguidores ou por altas taxas
de engajamento, mas por quem consegue mobilizar
eleitores fora da sua base original. E, segundo o
estudo, Lula tem o trunfo que nenhum adversário
consegue replicar no curto prazo.
De acordo com os dados levantados por Alek Maracajá,
o cenário digital para 2026 já tem seus contornos
definidos. Lula lidera com 14,5 milhões de
seguidores, mas apresenta engajamento de apenas
0,38% e crescimento mensal de 0,14%. Flávio
Bolsonaro tem 9,7 milhões de seguidores, engajamento
de 1,25% e crescimento de 4,35% ao mês. Já Ronaldo
Caiado aparece distante, com 2,1 milhões de
seguidores, 0,39% de engajamento e crescimento de
1,68%. À primeira vista, os números de Flávio
assustam. Mas o estudo da Ativaweb Lab faz um alerta
importante: alto desempenho dentro de um ecossistema
fechado não se traduz em vitória eleitoral. A
audiência de Flávio é ideológica, masculina, fiel e
reativa – uma câmara de eco bem organizada, mas com
baixíssima penetração fora da bolha da direita. Em
outras palavras, Flávio ganha o feed, mas tem teto
eleitoral claro. Já Caiado, segundo a análise,
aproveita rachas na direita e tem força regional em
Goiás, mas seu crescimento é lento e sua penetração
nacional é muito baixa. Hoje, ele não disputa em
escala nacional.
O grande diferencial de Lula, aponta Alek Maracajá,
não está nos números brutos de engajamento, mas na
sua capacidade estrutural de atravessar bolhas. O
presidente tem três ativos que nenhum adversário
consegue replicar no curto prazo: capilaridade
nacional, com presença consolidada em todas as
regiões, classes e culturas; diversidade de público,
incluindo maioria feminina (61,5% da base), jovens,
nordestinos e periferia urbana; e autoridade
institucional, como presidente em exercício e
liderança histórica reconhecida. O estudo da
Ativaweb Lab chama atenção para o que classifica
como "paradoxo dos dados": Lula tem menor
engajamento proporcional, mas maior alcance
estrutural. Isso acontece porque sua audiência
diversa tem menor uniformidade ideológica e,
portanto, reage menos de forma automática. Mas
justamente por isso, o potencial de mobilização
subexplorado é gigantesco. Como resume Alek
Maracajá, "Lula não depende de algoritmo, depende de
narrativa. Seu desafio não é crescer audiência – é
ativar a audiência que já tem."
No entanto, o estudo não esconde os problemas. A
comunicação digital de Lula hoje, segundo a Ativaweb
Lab, sofre de quatro gargalos graves: é
excessivamente institucional, falando como governo e
não como liderança; tem baixa ativação emocional, o
que é punido pelos algoritmos; faz pouco uso do Lula
falando de sua trajetória pessoal, deixando de
explorar a história de vida do presidente como ativo
simbólico; e é previsível, sem elementos de surpresa
que impulsionam crescimento orgânico. O diagnóstico
síntese do estudo é duro, mas preciso: "Muito
assistido. Pouco reagido. A audiência consome, mas
não amplifica."
A boa notícia para Lula, segundo Alek Maracajá, é
que todos esses problemas têm solução com um
reposicionamento estratégico viável em alguns meses.
O estudo propõe uma mudança de eixo clara: sair da
comunicação de governo, formal e distante, e migrar
para uma liderança humana, popular e próxima, usando
a cultura e os símbolos do povo brasileiro. Três
públicos são apontados como prioritários para
expansão: os jovens de 18 a 34 anos, que são a maior
geração de eleitores e respondem a formatos curtos e
autênticos; a periferia urbana, território
historicamente lulista mas que hoje está disputado e
requer reconexão emocional; e o público feminino,
que já é maioria na base de Lula e pode crescer
ainda mais com narrativas de cuidado, segurança e
futuro.
O estudo da Ativaweb Lab projeta três cenários para
2026. No cenário atual, de inércia, Flávio domina o
engajamento e Lula domina o alcance, formando um
equilíbrio instável no qual o presidente chegaria à
eleição com grande base, mas sem eficiência de
conversão – o que representa risco real. Já no
cenário com ajuste estratégico, o recomendado pelo
estudo, Lula passa a dominar alcance, engajamento e
narrativa simultaneamente, convertendo sua base
existente em movimento real e sustentado. A
diferença entre um cenário e outro, segundo Alek
Maracajá, não é investimento em impulsionamento
pago, mas coragem criativa para abandonar o tom
institucional e abraçar o humano.
O encerramento do estudo sintetiza a tese em três
verbos para 2026: ativar, para transformar
seguidores passivos em audiência engajada;
emocionar, com o Lula contando sua própria história,
com gatilhos emocionais que o algoritmo premia; e
mobilizar, para converter engajamento digital em
movimento organizado nas ruas e nas redes. A frase
final de Alek Maracajá resume o espírito da análise:
"Quem tem povo não precisa buscar audiência, precisa
despertar o movimento. O Brasil já segue Lula. O que
falta é fazê-lo reagir." O estudo conclui que a
eleição de 2026 não será decidida por quem tem mais
seguidores ou maior taxa de engajamento, mas por
quem consegue transformar audiência em ação – e
nesse jogo, Lula começa à frente, desde que sua
comunicação pare de falar como governo e volte a
falar como Lula.
(*) Jornalista, consultor, analista político e
mestre em políticas públicas e governo pela FGV. Foi
direto de documentação do Diap (Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar). É membro
do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social
Sustentável da Presidência da República – Conselhão.
Especialista em instituições políticas e processo
legislativo, é autor de diversos artigos e livros
sobre a dinâmica do poder no Brasil.
Fonte: Diap

15/04/2026 -
Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turnos,
indica pesquisa CNT/MDA
Levantamento CNT/MDA indica vantagem do
presidente e distância para outros pré-candidatos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece
na liderança da disputa presidencial de 2026 em
cenários de primeiro e segundo turnos, segundo
pesquisa divulgada nesta terça-feira (14) pelo
instituto MDA, encomendada pela Confederação
Nacional dos Transportes (CNT). O levantamento
indica que Lula supera o senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), seu principal adversário nos cenários
testados.
O presidente mantém vantagem mesmo considerando a
margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Outros
nomes incluídos no levantamento aparecem com
desempenho bem inferior ao dos dois primeiros
colocados.
Cenário de primeiro turno
Na simulação de primeiro turno, Lula lidera com 39,2%
das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro,
com 30,2%. Os demais pré-candidatos aparecem com
percentuais significativamente menores:
- Ronaldo Caiado (PSD): 4,6%
- Romeu Zema (Novo): 3,3%
- Renan Santos (Missão): 1,8%
- Aldo Rebelo (DC): 1,5%
- Branco/nulo: 10,4%
- Indecisos: 8,9%
Simulações de segundo turno
A pesquisa também avaliou diferentes cenários de
segundo turno. Na disputa direta entre Lula e Flávio
Bolsonaro, o presidente aparece com 44,9%, contra
40,2% do senador. Nesse cenário, 11,3% declararam
voto branco ou nulo, e 3,6% estão indecisos.
Em confrontos com outros pré-candidatos, a vantagem
de Lula é mais ampla:
- Contra Romeu Zema: 45,2% a 31,6%
- Em outro cenário com Zema: 44,4% a 32,7%
- Contra Aldo Rebelo: 45,4% a 29,1%
- Contra Renan Santos: 45% a 28,3%
Os índices de votos brancos, nulos e indecisos
variam entre 15% e 18% nos diferentes cenários.
Metodologia da pesquisa
O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 140 municípios,
distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito
Federal, entre os dias 8 e 12 de abril. A margem de
erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para
menos. A pesquisa está registrada no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02847/2026.
Fonte: Brasil247

15/04/2026 -
Comissão de Trabalho pode debater FGTS e votar
propostas sobre jornada e negociação
Reunião desta semana inclui pedidos de audiência
pública e análise de projetos que alteram regras
trabalhistas
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados deve
analisar, nesta semana, uma série de requerimentos
para a realização de audiência pública sobre o Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A iniciativa
parte do relator da subcomissão que acompanha o
tema, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), e busca
ampliar o debate sobre o fundo.
Também está na pauta o Projeto de Lei 10572/2018,
que trata dos limites das negociações individual e
coletiva de trabalho. A proposta, de autoria do
deputado Patrus Ananias (PT-MG), altera dispositivos
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
relacionados à reforma trabalhista. O relator,
deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), apresentou
parecer favorável à aprovação.
Outro destaque é o retorno à pauta do Projeto de Lei
67/2025, que propõe a redução da jornada semanal
para até 40 horas e assegura pelo menos dois dias de
descanso remunerado por semana. O texto também conta
com parecer favorável do relator, deputado Léo
Prates (PDT-BA).
A reunião está prevista para esta quarta-feira (15),
às 10h, no plenário 12 do anexo II da Câmara.
Fonte: Diap

14/04/2026 -
Lula receberá sindicalistas após Conclat 2026 e
Marcha a Brasília
CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB, NCST,
Intersindical e Pública promovem a Conclat, que vai
aprovar a “Pauta da Classe Trabalhadora –
Prioridades 2026”
As centrais sindicais anunciariam que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai receber uma delegação
de sindicalistas na próxima quarta-feira (15), logo
após a nova Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora (Conclat 2026). A agenda completa a ser
cumprida em Brasília foi divulgada nesta
quinta-feira (9) e será a mais importante
mobilização do movimento sindical neste ano.
De acordo com as entidades, a concentração será a
partir de 8 horas de 15 de abril, no Teatro Nacional
Claudio Santoro. São esperados 15 mil trabalhadores
na capital federal. É no teatro que, das 9 às 11
horas, oito centrais – CTB, CUT, Força Sindical,
UGT, CSB, NCST, Intersindical e Pública – promovem a
Conclat.
Com o lema, “Empregos, direitos, democracia,
soberania e vida digna”, a conferência vai debater e
aprovar a “Pauta da Classe Trabalhadora –
Prioridades 2026”, com 68 reivindicações. O
documento apresentará propostas unificadas para
impulsionar a participação do sindicalismo nas
eleições 2026, repetindo as experiências das
conferências de 2010 e 2022, também realizadas em
anos de disputa presidencial.
A programação ocorre no momento em que a Câmara dos
Deputados debate a proposta de redução de jornada de
trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala
6×1 – duas das pautas prioritárias das centrais. As
centrais também destacam o combate ao feminicídio e
à pejotização, o fortalecimento das negociações
coletivas, o direito de negociação para os
servidores e a regulamentação do trabalho mediado
por aplicativos.
Marcha
Encerrada a Conclat, a próxima etapa será a Marcha a
Brasília. Os trabalhadores irão em passeata até o
Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Além de
Lula, as entidades tentarão entregar a “Pauta da
Classe Trabalhadora” aos presidentes da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi
Alcolumbre (União Brasil-AP).
Enquanto dirigentes das centrais se reunirem com as
autoridades, os trabalhadores permanecerão na
Esplanada dos Ministérios. Ainda no dia 15, após
esse conjunto de agendas, as caravanas sindicais
regressam para seus estados.
“Brasília será palco de uma vigorosa Marcha da
Classe Trabalhadora”, prevê Adilson Araújo,
presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil). Segundo ele, a pauta a ser
aprovada na Conclat resume “uma agenda de luta em
prol do bem-estar do povo e dos interesses maiores
da nação, que coincidem com as demandas e os
movimentos da classe trabalhadora”.
No centro da luta está o fim da escala 6×1.
“Transformar este anseio de dezenas de milhões de
trabalhadoras e trabalhadores brasileiros em lei vai
demandar muita mobilização”, diz Adilson. “A Marcha
da Classe Trabalhadora na próxima quarta-feira, no
Distrito Federal, será uma contribuição de grande
relevância para alcançar este objetivo.”
Fonte: Portal Vermelho

14/04/2026 -
CCJC analisa proposta de redução da jornada de
trabalho
PEC prevê diminuição gradual para 36 horas
semanais ao longo de dez anos
A Câmara dos Deputados realiza, na próxima
quarta-feira (15), reunião da Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania, com início às
10h, no Anexo II, Plenário 01. Entre os itens da
pauta está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
221/2019, que trata da redução da jornada de
trabalho no país.
De autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e
outros parlamentares, a proposta altera dispositivo
da Constituição Federal para estabelecer a
diminuição progressiva da jornada semanal para 36
horas, a ser implementada ao longo de dez anos.
A matéria está sob relatoria do deputado Paulo Azi (UNIÃO-BA)
e, até o momento, aguarda a apresentação de parecer
na comissão. A análise na CCJC se concentra nos
aspectos de constitucionalidade, juridicidade e
técnica legislativa da proposição.
A reunião integra a agenda ordinária do colegiado e
poderá ser acompanhada por meio dos canais oficiais
da Câmara. A tramitação da proposta e demais
informações estão disponíveis no portal da Casa.
Fonte: Diap

14/04/2026 -
Pesquisa revela que brasileiro prefere emprego com carteira assinada
Levantamento da CNI mostra que CLT lidera entre jovens
Apesar do barulho das redes sociais, o emprego com carteira assinada
continua sendo a prioridade dos brasileiros ao buscar uma vaga. Segundo
pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o
modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi
apontado como o mais atrativo por mais de um terço dos trabalhadores que
procuraram emprego recentemente.
De acordo com o estudo, o acesso a direitos trabalhistas e à Previdência
Social continua sendo um diferencial relevante, mesmo com o avanço de
novas formas de trabalho.
“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas
vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso
a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam,
portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior
flexibilização das relações de trabalho”, diz Claudia Perdigão,
especialista em Políticas e Indústria da CNI.
Principais números da pesquisa
. 36,3% preferem emprego com
carteira assinada (CLT);
. 18,7% apontam o trabalho
autônomo como melhor opção;
. 12,3% consideram o emprego
informal mais atrativo;
. 10,3% têm interesse em
trabalho por plataformas digitais;
. 9,3% preferem abrir o
próprio negócio;
. 6,6% optam por atuar como
pessoa jurídica (PJ);
. 20% não encontraram
oportunidades atrativas.
Preferência entre jovens
Entre os jovens, a escolha
pelo emprego formal é ainda mais forte, refletindo a busca por segurança
no início da carreira.
. 41,4% dos trabalhadores de
25 a 34 anos preferem CLT;
. 38,1% dos jovens de 16 a
24 anos também priorizam o modelo.
Segundo Claudia Perdigão, o emprego formal traz mais segurança para os
jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira
profissional.
Renda complementar
O trabalho por meio de
plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de
aplicativo, é visto majoritariamente como complemento de renda.
Segundo o levantamento, apenas 30% consideram essa atividade como
principal fonte de sustento.
Alta satisfação
A pesquisa também aponta
elevado nível de satisfação no mercado de trabalho, o que ajuda a
explicar a baixa busca por novas oportunidades.
. 95% estão satisfeitos com
o emprego atual;
. 70% se dizem muito
satisfeitos;
. 4,6% estão insatisfeitos;
. 1,6% muito insatisfeitos.
A mobilidade no mercado é limitada:
. 20% buscaram outro emprego
recentemente;
. 35% dos jovens (16 a 24 anos) procuraram nova vaga;
. 6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.
O tempo no emprego também influencia:
. 36,7% com menos de um ano
no trabalho buscaram nova vaga;
. 9% com mais de cinco anos
na mesma função fizeram o mesmo.
Realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, o levantamento
ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A pesquisa foi
realizada de 10 a 15 de outubro de 2025, mas só foi divulgada agora.
Fonte: Agência Brasil

14/04/2026 -
Com troca na presidência, Lula tenta reduzir filas
do INSS
A avaliação é de que Gilberto Waller cumpriu
papel importante após escândalo do INSS, mas não
conseguiu reduzir as filas
A troca no comando do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) foi definida pelo governo Lula como
uma tentativa de enfrentar o crescimento das filas e
melhorar o atendimento aos beneficiários, após um
período marcado por crise institucional e pressão
política. As informações são do G1.
A decisão foi tomada em meio à avaliação de que o
governo enfrenta desgaste simultâneo com o escândalo
de fraudes em benefícios previdenciários e a demora
na análise de pedidos no órgão.
Internamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
considera que o agora ex-presidente do INSS,
Gilberto Waller Júnior, teve papel relevante ao
assumir a autarquia em um momento crítico, logo após
a revelação de um esquema bilionário de desvios
envolvendo aposentadorias e pensões. Ainda assim, a
percepção no Palácio do Planalto é de que ele não
conseguiu avançar na redução das filas, um dos
principais desafios da gestão.
A substituição foi defendida pelo ministro da
Previdência Social, Wolney Queiroz, nos últimos
dias. A avaliação é de que o comando do INSS precisa
de alguém com maior familiaridade com a área para
acelerar processos e melhorar a prestação de
serviços.
Para assumir a presidência do instituto, o governo
escolheu Ana Cristina Viana Silveira, considerada
nos bastidores como uma gestora com experiência
voltada à modernização e à agilização dos serviços.
A expectativa é de que sua atuação contribua
diretamente para diminuir o tempo de espera
enfrentado por aposentados e pensionistas.
Gilberto Waller Júnior havia sido nomeado em 30 de
abril do ano passado, poucos dias após a Polícia
Federal deflagrar uma operação que revelou um
esquema de descontos irregulares aplicados sobre
benefícios previdenciários.
As investigações apontaram que o esquema atuou entre
2019 e 2024 e pode ter causado prejuízos de até R$
6,3 bilhões. O caso resultou na queda do então
presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além da
prisão dele em novembro e da detenção de outros
integrantes da cúpula do órgão.
Com a mudança na direção, o governo busca não apenas
reorganizar o funcionamento do INSS, mas também
responder às críticas relacionadas à demora no
atendimento, tema que ganhou relevância no cenário
político recente.
Fonte: Brasil247

14/04/2026 -
Mercado eleva previsão de inflação para 4,71%, acima
da meta
Projeção do mercado para o IPCA sobe pela quinta
semana seguida, supera o teto da meta e reforça a
pressão inflacionária em meio à alta do petróleo.
Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar
a projeção para a inflação deste ano, segundo o
Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. A
mediana das estimativas para o IPCA de 2026 subiu de
4,36% para 4,71%, na quinta alta semanal
consecutiva, e ficou acima do teto da meta de
inflação. Ao mesmo tempo, as previsões para o
crescimento da economia e para a taxa básica de
juros foram mantidas, enquanto a expectativa para o
dólar recuou levemente.
O relatório com data de 10 de abril mostra que a
expectativa para o IPCA vinha de 4,10% há quatro
semanas, passou para 4,36% na semana passada e agora
chegou a 4,71%. Para 2027, a projeção também
avançou, de 3,85% para 3,91%, no terceiro aumento
seguido. Já para 2028, a estimativa foi mantida em
3,60%, enquanto a de 2029 permaneceu em 3,50% pela
32ª semana consecutiva.
A piora nas expectativas ocorre em um momento de
pressão sobre os preços, especialmente após a
aceleração recente da inflação e a alta do petróleo
no mercado internacional. O movimento é atribuído
por analistas ao encarecimento dos combustíveis e
dos alimentos, num cenário também influenciado pelas
tensões geopolíticas envolvendo o Irã.
Além da inflação cheia, o Focus mostrou alta nas
projeções de curto prazo. A mediana para o IPCA de
abril passou de 0,48% para 0,50%, enquanto a
estimativa para maio subiu de 0,31% para 0,32%. Para
junho, a projeção foi mantida em 0,28%. Já a
inflação suavizada em 12 meses recuou de 4,09% para
4,05%.
Crescimento e juros estáveis
No restante do quadro macroeconômico, o mercado
manteve em 1,85% a expectativa de crescimento do PIB
em 2026, repetindo o mesmo número da semana
anterior. Para 2027, a projeção permaneceu em 1,80%,
e para 2028 e 2029 continuou em 2%.
Na área cambial, houve leve alívio. A previsão para
o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37.
Para 2027, a estimativa recuou para R$ 5,40; para
2028, para R$ 5,46; e, para 2029, ficou estável em
R$ 5,50.
Já a taxa Selic esperada para 2026 foi mantida em
12,50% pela terceira semana consecutiva. Para os
anos seguintes, as projeções também permaneceram
estáveis: 10,50% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em
2029.
O Focus também registrou nova deterioração em outros
indicadores de preços. A projeção para o IGP-M de
2026 subiu para 3,86%, no sexto avanço seguido. No
caso dos preços administrados, a expectativa passou
a 4,87% neste ano. Os dados reforçam a leitura de
que o ambiente inflacionário segue pressionado,
apesar da estabilidade nas apostas para juros e
atividade econômica.
Fonte: Congresso em Foco

13/04/2026 -
Em
março, INPC sobe para 0,91%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
chegou a 0,91% em março, ficando 0,35 p.p. acima do
resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC
acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de
3,77%, acima dos 3,36% acumulados nos 12 meses
imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC
havia chegado a 0,51%.
O grupo dos produtos alimentícios no INPC acelerou
de fevereiro (0,26%) para março (1,65%). Já a
variação dos não alimentícios passou de 0,66% em
fevereiro para 0,67% em março. Fernando observa que
“a maior contribuição nos alimentos se dá por conta
do maior peso do grupo no INPC”.
A maior variação do INPC ocorreu em Salvador
(1,52%), puxada pela gasolina (17,37%) e pelo tomate
(49,25%). Já a menor variação ocorreu em Rio Branco
(0,33%), com o recuo da energia elétrica residencial
(-3,28%) e do óleo de soja (-6,46%).
Fonte: IBGE

13/04/2026 -
Tem Marcha da Classe Trabalhadora, dia 15 abril, em
Brasília
Presidente Lula receberá lideranças sindicais ao
final da marcha
A Marcha da Classe Trabalhadora, realização unitária
das Centrais Sindicais, vai levar às ruas de
Brasília, em 15 de abril, a militância sindical de
todo o país. A marcha será precedida de plenária da
CONCLAT (Conferência da Classe Trabalhadora), que
aprovará a Pauta da Classe Trabalhadora com as
prioridades para o período 2026/2030.
O documento será entregue ao presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ministros
após a marcha. A concentração e a Conferência
acontecerão a partir das 8h e o início da marcha
rumo à Esplanada dos Ministérios, às 11h. O horário
e local da reunião dos sindicalistas com Lula serão
informados assim que definidos.
PAUTA
A Pauta da Classe Trabalhadora é um documento
elaborado de forma unitária pelas centrais
sindicais. Resultado da CONCLAT realizada em abril
de 2022, a pauta é atualizada todo ano, com as
reivindicações e proposições prioritárias para o
período e a conjuntura.
Este ano, a pauta tem 68 itens, entre eles a redução
da jornada de trabalho sem redução de salário e fim
da escala 6x1, valorização e fortalecimento da
negociação coletiva, direito de negociação para
servidores, regulamentação do trabalho por
aplicativos, combate à pejotização irrestrita e
enfrentamento ao feminicídio.
O objetivo da Pauta da Classe Trabalhadora é, ao
estabelecer prioridades para 2026,ser referencial do
movimento sindical para orientar mobilizações,
negociações, ações e atuações institucionais em
níveis nacional, regional e setorial.
Em 2022, a Pauta da Classe Trabalhadora aprovada na
CONCLAT apontou 63 diretrizes relativas ao mundo
trabalho, das quais muitas foram encaminhadas pelo
governo federal, como a política de valorização do
salário mínimo; política de igualdade salarial entre
mulheres e homens; retomada e ampliação do Bolsa
Família; recuperação da participação sindical nos
espaços institucionais; política de combate à fome e
à pobreza; correção da tabela do Imposto de Renda;
reforma tributária (isenção de IR para quem ganha
até R$ 5 mil); medidas para reduzir o endividamento
das famílias e o custo do crédito por meio do
consignado; política de desenvolvimento produtivo e
industrial; crédito às pequenas empresas;
proposta de regulação da proteção dos trabalhadores e
trabalhadoras mediados por aplicativos, entre
outras.
A avaliação do movimento sindical é de que cerca de
70% dessa Pauta foram implementadas pelo governo,
desde 2022, ou foram encaminhadas e estão em
tramitação/deliberação no Congresso Nacional.
Destaques: reivindicações atendidas
- Retomada da política de valorização do salário
mínimo.
- Reforma tributária: isenção de Imposto de Renda
para quem ganha até R$ 5 mil reais
- Aprovação da política de igualdade salarial entre
mulheres e homens.
- Manutenção e ampliação do Programa Bolsa Família e
as regras de acesso e de inclusão produtiva para os
beneficiários.
- Reativação da participação sindical e social nos
espaços institucionais como conselhos, conferências
e grupos de trabalho.
- Política de combate à fome e à pobreza.
- Correção da tabela do Imposto de Renda.
- Reforma tributária aprovada no Congresso em 2024.
- Medidas para reduzir o endividamento das famílias
e o custo do crédito por meio do consignado.
- Política de desenvolvimento produtivo e industrial
materializada na Nova Industria Brasil e nos seus
instrumentos de coordenação e fomento.
- Retomada do papel estratégico do BNDES no
financiamento do desenvolvimento produtivo, da
inovação e das frentes de expansão da infraestrutura
econômica e social.
- Ampliação do crédito às micro e pequenas empresas
e à agricultura familiar.
- Retomada do Programa Minha Casa Minha Vida.
Agendas do Legislativo e do Judiciário
Além da atualização da Pauta da Classe Trabalhadora,
as centrais sindicais também atualizaram a agenda
sindical unitária no Congresso Nacional e no
Judiciário. Os dois documentos trazem os projetos
prioritários e de interesse dos trabalhadores em
2026, que tramitam na Câmara dos Deputados e no
Senado, e os processos relevantes à classe
trabalhadora no STF e TSE. As agendas serão
entregues aos presidentes da Câmara, do Senado, do
STF e do TSE, em data ser definida e informada.
Ficha do evento
Plenária CONCLAT e Marcha da Classe Trabalhadora
Estacionamento do Teatro Nacional
15 abril, quarta-feira
8h -início da concentração 9h – Plenária - CONCLAT 11h
– Saída da Marcha
À tarde – Reunião com presidente Lula
Fonte: NCST

13/04/2026 -
Dino acompanha Gilmar e vota por derrubar lei que
veta cotas em SC
Ministro critica tramitação acelerada na Alesc e
ausência de avaliação dos efeitos da política de
cotas raciais.
O ministro Flávio Dino, do STF, acompanhou
integralmente o voto do relator, Gilmar Mendes, e se
manifestou pela inconstitucionalidade da lei de
Santa Catarina que proibiu cotas e ações afirmativas
com base em critérios étnico-raciais no ensino
superior público e em instituições que recebem
recursos públicos.
Para Dino, a norma estadual se apoia em premissa já
rejeitada pela jurisprudência do Supremo e
interrompe, sem avaliação prévia, uma política
pública central para a igualdade material.
No voto, o ministro destaca que a lei catarinense
extinguiu a política "sem audiências públicas, sem
oitiva das universidades afetadas e sem qualquer
análise concreta dos resultados da política pública
que se pretendia extinguir". Segundo ele, houve um
"déficit absoluto" de fatos e prognoses legislativas
durante a tramitação da norma.
Dino também relembra precedente recente do próprio
STF sobre a Lei de Cotas Raciais em concursos
públicos federais, no qual o plenário fixou que
ações afirmativas não podem ser interrompidas sem
avaliação dos efeitos, das consequências de sua
descontinuidade e dos resultados alcançados.
A matéria é analisada em três ações em julgamento no
Plenário Virtual. Os demais ministros têm até o dia
17 para apresentar seus votos.
Processo legislativo "a toque de caixa"
Ao aderir ao voto de Gilmar, o ministro enfatiza que a
Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o
texto em menos de dois meses, sem aprofundamento
técnico e sem ouvir as universidades diretamente
afetadas, como a Udesc.
"O que se pode verificar do exame da tramitação
legislativa é que o projeto foi aprovado a toque de
caixa pela Alesc sem que o órgão legislativo tenha
procedido à devida análise da eficácia da política
pública vedada."
Para Dino, esse cenário agrava a
inconstitucionalidade, pois a norma se baseou na
tese de que cotas raciais violariam a isonomia,
entendimento que, segundo ele, "contraria
frontalmente" a jurisprudência consolidada do
Supremo.
Igualdade material
O ministro também citou compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil, como a Convenção
Interamericana contra o Racismo, que impõe ao Estado
a adoção de políticas de promoção da igualdade de
oportunidades para grupos sujeitos à discriminação
racial. Na avaliação dele, a interrupção abrupta da
política catarinense configura afronta à vedação do
retrocesso social e à própria construção da
igualdade material prevista na Constituição.
Controvérsia
Aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina
em dezembro de 2025 e sancionada pelo governador
Jorginho Mello (PL), a Lei 19.722/2026 proibiu a
adoção de cotas e ações afirmativas com recorte
étnico-racial no ensino superior público e em
instituições que recebem recursos estaduais. O texto
ainda fixou multa de R$ 100 mil por edital publicado
em desacordo com a regra e, em caso de reincidência,
autorizou o bloqueio de repasses públicos às
instituições.
A medida afeta diretamente estudantes da
Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc),
além de alunos de entidades ligadas ao sistema
Associação Catarinense das Fundações Educacionais e
de faculdades privadas atendidas por programas como
Universidade Gratuita e Fumdesc.
A norma, no entanto, manteve exceções para reserva
de vagas destinadas a pessoas com deficiência,
estudantes oriundos da rede pública estadual e
candidatos enquadrados em critérios exclusivamente
de renda.
No Supremo, a lei passou a ser contestada em
diferentes ações apresentadas pela executiva
nacional do Partido Socialismo e Liberdade, pelo
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e
pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Indústria.
Processos: ADI 7927-DF, ADI 7925-DF e ADI 7926-DF
Fonte: Congresso em Foco

13/04/2026 -
Governo vai liberar R$ 7 bilhões do FGTS para
reduzir dívidas das famílias, diz ministro do
Trabalho
Medida integra pacote econômico mais amplo para
aliviar endividamento da população
O governo do presidente Lula prepara a liberação de
cerca de R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) como parte de um conjunto de
medidas voltadas à redução do endividamento das
famílias brasileiras. A iniciativa busca ampliar as
condições de renegociação de dívidas e reorganização
financeira, especialmente entre trabalhadores de
menor renda, destaca reportagem do jornal Valor
Econômico.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho,
afirmou que o montante corresponde a valores
residuais de liberações anteriores do FGTS que não
foram integralmente pagos aos trabalhadores. Segundo
ele, a medida integra um pacote mais amplo
coordenado pelo governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio
Nacional, Marinho explicou que o objetivo central
das ações é criar condições mais favoráveis para a
redução do endividamento das famílias. “Nós estamos
trabalhando essa lógica de buscar criar condições de
redução desse endividamento”, afirmou.
Matéria completa:
https://www.brasil247.com/economia/governo-vai-liberar-r-7-bilhoes-do-fgts-para-reduzir-dividas-das-familias-diz-ministro-do-trabalho
Fonte: Brasil247

13/04/2026 -
Comissão discute criação do Sistema Nacional de
Saúde do Trabalhador; participe
A audiência será interativa; mande suas perguntas
A Comissão de Administração e Serviço Público da
Câmara dos Deputados realiza na terça-feira (14)
audiência pública para discutir a proposta de
criação do Sistema Nacional de Saúde do Trabalhador
e da Trabalhadora.
A reunião ocorrerá no plenário 8, às 16 horas.
Veja quem foi convidado e envie suas perguntas
O debate atende a pedido da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP).
Ela é a favor da elaboração de um sistema
intersetorial que melhore as condições de trabalho,
amplie a formalização e fortaleça a proteção à saúde
dos trabalhadores.
A criação do sistema nacional é uma sugestão do
grupo de trabalho Saúde do Trabalhador do Instituto
Walter Leser, da Fundação Escola de Sociologia e
Política de São Paulo.
Subnotificações
Sâmia Bomfim afirma que há subnotificação de mortes e
doenças relacionadas ao trabalho no Brasil, além da
ausência de dados sobre trabalhadores informais, o
que dificulta o diagnóstico da realidade e amplia os
custos sociais e econômicos para o sistema público.
Ela acrescenta que mudanças recentes na legislação
trabalhista e previdenciária, somadas ao
enfraquecimento da fiscalização, contribuíram para a
precarização das condições de trabalho.
“Uma solução digna e humana para esses problemas
seria a implementação urgente do Sistema Nacional de
Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no Brasil”,
defende.
Fonte: Agência Câmara

13/04/2026 -
Respiro sindical - João Guilherme Vargas Netto
Entenda o conceito de respiro sindical e a
contradição entre a realidade econômica e a
percepção dos trabalhadores
Há uma contradição evidente e visível entre a
conjuntura econômica, que é positiva e a percepção
das pessoas, retratada pelas pesquisas, sobre esta
conjuntura. Fenômeno semelhante (a ser compreendido,
explicado e alterado) acontece entre os
trabalhadores e as trabalhadoras com relação ao
papel do sindicato, que os representa, de seus
dirigentes e dos resultados positivos conquistados
pela luta sindical.
No caso mais geral o descompasso entre conjuntura
positiva e a percepção da sociedade decorre,
fundamentalmente, da mala vita (dificuldades
permanentes e inquietações diárias) e de uma
oposição vociferante, radical e permanente.
Este segundo fator é inexistente no âmbito da vida
sindical (mesmo quando, impulsionadas pelos patrões
e RHs, proliferam as cartas de oposição ao
sindicato), sendo trocado pela alienação a respeito
dos resultados dos esforços coletivos.
Que são reais: durante o ano de 2025 quase 80% dos
acordos e convenções negociados superaram a
inflação, com ganhos reais e a proporção se mantém
nos três primeiros meses de 2026.
A taxa de sindicalização que vinha caindo
sistematicamente apresentou um aumento em 2024 que,
tudo indica, será confirmado também em 2025.
Este respiro do sindicalismo demonstra que o papel
dos dirigentes e sua atitude de bem representar os
trabalhadores e as trabalhadoras passa a ser
valorizado para enfrentar a alienação
individualista.
João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical
Fonte: Rádio Peão Brasil

10/04/2026 -
O balanço que o governo apresentou e os temas que
ainda precisa enfrentar
Antônio Augusto de Queiroz (*)
No último dia 31 de março, o governo federal reuniu
sua equipe ministerial para apresentar um balanço da
gestão. Os números são expressivos: 26,5 milhões de
pessoas retiradas da fome entre 2023 e 2024, recorde
de investimentos no Minha Casa, Minha Vida com 2,1
milhões de unidades contratadas e a meta batida um
ano antes do prazo, queda histórica do desmatamento
na Amazônia em 50% e redução do coeficiente de Gini
para 50,4, o menor patamar já registrado. Do ponto
de vista técnico, o governo tem muito a mostrar. Do
ponto de vista político, porém, a entrega dessas
realizações esbarra em um ambiente comunicacional
profundamente adverso.
Segundo Alek Maracajá, da ativaweb, vivemos um
momento em que o algoritmo não julga — ele distribui
— e o que ele distribui com mais velocidade não é
necessariamente o que é verdadeiro, mas o que é
emocional, polêmico e fácil de consumir. Estudos
mostram que conteúdos emocionais e polêmicos têm até
três vezes mais alcance do que informações neutras,
enquanto narrativas simples se espalham seis vezes
mais rápido que verdades complexas. A inteligência
artificial acelerou a produção de conteúdo, os
algoritmos escalam a distribuição, mas o
comportamento humano continua o mesmo: reagir
primeiro, verificar depois. A mentira virou quase um
retrato permanente da internet, porque ela, hoje,
não precisa ser convincente — ela só precisa ser
compartilhável, precisa agradar a bolha. A narrativa
distorcida não precisa ser verdade, só precisa fazer
sentido para quem quer acreditar.
Nesse cenário, o governo enfrenta um duplo desafio:
continuar entregando resultados concretos e, ao
mesmo tempo, aprender a disputar narrativa no
ambiente digital com a mesma intensidade com que
executa políticas públicas. O balanço ministerial
mostrou números que, em qualquer outra época, seriam
manchete por semanas, mas que agora precisam
disputar espaço com desinformação de alta
capilaridade. Foram apresentadas políticas públicas
que tocam a vida das pessoas: a isenção do Imposto
de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, beneficiando
16 milhões de trabalhadores; a Farmácia Popular 100%
gratuita a partir de 2025 e o recorde de cirurgias
eletivas; a redução de 87% no déficit de vagas na
educação infantil; as 16 milhões de famílias com
energia elétrica gratuita; os R$ 27 bilhões
aprovados no Fundo Clima, recorde histórico; os 22
leilões de concessões realizados desde 2023 e os 99%
dos municípios brasileiros contemplados com obras do
Novo PAC. São entregas robustas, mas que, para se
transformarem em reconhecimento eleitoral, exigem
mais do que fazer — exigem comunicar com
capilaridade, linguagem simples e constância,
disputando narrativa nos mesmos territórios onde a
desinformação avança.
Apesar do balanço positivo, o governo ainda tem
diante de si dois temas sensíveis que, se não
tratados com agilidade, podem desgastar a percepção
pública justamente no momento em que mais precisa
consolidar seus avanços. O primeiro é a necessidade
de reverter a decisão que onerou as compras
internacionais de pequeno valor. A chamada “taxação
das blusinhas” tornou-se um símbolo de aumento de
custo para a classe média e os jovens, alimentando
uma narrativa de que o governo está do lado
contrário do consumidor. Mais do que o impacto
econômico real, pesa aqui o simbolismo, e retirar
essa taxação é desarmar uma das principais armas
narrativas da oposição. O segundo tema é a
necessidade de avançar na regulamentação do
parcelamento do Pix, garantindo que essa ferramenta
amplamente popular não seja desvirtuada por práticas
abusivas, além de exigir do Banco Central mais
celeridade na redução da taxa de juros. O
endividamento das famílias continua sendo um dos
principais gargalos para a recuperação da qualidade
de vida da população, e juro alto é imposto sobre a
pobreza — o governo precisa demonstrar que está
atuando para aliviá-lo.
O governo fez um balanço robusto, mas, no ambiente
polarizado, balanços técnicos não bastam. É preciso
traduzir os números em narrativas que conversem com
o cotidiano das pessoas. A retirada da fome, a queda
da desigualdade, o acesso à moradia e à saúde
gratuita são conquistas que dialogam com o
eleitorado mais vulnerável — base histórica do
lulismo. Já a isenção do IR até R$ 5 mil, o crédito
acessível e as obras de infraestrutura falam com a
classe média e o setor produtivo. O desafio agora é
fazer com que essas entregas não fiquem restritas
aos gráficos das apresentações ministeriais. Elas
precisam virar conversa de roda de bar, de grupo de
família no WhatsApp, de vídeo de 30 segundos que
viraliza. Os algoritmos nos ensinaram que, na
disputa por atenção, a emoção vence a razão. A
mentira não precisa ser verdadeira — só precisa
fazer sentido para quem quer acreditar. E o campo
conservador aprendeu a jogar esse jogo com
eficiência brutal, enquanto o governo ainda opera
muitas vezes como se a verdade falasse por si só.
Mas a verdade complexa, com dados e nuances, não se
impõe automaticamente no ambiente digital — é
preciso embalá-la, repeti-la, simplificá-la sem
perder a essência.
Além de consolidar o que já foi entregue, é preciso
transmitir esperança e confiança, propondo mudanças
com impacto positivo na vida das pessoas — como o
transporte urbano gratuito e a redução da jornada
sem redução de salário, entre outras medidas
civilizatórias. Esperança de que o status quo mudará
para melhor e confiança de que o governo e sua
equipe são capazes de transformar promessas em
realidade, como já fizeram com as entregas dos
últimos anos.
O governo Lula tem um dos melhores balanços de
entregas dos últimos anos. Mas, para que isso se
traduza em força eleitoral em 2026, será necessário
resolver os temas pendentes — a taxação das
blusinhas, o parcelamento do Pix e a queda dos juros
— que hoje alimentam desgastes evitáveis; comunicar
com a linguagem das plataformas, com simplicidade,
repetição e apelo emocional positivo; e disputar
narrativa com a mesma intensidade com que executa
políticas públicas. Porque, no ambiente polarizado,
não basta fazer — é preciso que saibam que foi
feito. A verdade não vence sozinha. Ela precisa de
vozes, de repetição, de alcance. E, sobretudo,
precisa fazer sentido para quem mais precisa dela.
(*) Jornalista, consultor, analista político e
mestre em políticas públicas e governo pela FGV. Foi
direto de documentação do Diap (Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar). É membro
do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social
Sustentável da Presidência da República – Conselhão.
Especialista em instituições políticas e processo
legislativo, é autor de diversos artigos e livros
sobre a dinâmica do poder no Brasil.
Fonte: Diap

10/04/2026 -
Capital pressiona pra manter jornada
A Confederação Nacional da Indústria divulgou dia 7
estudo que projeta queda de 0,7% no PIB, equivalente
a R$ 76,9 bilhões, caso a escala 6×1 seja abolida. O
estudo da CNI é alarmista, visando barrar a medida
no Congresso.
Jornada – A questão da jornada ou escala de
trabalho movimenta órgãos de classe e entidades de
pesquisa. Em fevereiro, o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) publicou análise com
indicadores alusivos à alteração na jornada dos
brasileiros.
Para o Ipea, o impacto direto da redução pra 40
horas é inferior a 1% do custo operacional da
indústria e comércio. Tais setores empregam mais de
13 milhões de pessoas. A diferença entre a queda de
1,2% no PIB industrial projetada pela CNI e o
impacto menor que 1% nos custos, segundo o Ipea,
explicita as divergências entre capital e trabalho.
Método – A CNI utiliza o modelo de Equilíbrio
Geral Computável, assumindo repasse integral de
custos e ausência de ganhos de eficiência,
projetando resultados negativos. O Ipea reconhece
maior custo da hora trabalhada, mas considera que a
empresa pode alcançar mais produtividade, com
métodos modernos de gestão.
Unicamp – Pesquisa integrante do Dossiê 6×1
indica que reduzir a jornada pra 36 horas pode gerar
4,5 milhões de vagas e também aumentar a
produtividade em 4%. Em contraposição à CNI, a
Unicamp conclui que a mudança não reduz o PIB, e sim
potencializa o crescimento nacional.
Brasil – Presidente da CNI, Ricardo Alban
defende que não é momento de alterar a jornada,
alegando baixa produtividade atual. Tal argumento
ignora que a transição de 48 pra 44 horas semanais,
em 1988, não provocou danos ao mercado. Pelo
contrário, dados mostram que a economia absorveu a
mudança sem explosão inflacionária ou desemprego. A
resistência patronal atual reproduz aquele padrão,
ou seja, foco no custo imediato e descaso com o
avanço nas relações de trabalho.
Preços – Para a CNI, a mudança na jornada
elevaria em 6,2% os preços ao consumidor –
supermercados 5,7%; vestuário e calçados, 6,6%. Tais
índices enchem de argumentos a grande mídia,
ignorando dados do Ministério do Trabalho, para quem
o impacto direto sobre a folha de pagamento será de
4,7%. Mais: hoje, grande parte das empresas já opera
com jornadas inferiores a 44 horas. Dados do governo
indicam que cerca de 2/3 dos trabalhadores formais –
29,7 milhões – cumprem jornadas inferiores a 44
horas.
Pressão – Alban sustenta a separação entre o
debate técnico e o calendário eleitoral. Argumenta
que as matérias não devem ser aprovadas sob pressão.
Porém, 73% dos brasileiros aprovam o fim da jornada
6×1, mostra pesquisa da Nexus.
Conclat – Redução de jornada e fim da escala
6×1 serão as grandes bandeiras da Marcha em
Brasília, dia 15.
Mais – Sites do Dieese, CNI e das Centrais.
Fonte: Agência Sindical

10/04/2026 -
MTE atualiza “Lista Suja” do trabalho análogo à
escravidão com 169 novos empregadores
Cadastro passa a reunir 613 nomes e registra
resgate de 2,2 mil trabalhadores em situações
análogas à escravidão
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou,
no dia 6 de abril, a atualização do Cadastro de
Empregadores que tenham submetido trabalhadores a
condições análogas à escravidão, conhecido como
“Lista Suja”.
A nova versão inclui 169 empregadores, sendo 102
pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas, um aumento
de 6,28% em relação à atualização anterior. Com essa
atualização, a lista passa a conter um total de 613
empregadores. Ressalta-se ainda que, após a inserção
no Cadastro, o nome de cada empregador permanece
publicado pelo período de dois anos, razão pela
qual, nesta atualização, foram excluídos 225 nomes
que completaram esse tempo de publicação.
As atividades com maior número de inclusões nesta
edição foram: serviços domésticos (23); criação de
bovinos para corte (18); cultivo de café (12);
construção de edifícios (10); e serviço de
preparação de terreno, cultivo e colheita (6).
No total, os novos casos incluídos no cadastro
resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em
situações de exploração e de trabalho análogo à
escravidão.
Os casos incluídos nesta atualização ocorreram entre
2020 e 2025, em 21 unidades da Federação: Minas
Gerais (35); São Paulo (20); Bahia (17); Paraíba
(17); Pernambuco (13); Goiás (10); Mato Grosso do
Sul (10); Rio Grande do Sul (9); Mato Grosso (7);
Paraná (6); Pará (5); Santa Catarina (4); Maranhão
(4); Acre (2); Distrito Federal (2); Espírito Santo
(2); Rio de Janeiro (2); Amazonas (1); Ceará (1);
Rondônia (1); Sergipe (1).
Matéria completa:
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/abril/
mte-atualiza-201clista-suja201d-do-trabalho-analogo-a-escravidao-com-169-novos-empregadores
Fonte: MTE

10/04/2026 -
Cesta básica fica mais cara em todas as capitais
brasileiras em março
Manaus foi a capital que registrou maior índice,
com 7,42%
No mês de março, a cesta básica ficou mais cara em
todas as capitais brasileiras e também no Distrito
Federal.
Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de
Alimentos, levantamento que é divulgado mensalmente
pelo Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto com a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a
principal elevação ocorreu em Manaus, onde o custo
médio variou 7,42%, seguida por Salvador (7,15%),
Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte
(6,44%) e Aracaju (6,32%).
No acumulado de 2026, todas as capitais registraram
alta nos preços da cesta básica, com taxas que
oscilaram entre 0,77%, em São Luís, e 10,93%, em
Aracaju.
Um dos principais responsáveis pelo aumento no custo
da cesta no mês passado foi o feijão, que subiu em
todas as cidades analisadas. O grão preto, por
exemplo, subiu nas capitais do sul do país, além do
Rio de Janeiro e Vitória, com percentuais que
variaram entre 1,68% (Curitiba) e 7,17%
(Florianópolis). Já o grão carioca, coletado nas
demais capitais, variou entre 1,86% (Macapá) e
21,48% (Belém). Segundo a pesquisa, essa alta no
feijão ocorreu por causa da restrição da oferta, já
que houve dificuldades na colheita.
Também houve aumentos nos preços do tomate, da carne
bovina de primeira e do leite integral.
Matéria completa:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/cesta-basica-fica-mais-cara-em-todas-capitais-brasileiras-em-marco
Fonte: Agência Brasil

09/04/2026 -
Sindicato repudia decisão da Aneel sobre a
Caducidade
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo
manifesta seu mais contundente repúdio à decisão da
ANEEL de instaurar o processo de caducidade da
concessão da Enel São Paulo.
A medida evidencia uma postura de intransigência e
uma mudança de posição injustificável por parte da
agência reguladora, que desconsidera os impactos
profundos e imediatos sobre milhares de
trabalhadores, trabalhadoras, aposentados e suas
famílias. Trata-se de uma decisão grave, conduzida
sem a devida segurança jurídica e sem garantias
concretas quanto à preservação dos direitos da
categoria.
O Sindicato denuncia que a forma como o processo vem
sendo encaminhado coloca em risco empregos, direitos
históricos e a própria estabilidade do setor
elétrico. A ausência de clareza sobre os
desdobramentos da caducidade expõe toda a categoria
a um cenário de incerteza e insegurança, o que é
inaceitável.
O presidente do Sindicato, Eduardo Annunciato, já
havia alertado previamente para os riscos desse
cenário, inclusive no que diz respeito à
continuidade e qualidade do serviço prestado à
população: “A caducidade, se aplicada sem garantias
e sem planejamento, pode piorar ainda mais o serviço
e levar à perda de milhares de empregos.”
Chicão também destaca o impacto social direto da
medida: “São milhares de trabalhadores,
terceirizados e aposentados que podem levar um
grande calote. Não estamos defendendo a empresa, mas
alertando para as consequências dessa decisão.”
Além disso, o presidente critica duramente a
condução do processo pela agência reguladora:
“A votação da Aneel chega a beirar a
irresponsabilidade. Os trabalhadores estão
analisando questionar essa decisão no STF e não
descartamos uma paralisação das atividades.”
Diante desse cenário, o Sindicato convocará toda a
categoria à mobilização e ao enfrentamento,
promovendo um amplo debate sobre os riscos reais da
caducidade, seus impactos negativos e a insegurança
jurídica instalada. É hora de organização e unidade
para defender os direitos da categoria.
A entidade já avalia, com responsabilidade e
firmeza, a possibilidade de paralisação como
instrumento legítimo de luta, caso os direitos dos
trabalhadores continuem sendo colocados em risco.
Nenhuma medida está descartada.
O Sindicato informa ainda que está articulando,
junto à CNTI (Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria), medidas jurídicas
cabíveis, incluindo a construção de uma Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), com o
objetivo de enfrentar, no campo legal, os efeitos e
fundamentos desse processo de caducidade.
Reafirmamos que os trabalhadores eletricitários não
podem ser penalizados por decisões que ignoram suas
consequências sociais e jurídicas. A defesa do
emprego, dos direitos e da dignidade da categoria
seguirá sendo prioridade absoluta.
Seguiremos firmes, mobilizados e prontos para a
luta.
Sindicato dos Eletricitários de São Paulo
Nenhum direito a menos
Categoria unida é categoria forte!
Fonte: Eletricitários

09/04/2026 -
Entidades patronais são criticadas por resistirem ao
fim da escala 6×1
Deputados na CCJ da Câmara criticaram os
representantes patronais por repetirem o mesmo
discurso caso a PEC seja aprovada: impacto negativo
com desemprego e risco à economia
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara
dos Deputados ouviu nesta terça-feira (7) entidades
empresariais de alguns setores da economia sobre a
proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba
com a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho
com apenas um de descanso).
Deputados na CCJ da Câmara criticaram os
representantes patronais por repetirem o mesmo
discurso caso a PEC seja aprovada: impacto negativo
com desemprego e risco à economia.
“A proposta da redução de jornada por imposição
legal sem redução salarial pode parecer uma solução
simples, mas os dados indicam que ela envolve riscos
concretos e relevantes para a economia e para a
sociedade”, disse a superintendente de Relações do
Trabalho da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Sylvia Lorena Teixeira de Sousa.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) lembra que os
argumentos são os mesmo usados durante a
Constituinte de 1988 quando a jornada foi reduzida
para 44 horas semanais.
“Primeiramente, havia o risco de quebra das
empresas. A redução do trabalho vai aumentar os
custos de produção, tornando as empresas inviáveis
(…) E nada disso se viu, porque são os mesmos
argumentos. Os mesmos argumentos durante a
escravização ou a libertação formal dos escravizados
no país, porque era preciso ter indenizações”,
critica.
A deputada disse que havia também a argumentação da
queda na produtividade. “O trabalhador brasileiro,
se dizia à época, não tinha produtividade alta o
suficiente para sustentar uma jornada menor;
portanto, haveria uma quebra ou um prejuízo na
economia nacional”, recorda.
O gerente-executivo de Relações Trabalhistas e
Sindicais da Confederação Nacional do Transporte
(CNT), Frederico Toledo Melo, defende o caminho da
negociação coletiva sem a regulamentação. “Muito
mais do que discutir a jornada, estamos tratando
aqui de impactos econômicos e de produtividade que
podem fazer com que o país tenha perda
internacional”, disse.
Fragilidade
“Outro aspecto colocado aqui foi o da negociação
coletiva, que está hoje muito esmorecida. Há uma
fragilização dos movimentos sindicais. As reformas
feitas no governo Temer foram um retrocesso
lamentável. Há uma fragilização, não podemos falar
no Brasil hoje de negociação coletiva porque o
movimento sindical está fragilizado, e a classe
trabalhadora fragilizada até pela questão da
terceirização”, rebate o deputado Patrus Ananias
(PT-MG), que foi advogado sindical e professor de
Direito do Trabalho.
Patrus afirma que é preciso pensar numa classe
trabalhadora no Brasil que possa exercer plenamente
a sua dignidade humana, os seus direitos e deveres
da nacionalidade, da cidadania e de exercer os
direitos democráticos.
“Trabalhar seis dias por semana com um único dia
para a vida pessoal, familiar, comunitária,
espiritual, para atividades também, para cuidar da
saúde psíquica, emocional e espiritual, é
inaceitável”, observa.
Fonte: Portal Vermelho

09/04/2026 -
MTE lança Canpat 2026 com foco na prevenção de
riscos psicossociais no trabalho
Campanha é lançada juntamente com novo manual
sobre o GRO da NR-1 e curso EAD sobre riscos
psicossociais voltado ao público em geral
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou,
nesta terça-feira (7), a cerimônia de lançamento da
Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do
Trabalho (Canpat) 2026. Com o tema “Pela Prevenção
dos Riscos Psicossociais no Trabalho”, a iniciativa
reforça a importância da promoção de ambientes
laborais mais seguros e saudáveis, com atenção
especial à saúde mental dos trabalhadores.
Durante o evento, foi oficialmente lançado o Manual
de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1
— Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO),
elaborado pelo MTE, que orienta empregadores e
profissionais sobre a implementação das diretrizes
relacionadas à gestão de riscos, incluindo os
fatores psicossociais no ambiente de trabalho.
Também foi divulgada a oferta do Curso sobre Riscos
Psicossociais no Meio Ambiente do Trabalho, voltado
ao público geral. A capacitação será realizada na
plataforma da Escola Nacional da Inspeção do
Trabalho (ENIT), em formato EAD e assíncrono, com
emissão de certificado, ampliando o acesso à
informação e à qualificação sobre o tema.
Matéria completa:
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/abril/mte-lanca-canpat-
2026-com-foco-na-prevencao-de-riscos-psicossociais-no-trabalho-1
Fonte: MTE

09/04/2026 -
Governo estuda liberar FGTS para pagamento de
dívidas de famílias endividadas
Dario Durigan disse que uso do fundo está em
análise em pacote de crédito, enquanto Planalto
discute limite ao endividamento e medidas para
conter gastos com apostas esportivas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que o
governo estuda permitir que os brasileiros saquem
parte do FGTS para quitar dívidas. A possibilidade
está sendo avaliada no âmbito do pacote de crédito,
articulado como parte do plano para reduzir o
endividamento das famílias e incentivar a
renegociação de débitos.
A declaração ocorreu após o ministro participar de
um almoço com a bancada do Partido dos Trabalhadores
na Câmara. “Estamos avaliando isso com o Ministério
do Trabalho, que tem uma preocupação com a higidez
do Fundo de Garantia. Se a gente achar que for
razoável uma utilização para o refinanciamento de
algumas dívidas, isso vai ser admitido”, afirmou.
Durigan evitou antecipar em detalhes as medidas que
foram discutidas com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), mas informou que o governo também
estuda formas de limitar o endividamento futuro,
inclusive com ações para conter o gasto com apostas
em bets.
Em 26 de março, Lula afirmou que o avanço do
endividamento familiar é “um problema” que acaba
ofuscando o crescimento da economia do País e, por
isso, teria pedido a Durigan uma solução. O
presidente também solicitou estudos ao Banco Central
e ao Ministério da Fazenda para reduzir os juros do
cartão de crédito.
Uma das propostas avaliadas pelo governo é reunir
todas as dívidas em uma só, que seria “substituída”
por uma nova, com juros mais baixos e descontos.
Caso saia do papel, a ideia prevê que todo o
processo de renegociação seja feito diretamente com
os bancos, que teriam como garantia o Fundo de
Garantia de Operações.
O endividamento familiar tem crescido no último ano
e gerado críticas à condução do governo federal.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de
famílias com dívidas subiu de 80,2% em fevereiro
para um recorde de 80,4% em março.
Fonte: InfoMoney

09/04/2026 -
CDH: gestante com trabalho temporário deverá ter
estabilidade provisória
Gestante empregada em regime de trabalho
intermitente, temporário ou por prazo determinado
terá direito a estabilidade provisória, aprovou
nesta quarta-feira (8) a Comissão de Direitos
Humanos (CDH). Do senador Confúcio Moura (MDB-RO), o
PL 3.522/2025 teve voto favorável da relatora,
senadora Jussara Lima (PSD-PI), e segue para a
Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O texto foi lido
na comissão pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT
– Decreto-Lei 5.452, de 1943) assegura estabilidade
provisória às mulheres cuja gravidez seja confirmada
durante a vigência do contrato de trabalho, ainda
que essa confirmação ocorra no período do aviso
prévio, seja ele trabalhado ou indenizado. Isso
significa que a empregada gestante não pode ser
dispensada arbitrariamente ou sem justa causa, desde
a confirmação da gravidez até cinco meses após o
parto.
Com o projeto, a medida passa a valer também para
as trabalhadoras intermitentes,
temporárias ou contratadas por prazo
determinado. O texto também inclui na CLT uma nova
regra para o pagamento de gestantes em
trabalho intermitente. Durante o período de
prestação de serviços, elas deverão receber a média
aritmética das remunerações dos três meses
anteriores à gravidez, sendo que o valor não poderá
ser inferior à metade do salário-mínimo ou do piso
salarial da categoria.
Fonte: Agência Senado

08/04/2026 -
Sindicato não deve ser balcão: é trincheira
Sindicato não deve ser balcão: é trincheira e
escola política dos trabalhadores
Reduzido à negociação salarial, o sindicalismo perde
sua força transformadora. Quando assume seu papel
formador, torna-se peça central na disputa por poder
e consciência no Brasil.
Marcos Verlaine*
A luta sindical deve ir muito além do contracheque,
da disputa econômica. Reduzir o sindicato à mera
negociação de salários é esvaziar sua essência
histórica. O sindicalismo nunca foi apenas
ferramenta para luta salarial.
Sempre foi, sobretudo, espaço de formação política,
organização coletiva e construção de consciência de
classe, independentemente de todo avanço
tecnológico. Porque é mito que as máquinas
substituirão as pessoas, pelo menos integralmente.
Quando limitado ao reajuste anual, o sindicato se
torna mero prestador de serviços. Quando cumpre sua
função plena, transforma trabalhadores em sujeitos
políticos.
ESCOLA DE CONSCIÊNCIA DE CLASSE
O sindicato é, por natureza, uma escola. Não no
sentido formal, mas como espaço vivo de aprendizado
coletivo. É ali que os trabalhadores compreendem que
sua condição não é individual, mas estrutural,
coletiva.
A consciência de classe não nasce espontaneamente.
Essa é construída, mediado: no e pelo debate, na
mobilização, na troca de experiências.
Ao reconhecer interesses comuns, o trabalhador deixa
de se ver como indivíduo isolado e passa a se
enxergar como parte de uma força social.
Essa virada é decisiva: sem essa, há reivindicação;
com essa, há projeto.
FORMAÇÃO POLÍTICA COMO ESTRATÉGIA
Experiências acumuladas por entidades como o Diap
(Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar), Dieese (Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos) e Diesat
(Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas
de Saúde e dos Ambientes de Trabalho) mostram que a
formação sindical vai muito além da prática
imediata.
Cursos, seminários e debates sobre economia,
legislação trabalhista, história social e conjuntura
política qualificam dirigentes e bases. Não se trata
apenas de informar, mas de formar — de desenvolver
capacidade crítica — para interpretar o mundo e agir
sobre esse.
Sem essa dimensão, o sindicalismo se torna reativo.
Com consciência de classe, torna-se estratégico.
DEMOCRACIA QUE SE APRENDE NA PRÁTICA
As assembleias sindicais são, muitas vezes, o primeiro
espaço real de exercício democrático para milhões de
trabalhadores. Ali se debate, se diverge, se vota e
se decide coletivamente.
Esse processo educa para a cidadania ativa. Ensina
que democracia não é apenas votar a cada 4 anos, mas
participar, deliberar e assumir responsabilidades.
Num país de tradição autoritária, como é o caso do
Brasil, essa pedagogia prática tem valor
inestimável.
DISPUTA DE PODER E HEGEMONIA
O sindicalismo também atua na arena mais ampla da
sociedade. Não apenas reage às políticas públicas,
mas busca influenciá-las. Organiza mobilizações,
pressiona o Legislativo, dialoga com o Executivo e
participa de conselhos institucionais. Realiza
eventos para a categoria profissional e econômica.
Organiza o trabalhador para fazer luta coletiva.
Trata-se de disputar hegemonia: no sentido de
construir visão de mundo capaz de orientar políticas
e decisões. O sindicato, nesse contexto, deixa de
ser apenas defensivo e passa a ser propositivo e
organizativo.
É nesse ponto que a luta econômica se conecta à luta
política, que tem várias dimensões: eleitoral,
social, mudancista, emancipatória.
NOVAS AGENDAS, VELHOS DESAFIOS
O mundo do trabalho mudou. E o sindicalismo precisa
acompanhar essa transformação. A chamada “4ª
Revolução Industrial”, que trouxe consigo a
precarização, a plataformização e os novos formatos
de emprego e trabalho que exigem atualização
constante.
Ao mesmo tempo, pautas como igualdade de gênero,
combate ao racismo e sustentabilidade ampliam o
escopo da atuação sindical. Não se trata de
dispersão, mas de reconhecer que a exploração assume
múltiplas formas.
A luta continua sendo de classe. Mas suas expressões
são mais complexas.
ENTRE A BUROCRACIA E A TRANSFORMAÇÃO
O maior risco para o sindicalismo contemporâneo é a
burocratização. Quando se afasta da base e se limita
à rotina institucional, perde legitimidade e
capacidade de mobilização.
Por outro lado, quando investe em formação,
organização e consciência, sobretudo a de classe,
recupera sua potência histórica.
O sindicato pode ser cartório ou pode ser escola.
Pode administrar demandas ou pode formar sujeitos
políticos.
PAPEL QUE NÃO PODE SER ABANDONADO
Num país marcado por desigualdade estrutural —
desequilíbrios e injustiças sociais crescentes —, o
sindicalismo continua sendo uma das poucas
instituições capazes de articular interesses
coletivos a partir da base social.
Mas isso só será possível se assumir plenamente seu
papel formador. Se voltar a ensinar, organizar e
politizar. Se compreender que salário é apenas o
começo, nunca o fim.
Sem consciência, não há transformação. E sem
sindicato como escola de política, os trabalhadores,
como classe social, permanece fragmentada,
vulnerável e facilmente capturada.
O desafio está posto: ou o sindicalismo retoma sua
vocação histórica, ou será reduzido a mero
intermediário de perdas.
(*) Jornalista, analista político, assessor
parlamentar do Diap e redator do HP
Fonte: Diap

08/04/2026 -
Fim da escala 6×1 deve tramitar por PEC e sem
urgência na Câmara, diz Hugo Motta
Motta diz que governo recua de projeto em regime
acelerado e aposta em tramitação mais ampla;
proposta deve avançar por comissões antes de chegar
ao plenário
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), afirmou que o governo federal não
encaminhará projeto de lei com urgência
constitucional para o fim da escala 6×1. Segundo
ele, a proposta seguirá por meio de uma Proposta de
Emenda à Constituição (PEC), já em tramitação na
Casa.
De acordo com Motta, há um acordo com o Executivo
para que a admissibilidade da matéria seja analisada
já na próxima semana pela Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ). A expectativa, segundo o parlamentar,
é que o texto seja levado ao plenário até o fim de
maio.
A declaração foi feita após reunião de líderes
partidários que definiu a pauta de votações da
semana. A mudança de estratégia indica que o governo
optou por um caminho mais longo de tramitação, que
exige análise em comissões e votação em dois turnos
no plenário, com quórum qualificado.
As propostas em debate tratam da redução da jornada
semanal de trabalho e do fim da escala 6×1, com
modelos alternativos como a jornada 4×3. O tema tem
mobilizado centrais sindicais e setores do
Congresso, que defendem a redução da jornada sem
diminuição salarial.
Trabalho por aplicativos entra na pauta
Além da discussão sobre a jornada de trabalho, Motta
informou que o projeto que regulamenta os direitos
dos trabalhadores de aplicativos deve ser votado já
na próxima semana, tanto em comissão especial quanto
no plenário.
Segundo ele, a proposta representa um avanço para a
categoria, sem impacto nos custos para os
consumidores. O relator do texto, deputado Augusto
Coutinho (Republicanos-PE), deve apresentar uma nova
versão para análise dos parlamentares.
“A expectativa é que seja votado na próxima semana
na comissão especial e também no plenário esse
projeto que atende a mais de 2 milhões de
trabalhadores no país”, afirmou Motta.
Outras pautas no Congresso
O presidente da Câmara também comentou outros temas em
tramitação. Sobre a indicação para o Tribunal de
Contas da União (TCU), afirmou que seguirá o rito
regimental, com sabatina na Comissão de Finanças e
votação em plenário. Por acordo político, deve
apoiar o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga.
Já o projeto que trata da criminalização da
misoginia ainda não tem previsão para ser votado.
Em relação às medidas do governo para conter o preço
dos combustíveis, motivadas pelos efeitos do
conflito entre Estados Unidos e Irã, Motta avaliou
que as ações são positivas. O pacote inclui a
zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel e incentivos ao
setor, com objetivo de reduzir o impacto no custo de
vida, especialmente para a população de menor renda.
“São medidas importantes que vão ao encontro do que
a Câmara considera necessário para evitar que a alta
dos combustíveis e dos alimentos penalize ainda mais
a população”, afirmou.
Fonte: Rádio Peão Brasil

08/04/2026 -
Paim alerta para risco de retrocesso na valorização
do salário mínimo
O senador Paulo Paim (PT-RS), em pronunciamento no
Plenário nesta segunda-feira (6), defendeu a
valorização do salário mínimo como instrumento de
justiça social e destacou sua trajetória na luta por
reajustes com ganho real. O parlamentar relembrou
iniciativas no Congresso e no movimento sindical que
contribuíram para a construção de uma política
permanente de valorização, baseada na reposição da
inflação e no crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB).
— O salário mínimo não é apenas um indicador
econômico. Ele é o retrato da dignidade, ou não, de
uma nação. Essa luta não nasceu nos gabinetes nem
nos corredores do poder. Ela começou muito antes, lá
no chão das fábricas, no movimento sindical, nas
assembleias marcadas pela esperança e pela
indignação — afirmou.
O senador alertou para os riscos de retrocesso na
política de valorização do salário mínimo. Criticou
propostas que, segundo ele, buscam eliminar o
aumento real. Paim afirmou que o salário mínimo tem
impacto direto na vida de trabalhadores, aposentados
e pensionistas e destacou seu papel na redução das
desigualdades e no fortalecimento da economia.
— É um absurdo querer tirar inflação mais PIB do
salário mínimo. Mexer no salário mínimo é mexer
diretamente na vida de milhões de brasileiros, de
trabalhadores ativos, aposentados, pensionistas.
Quando vejo, na grande imprensa, alguns dizendo que
tem que retirar o aumento real do salário mínimo,
venho de imediato à tribuna e digo que não. Uma vez
cheguei a usar o termo "só por cima do meu cadáver"
— disse.
Fonte: Agência Senado

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