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19/02/2026 -
Debate sobre redução da jornada divide setor
empresarial e movimento sindical
Setor empresarial alega possíveis perdas com a
redução da jornada; movimento sindical e
trabalhadores mostram ganhos
Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo
nesta segunda-feira (16) indica que a proposta de
redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 36
horas semanais — tema que ganhou força com a
mobilização pelo fim da escala 6×1 — pode provocar
queda de até 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB),
considerando o trabalho como fator de produção. A
estimativa tem como base estudos do FGV-Ibre
(Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getulio Vargas) e do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), que analisaram possíveis
impactos da medida sobre produção, salários e custos
empresariais.
Segundo a reportagem, avaliações que apontam
possíveis perdas de produção e aumento de custos
operacionais têm sido defendidas principalmente por
representantes do setor empresarial e por
especialistas ligados ao mercado, que alertam para a
necessidade de reorganização das escalas de trabalho
e eventuais repasses de custos aos preços finais.
Entre as preocupações apresentadas por esses
segmentos estão o aumento do custo da hora
trabalhada — que poderia chegar a 22% para
trabalhadores que hoje cumprem 44 horas semanais — e
os desafios de adaptação em setores mais intensivos
em mão de obra, como transporte, comércio e
serviços.
40 horas, com escala 5×2
Embora a PEC trate da redução para 36 horas semanais,
especialistas ouvidos pela reportagem consideram
essa meta de difícil implementação imediata.
Para Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum das
Centrais Sindicais, “não há como puxar a carga de 44
para 36 horas”. Segundo ele, neste momento, “o ideal
seria ficar em 40 horas, o que permitiria uma escala
semanal de 5×2 [com oito horas diárias] em vez do
6×1”.
O dirigente ressalta ainda que as mudanças devem
levar em conta as especificidades dos setores e que
a legislação precisa reforçar o papel da negociação
coletiva na definição dos turnos de trabalho.
Aumento do consumo
Já Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos), avalia que os impactos estimados
pelos estudos consideram um cenário estático.
“A contratação de mais trabalhadores [para manter as
atividades] aumentará o consumo. A produtividade
também pode crescer com a reorganização das
empresas, com mais inovação e tecnologias. Hoje, há
um cenário de superexploração do trabalho no
Brasil”, afirma.
Justiça social
No movimento sindical — como você vem acompanhando nas
coberturas do Rádio Peão Brasil (RPB) sobre a luta
pelo fim da escala 6×1 e pela jornada de 40 horas
semanais — a avaliação predominante é de que
eventuais mudanças devem considerar as
especificidades de cada setor e ser implementadas
por meio de negociação coletiva.
Na avaliação do RPB, a redução da jornada de
trabalho deve ser compreendida como uma medida de
justiça social, capaz de ampliar as condições para a
formação e qualificação profissional dos
trabalhadores, aumentar a empregabilidade e
favorecer a mobilidade social. Ao permitir mais
tempo para estudo, capacitação e desenvolvimento
pessoal, a medida tende a contribuir para a
construção de uma força de trabalho mais preparada,
o que se traduz em ganhos de produtividade com maior
qualidade e competitividade para o país no médio e
longo prazo.
O debate avança no campo institucional. No último
dia 9, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta, encaminhou à Comissão de Constituição e
Justiça uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
sobre o tema.
Fonte: Rádio Peão Brasil

19/02/2026 -
Pesquisa diz que 73% dos brasileiros apoiam fim da
escala 6x1
Apoiadores ressaltam que a medida deve ser sem
redução de salário
Cerca de 84% dos brasileiros são favoráveis aos
trabalhadores terem, no mínimo, dois dias de
descanso por semana, segundo a pesquisa da Nexus -
Pesquisa e Inteligência de Dados, feita nas 27
unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e
5 deste mês. Ainda de acordo com a pesquisa 73% dos
entrevistados apoiam o fim da escala 6x1, desde que
não haja redução de salário. Foram ouvidos 2.021
cidadãos acima de 16 anos de idade.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esclareceu na
quinta-feira (12) à Agência Brasil que a ampla
maioria - 62% dos consultados - sabe que há em
debate, no âmbito do governo federal e do Congresso
Nacional, a proposta de acabar com a escala 6x1.
“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três
pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E
dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50%
conhecem mais ou menos”, disse Tokarski.
De maneira genérica, 63% dos consultados se
mostraram a favor do fim da escala 6x1. Ao serem
indagados se tiver redução de salário continuaria a
favor ou mudaria de opinião, 30% afirmaram ser
favoráveis, desde que não se mexa no bolso dos
trabalhadores.
A mesma pergunta foi feita para os 22% que afirmaram
ser contrários ao fim da jornada 6x1. Desses, 11%
disseram que iriam continuar sendo contra, mas 10%
responderam que “se não mexer no bolso, eu topo”.
Com a diminuição do salário, o total de pessoas
favoráveis ao fim da escala cai para 28%, ou seja, a
minoria. Outros 40% só são favoráveis à escala 6x1
se a medida for aprovada e não implicar em redução
salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim
da jornada, mas ainda não têm opinião formada sobre
a condicionante de manutenção ou redução dos
salários.
Marcelo Tokarski avalia que a grande discussão no
Congresso vai tratar da redução da jornada, com ou
sem diminuição da remuneração dos trabalhadores.
Para ele, o que a pesquisa mostra muito claramente é
que quase todo mundo é favorável que tem que ter uma
folga a mais. “Não dá para trabalhar seis dias e
folgar um só”, disse.
“Essa é a grande questão, porque as empresas
defendem que a jornada não seja reduzida mas, se
houver redução, é com diminuição do salário. E os
trabalhadores, de maneira geral, não topam uma
redução de jornada com redução de salário”, explica.
Matéria completa:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/pesquisa-diz-que-73-dos-brasileiros-apoiam-fim-da-escala-6x1
Fonte: Agência Brasil

19/02/2026 -
Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora
repudia avanço da pejotização
O Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora
(OTCT) divulgou posicionamento institucional no qual
repudia a tramitação do Tema 1389, objeto de
repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF),
que discute a chamada “pejotização” — a contratação
de trabalhadores como pessoa jurídica (PJ) em vez de
sob o regime da CLT. Para o Observatório, a matéria
representa uma ameaça aos direitos sociais e à
proteção jurídica do trabalho, ao transformar em
regra o que deveria ser exceção e abrir espaço para
a precarização das relações laborais.
No documento, a entidade afirma que esse tema não
pode ser reduzido a uma simples controvérsia
processual, pois envolve diretamente a defesa da
Justiça do Trabalho e a proteção da classe
trabalhadora contra fraudes contratuais que
disfarcem relações de emprego, ressaltando que a
chamada pejotização constitui, em muitas situações,
uma forma de burlar a legislação trabalhista.
A controvérsia jurídica ganhou nova centralidade
desde que o STF, em reconhecimento de repercussão
geral, suspendeu a tramitação de milhares de
processos sobre o assunto até o julgamento
definitivo, após determinação do relator do tema,
ministro Gilmar Mendes.
O posicionamento do OTCT destaca ainda exigência
pela rejeição imediata do Tema 1389, por entender
que a sua validação pode enfraquecer a proteção
social constitucionalmente garantida, deslocar
litígios para a Justiça Comum e transferir para o
trabalhador o ônus de provar fraudes que, na
prática, decorreriam da desigualdade nas relações de
trabalho.
O DIAP segue monitorando a pauta do Tema 1389 e seus
desdobramentos no STF e na Justiça do Trabalho,
acompanhando os impactos que a discussão poderá ter
sobre direitos laborais, segurança jurídica e
estrutura do sistema de proteção social no Brasil.
Acesse aqui o posicionamento do OTCT na íntegra
Fonte: Diap

19/02/2026 -
Mendonça cassa vínculo de pedreiro que trabalhava
6x1 em construtora
Ministro entendeu que decisão desconsiderou
precedentes do STF sobre terceirização e divisão do
trabalho.
O ministro do STF André Mendonça cassou decisão que
havia reconhecido vínculo empregatício entre um
pedreiro e uma construtora que atuou em regime 6x1.
O relator entendeu que a sentença contrariou
precedentes do STF sobre a licitude da terceirização
e de outras formas de divisão do trabalho, inclusive
a “pejotização”.
O trabalhador ajuizou ação pleiteando o
reconhecimento de vínculo de emprego e a nulidade do
contrato de prestação de serviços firmado por meio
de pessoa jurídica. Ele sustentou que atuava
pessoalmente, de forma subordinada, na função de
pedreiro, com jornada de segunda a sábado, das 7h às
18h, mediante remuneração média de R$ 3,5 mil.
O juiz da 4ª vara do Trabalho de Cuiabá/MT declarou
a existência de vínculo empregatício.
Contra essa decisão, a construtora ajuizou
reclamação no STF, alegando afronta ao entendimento
firmado na ADPF 324 e no RE 958.252, que reconheceu
a licitude da terceirização e de outras formas de
divisão do trabalho.
Inicialmente, Mendonça havia determinado a suspensão
do processo até o julgamento definitivo do ARE
1.532.603, Tema 1.389 da repercussão geral. A
construtora, então, opôs embargos de declaração,
apontando omissão quanto ao pedido de cassação da
decisão trabalhista.
Ao analisar os embargos, o relator destacou que, na
ADPF 324 e no Tema 725, o STF fixou a tese de que é
lícita a terceirização e outras formas de divisão do
trabalho entre pessoas jurídicas, sem formação de
vínculo com a tomadora, mantida a responsabilidade
subsidiária da contratante.
Dessa forma, ao desconsiderar a contratação civil, o
ministro entendeu que a sentença se afastou da
jurisprudência do STF.
“Com efeito, aludido instrumento se encaixa na forma
de divisão de trabalho cuja validade foi reconhecida
nos precedentes vinculantes em apreço. Assim, ao
acolher o pedido e desconsiderar contrato civil a
autoridade reclamada reforçou a inobservância aos
paradigmas apontados, considerando fraudulento
contexto que esta Corte já asseverou ser legítimo.”
Dessa forma, o relator acolheu os embargos de
declaração para sanar a omissão e julgou procedente
o pedido na reclamação, cassando a decisão da 4ª
vara do Trabalho de Cuiabá/MT por descumprimento da
ADPF 324 e do Tema 725, mantendo, contudo, a
suspensão do processo trabalhista e do cumprimento
de sentença até o julgamento definitivo do ARE
1.532.603.
Processo: Rcl
7.8513
Veja a
decisão.
Fonte: Migalhas

19/02/2026 -
Queimou a largada; opinião de João Guilherme
É uma grave afronta à vigência democrática a
repressão violenta, pela polícia, de uma
manifestação de trabalhadores ou de uma greve.
Os 300 trabalhadores de uma empresa metalúrgica
multinacional moderna e avançada tecnologicamente em
São José dos Pinhais, no Paraná, em seu empenho de
negociar um acordo coletivo de trabalho com
reivindicações próprias, foram obrigados devido a
intransigência patronal a entrarem em greve nos
últimos dias de janeiro.
Greve que persistia até a quarta-feira da semana
passada, quando uma delegação do sindicato dos
metalúrgicos da Grande Curitiba presente para
auxiliar os trabalhadores foi violentamente agredida
pela PM que patrulhava o local; um dirigente chegou
a ser derrubado, imobilizado e escarmentado.
Os trabalhadores, contudo, mantiveram-se firmes
continuando a greve apesar da repressão e da
contratação de fura-greves pela empresa. O sindicato
continua as negociações, mas restou do episódio a
brutalidade policial e a intransigência da empresa.
Ainda que a mídia grande nacional não tenha
registrado nem a greve, nem a agressão, as centrais
sindicais unidas emitiram nota de repúdio à agressão
e de solidariedade aos trabalhadores e ao sindicato;
inúmeras entidades sindicais do Paraná também se
manifestaram, bem como dirigentes políticos de
partidos próximos ao sindicato.
A truculência policial fez aparecer uma mancha no
governador Ratinho Júnior, com a indelével marca
antitrabalhador; ele queimou a largada perante o
sindicalismo em suas pretensões presidenciais.
Artigo: João Guilherme Vargas Netto, assessor
sindical
Fonte: Rádio Peão Brasil

13/02/2026 -
Sindicalismo soma forças pró-Lula
Com forte predominância do movimento sindical,
aconteceu na manhã desta quarta (11) plenária dos
setores progressistas, no Sindicato dos Químicos, em
São Paulo, para avaliação de conjuntura nacional e
acerca das possibilidades desse campo nas eleições
de outubro.
O foco central foi a necessidade de articulação das
forças sindicais, políticas e populares pela
reeleição do presidente Lula. Segundo Edinho Silva,
presidente nacional do PT, “estas eleições serão as
mais importantes na vida de todos nós”.
Presentes grande número de Sindicatos e todas as
Centrais. Entidades como Diap e Dieese apresentaram
estudos e gráficos referentes à distribuição das
entidades sindicais no Estado de São Paulo como
também o mapeamento dos resultados eleitorais nos
recentes pleitos no Estado, a partir de 2018.
Senado – Centrais presentes: CUT, Força
Sindical, UGT, CTB, CSB, Nova Central e
Intersindical. Partidos: PT, PDT, PCdoB e Psol.
Várias entidades ligadas a movimentos sociais. Os
sindicalistas, de um modo geral, chamaram também
atenção para a necessidade de ampliar no Congresso
Nacional a representação de parlamentares alinhados
às pautas progressistas.
As maiores cidades do Estado de SP somam 674
Sindicatos e mais de 13 mil dirigentes – os
metalúrgicos contam com mais entidades, embora não
formem a categoria majoritária. Uma das ideias é,
desde já, engajar na mobilização pró-Lula o maior
número de categorias e dirigentes.
Edinho listou conquistas no governo Lula, lembrando
que é preciso massificar junto à base social os
ganhos obtidos durante o terceiro mandato,
especialmente a isenção do IR sobre salários até R$
5 mil.
Slogan – O encontro foi encerrado com o
auditório entoando o tradicional slogan das
campanhas presidenciais de Lula.
Mais – Sites das Centrais Sindicais.
Fonte: Agência Sindical

13/02/2026 -
O povo no discurso, o mercado no voto
Por que a extrema-direita rejeita benefícios
sociais, mas protege privilégios fiscais
bilionários?
Marcos Verlaine*
É a pobreza como inimiga política. Há pergunta que
atravessa o debate público brasileiro como incômodo
moral: por que a extrema-direita bolsonarista vota
contra políticas sociais elementares — como a
distribuição gratuita de gás para famílias pobres —
e só se apresenta como defensora do povo quando
pressionada?
A resposta não está apenas em divergências técnicas
ou fiscais. Está na própria arquitetura ideológica
do bolsonarismo parlamentar: projeto que mobiliza o
povo como retórica, mas governa — e legisla — para
interesses organizados dos ricos e bilionários.
O caso do Gás do Povo¹ — MP (Medida Provisória)
1.313/25 —, aprovado na primeira semana de fevereiro
pelo Congresso², é emblemático. Grupo expressivo de
deputados do núcleo bolsonarista votou contra³ o
benefício que atinge diretamente a vida cotidiana
dos mais pobres: cozinhar. Comer. Sobreviver.
O argumento oficial? “Responsabilidade fiscal”,
“modelo inadequado”, “risco de assistencialismo”.
O subtexto real? O pobre é tolerado como símbolo,
mas rejeitado como sujeito de direitos.
PL, Minoria e Oposição liberaram as respectivas
bancadas. O Novo votou contra a MP.
FISCALIDADE SELETIVA
A direita bolsonarista costuma repetir que “não existe
almoço grátis”. É verdade, em parte. Trata-se de
bordão útil. Mas profundamente seletivo.
Quando se trata de botijão de gás para quem está
abaixo da linha da pobreza, surge o apelo à
austeridade, ao Tribunal de Contas, ao perigo do
“rombo”.
Mas quando se trata de desoneração da folha, que já
ultrapassa R$ 800 bilhões, o “silêncio é
ensurdecedor”. Não há indignação. Não há cruzada
fiscal. Não há discurso sobre “dependência”.
O mesmo Congresso que exige centavos de
justificativa para o pobre aceita, sem escândalo,
renúncias gigantescas para setores empresariais.
A questão não é fiscal. É política. É econômica.
No Brasil, a austeridade é frequentemente nome
elegante para hierarquia social: o Estado pode tudo
para o capital, quase nada para o povo.
ESTADO MÍNIMO PARA QUEM?
O bolsonarismo se vende como defensor do “Estado
mínimo”. Mas, na prática, defende Estado mínimo
apenas para políticas redistributivas.
Para o agronegócio empresarial, o Estado é máximo.
O Plano Safra 2025/2026 mobiliza cifras recordes:
mais de R$ 516 bilhões.
O BNDES liberou mais de R$ 10 bilhões para médios e
grandes produtores. A bancada bolsonarista apoia a
manutenção da isenção de instrumentos como LCA e
Fiagros4, que alimentam o crédito privado
rural.
Aqui não há medo do “assistencialismo”. Aqui, o
subsídio vira “estratégia”.
Ou seja: o Estado é mínimo quando o beneficiário é o
pobre urbano ou rural. É generoso quando o
beneficiário é o grande produtor ou o mercado
financeiro.
OPOSIÇÃO COMO MÉTODO
Há ainda componente central: o voto bolsonarista
tornou-se, em muitos casos, estratégia automática de
oposição.
Se o projeto fortalece o governo Lula, rejeita-se;
ainda que a medida seja socialmente óbvia e
meritória.
Isso explica o paradoxo histórico: Bolsonaro
sancionou Vale-Gás e Auxílio Brasil, mas seu núcleo
parlamentar vota contra programas semelhantes quando
não é o autor da vitrine.
O que importa não é o mérito do benefício. Importa
quem capitaliza politicamente.
O povo vira instrumento. Nunca prioridade.
“VOTO COMPRADO”: CRUELDADE COMO IDEOLOGIA
Talvez o aspecto mais perverso seja o discurso que
criminaliza o beneficiário.
Há setores da extrema-direita que insinuam que
programas sociais “compram votos”. Como se pobreza
fosse escolha e auxílio fosse corrupção.
Essa lógica é brutal: transforma a miséria em
suspeita e o Estado social em chantagem.
Chega-se ao delírio autoritário de sugerir que
beneficiários não deveriam votar.
É a democracia sob condição: só é cidadão pleno quem
não precisa do Estado. E todos ou quase todos
precisam do Estado. O Estado é fundamental para o
desenvolvimento.
CONGRESSO DIANTE DO ESPELHO
Deputados são eleitos para representar o povo. Mas
parte da extrema-direita parlamentar representa,
antes, coalizão de interesses: mercado,
agroexportação, setores empresariais, moralismo
punitivo e guerra cultural.
O pobre entra apenas como personagem de campanha.
O botijão de gás vira “populismo”. A renúncia fiscal
bilionária vira “competitividade”. A assistência
social vira “dependência”. O privilégio vira
“incentivo”.
O bolsonarismo é, no fundo, isso: populismo de
direita que fala em nome do povo, mas vota contra,
sistematicamente, o povo. E quando assim não faz é
por razões meramente eleitorais.
(*) Jornalista, analista político, assessor
parlamentar do Diap e redator do HP
____________________
¹ O Programa é a nova política pública federal que
amplia e fortalece o acesso ao gás de cozinha no
Brasil. Substitui o Auxílio Gás dos Brasileiros, o
Programa garante a gratuidade na recarga do botijão
de GLP (13 kg) em revendas credenciadas para mais de
15 milhões de famílias, beneficia cerca de 50
milhões de pessoas. Com esta mudança, o governo
federal assegura que o benefício seja utilizado
diretamente para proteger a saúde das famílias e
promover a dignidade e a cidadania energética.
² Senado aprova Programa Gás do Povo -
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/02/03/senado-aprova-programa-gas-do-povo#:~:text=O%20Senado%20aprovou%20nesta%20ter%C3%A7a,o%20Programa%20G%C3%A1s%20do%20Povo
- acesso em 9.02.26
³ A MP 1.313/25 foi aprovada pela Câmara por
415 votos favoráveis, 29 contrários e 2 abstenções.
No Senado, a votação foi simbólica. Sem registro no
painel.
4 Fiagros (Fundos de Investimento nas
Cadeias Produtivas Agroindustriais) são veículos de
investimento coletivo, similares aos fundos
imobiliários, focados no financiamento do setor
agropecuário. Esses captam recursos para investir em
CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio),
imóveis rurais, participações em empresas do setor,
oferecendo dividendos, geralmente mensais, com
isenção de IR para pessoas físicas.
Fonte: Diap

12/02/2026 -
É preciso fazer o debate da escala 6×1 com rapidez,
diz Gleisi Hoffmann
Gleisi disse também que a marca desta gestão do
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
(PT),
é a ampliação da isenção do Imposto de Renda
A ministra-chefe da Secretaria de Relações
Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu rapidez
para a conclusão do debate sobre a redução da
jornada de trabalho, nesta terça-feira, 10. As
declarações ocorreram durante uma sessão solene na
Câmara dos Deputados em homenagem aos 46 anos de
fundação do Partido dos Trabalhadores.
“Não é possível mais a gente ter a escala 6×1 para o
trabalho no Brasil. Isso atinge principalmente as
mulheres com dupla jornada. Por isso, é preciso, com
rapidez e determinação, fazer esse debate nesta Casa
e fazer na sociedade”, declarou a ministra.
Na ocasião, Gleisi disse também que a marca desta
gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), é a ampliação da isenção do Imposto
de Renda e que, após a pauta da renda, agora é
preciso defender a pauta da melhora da qualidade de
vida dos trabalhadores.
“Está na hora da gente arregaçar as mangas e
defender essas bandeiras”, declarou a ministra.
Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados,
Hugo Motta (Republicanos-PB), disse, em participação
virtual para evento em São Paulo, que a votação da
PEC de redução da jornada de trabalho pode ocorrer
em maio deste ano.
Na segunda-feira, 9, Motta encaminhou a PEC da
deputada Erika Hilton (PSOL-SP) à Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ). Em seguida, o projeto
deve ser analisado por uma comissão especial para,
depois, ir ao plenário.
Fonte: Estadão Conteúdo

12/02/2026 -
Ipea: Redução da jornada terá custo próximo a 1%
para comércio e indústria
Estudo revela que reduzir a jornada para 40 horas
terá custo operacional pequeno para grande parte das
empresas nacionais
A redução da jornada de trabalho no Brasil de 44
horas semanais para 40 horas teria um impacto
inferior a 1% no custo operacional de grande parte
das empresas brasileiras. Esta importante conclusão,
trazida pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), nesta terça-feira (10), demonstra
que alterar a jornada e, consequentemente, pôr fim à
escala 6×1, é plenamente factível, o que se
contrapõe ao discurso, encabeçado por alguns
empresários, que ataca as mudanças. Entre estes
empresários está Luciano Hang, conhecido como ‘véio
da Havan’.
Com o avanço da pauta pela redução de jornada e
mudança para a escala 5×2, uma onda de pesquisas sem
lastro começou a pulular nas redes no sentido de
atacar as iniciativas em prol da classe
trabalhadora. Essa tentativa de impor o medo à
população com um discurso de que o desemprego irá
aumentar com a mudança da jornada de trabalho, nada
mais é que o desespero final dos que ainda tratam
empregados como sua propriedade particular,
remetendo a outros tempos.
O fato é que os ventos de mudança já se avizinham
com o apoio irrestrito do presidente Lula e toda a
sua base à pauta, assim como pelos recentes acenos
feitos pelo Congresso Nacional.
Dessa maneira, a pesquisa do Ipea respalda com dados
econômicos o que a maioria da população deseja. Além
disso, como trazido na nota técnica nº 123 do
instituto, implementar a redução da jornada de
trabalho para 40 horas teria um impacto similar à
que a elevação do salário mínimo já teve por
diversas vezes, com o aumento do custo do trabalho:
“Aumentos reais, que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em
2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos
sobre o nível de emprego. A redução da jornada de
trabalho prevista na Constituição de 1988 também não
teve impacto negativo sobre o emprego.”
Ainda segundo o Ipea, “a maioria dos setores
produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos
nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos
demandem atenção específica”.
O Instituto mostra que setores como indústria e
comércio, que juntos detêm mais de 13 milhões de
trabalhadores, teriam impacto mínimo, como já
exposto: inferior a 1% do custo operacional. Para
chegar a esta avaliação, os técnicos se basearam nos
microdados da Relação Anual de Informações Sociais
(Rais) de 2023.
De forma diversa às outras abordagens, o estudo
considerou que a redução da jornada será acompanhada
pela manutenção dos salários, o que eleva o custo da
hora de trabalho na proporção do aumento do
salário-hora. Assim, esse aumento não representa uma
queda automática do PIB (Produto Interno Bruto)
nacional e pode ser suprido pelas empresas
diminuindo a produção ou contratando mais
trabalhadores para completar as horas que
anteriormente eram cumpridas pelos trabalhadores que
passaram a ser beneficiados.
Dessa maneira, os cálculos indicam que a redução
para 40 horas semanais pode elevar o custo médio do
trabalho celetista em 7,84%. Por outro lado, estes
efeitos são reduzidos no custo operacional total dos
grandes setores, como indústria e comércio, chegando
a menos do que o 1% citado, pela capacidade desses
setores em absorver a mudança. É importante
salientar a diferenciação feita entre o custo médio
do trabalho, que irá aumentar mais, porém será
dirimido no custo total de cada setor, chegando ao
percentual mínimo.
Já uma área que teria um impacto maior é a de
vigilância, segurança e investigação, pela grande
necessidade de mão de obra, aumentando em 6,6% o
custo operacional desse setor.
Impacto na indústria e comércio
Conforme é destacado, dos quase 43 milhões (42.821.237
trabalhadores) de celetistas na Rais 2023 que tinham
jornada declarada, 74% (31.779.457) tinham jornada
de 44 horas semanais. Outros 9% (3.713.821) tinham
jornada de 40 horas, 11% (4.573.079) jornada de até
36 horas e 3% (1.157.386) com jornadas acima de 44
horas. Portanto, se presume que 77% tinham jornadas
extenuantes acima de 40 horas.
De acordo com o estudo, em 31 dos 87 setores
econômicos analisados, um percentual superior a 90%
dos trabalhadores tinham jornadas acima de 40 horas
semanais.
“Verificamos, através de dados das pesquisas
setoriais do IBGE, que o trabalho ocupa hoje uma
parcela relativamente pequena do custo operacional
desses setores […] Como o impacto de uma mudança
legislativa no custo da hora de trabalho é moderado
(10% no caso de redução de 44 para 40 horas), a
ponderação com a participação do custo de trabalho
no custo operacional total leva à conclusão de que o
impacto total no custo da operação do comércio
varejista seria pouco superior a 1%”, diz Felipe
Pateo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
“No caso da indústria, nós desagregamos a análise em
23 diferentes setores, mas a lógica é a mesma, ainda
que haja variação quanto à intensidade de utilização
de mão de obra e de jornadas superiores a 40 horas”,
completa.
*Com informações Ipea
Fonte: Portal Vermelho

12/02/2026 -
Fim de carência para licença-maternidade no INSS
avança
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou
nesta terça-feira (10) projeto que acaba com a
carência para licença-maternidade no Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) a todas as mulheres
contribuintes.
Atualmente, pela lei que regula o Regime Geral da
Previdência Social, para ter direito à
licença-maternidade remunerada, somente a empregada,
a trabalhadora avulsa e a empregada doméstica
seguradas não precisam cumprir os dez meses de
contribuição ao INSS. O projeto estende a não
obrigatoriedade de carência para todas as
contribuintes, incluindo as seguradas individual,
especial e facultativa.
O PL 1.117/2025, do senador Eduardo Braga (MDB-AM),
recebeu parecer favorável da senadora Damares Alves
(Republicanos-DF). A matéria segue agora para
decisão final na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
Fonte: Agência Senado

12/02/2026 -
PEC propõe trocar contribuição sobre folha por taxa
sobre faturamento
Proposta visa reduzir custos para empregadores,
estimular a geração de empregos formais e garantir
sustentabilidade ao sistema previdenciário.
De autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), a
primeira Proposta de Emenda à Constituição
protocolada no Senado visa alterar o financiamento
da seguridade social no Brasil. A PEC 1/2026
substitui a contribuição previdenciária patronal
sobre a folha de salários por uma contribuição
incidente sobre a receita ou faturamento.
O texto altera a Constituição para que a base de
cálculo da contribuição deixe de ser a folha de
pagamentos e passe a incidir sobre a receita bruta.
A proposta fixa uma alíquota máxima de 1,4%,
percentual que, segundo a justificativa, foi
estimada pelo Ministério da Fazenda como suficiente
para manter o nível atual de arrecadação, sem perdas
para os cofres públicos.
Diferentemente de políticas de desoneração adotadas
nos últimos anos, voltadas a setores específicos, a
mudança teria caráter geral e permanente. A nova
regra alcançaria todos os segmentos da economia,
inclusive as empresas optantes pelo Simples
Nacional.
Na justificativa, o senador argumentou que a
proposta busca estimular a geração de empregos
formais e o aumento dos salários ao reduzir o custo
da contratação de mão de obra. Segundo ele, a
tributação sobre a folha penaliza o trabalho e
desestimula novas contratações.
"Ao incentivar a geração de empregos formais, a
mudança na base de cálculo da folha para a Receita
bruta também se justifica por mitigar riscos ao
financiamento da seguridade social."
O texto também sustenta que a receita bruta seria
uma base mais estável para financiar a Previdência
Social, especialmente diante do envelhecimento da
população e do avanço da automação e da inteligência
artificial, fatores que tendem a reduzir o número de
empregos formais no longo prazo. Outro argumento é o
de que a mudança traria maior segurança jurídica, ao
simplificar o modelo tributário e reduzir disputas
judiciais.
Para o autor, a cobrança sobre a folha de salários
contraria o objetivo constitucional de promover o
pleno emprego e valorizar o trabalho humano. Com a
mudança, a proposta pretende desonerar de forma
permanente a contratação de trabalhadores e
assegurar o financiamento da seguridade social por
meio de uma tributação linear sobre o faturamento
das empresas.
Confira a íntegra da proposta.
Fonte: Congresso em Foco

11/02/2026 -
INPC de janeiro sobe 0,39% e acumula alta de 4,3% em
12 meses
Índice costuma ser referência para reajuste de
salários
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
subiu 0,39% em janeiro, após ter marcado 0,21% em
dezembro. Com o resultado, o indicador acumula alta
de 4,3% nos últimos 12 meses, superando o acumulado
até dezembro (3,9%).
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), no
Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Os pesquisadores apuraram que, no mês passado, a
inflação dos produtos alimentícios caiu pela metade
quando comparada com a de dezembro, passando de
0,28% para 0,14%.
Os itens não alimentícios saltaram de 0,19% em
dezembro indo para 0,47% em janeiro.
Índice
O INPC apura o custo de vida para famílias que recebem
de um a cinco salários mínimos. Atualmente, o mínimo
é de R$ 1.621.
O indicador difere do Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação
oficial, que mede a variação dos preços de uma cesta
de consumo das famílias que têm renda até 40
salários mínimos. O IPCA de janeiro ficou em 0,33%,
somando 4,44% em 12 meses.
O IBGE confere pesos diferentes aos grupos de preços
pesquisados. No INPC, por exemplo, os alimentos
representam cerca de 25% do índice, mais que no IPCA
(aproximadamente 21%), pois as famílias de menor
renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na
ótica inversa, por exemplo, o preço de passagem de
avião pesa menos no INPC do que no IPCA.
Fonte: Agência Brasil

11/02/2026 -
Nota das Centrais: Pela redução da jornada com
escala de 5X2
A redução da jornada de trabalho é uma bandeira
histórica do movimento sindical, responsável por
expressivas conquistas ao longo do tempo. Nos
últimos anos, ela voltou à tona por meio da luta
pelo fim da escala 6x1, como reação à ampla retirada
de direitos promovida pela reforma trabalhista de
2017.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece a
jornada de 44 horas semanais, distribuídas conforme
escala definida por meio de negociação coletiva,
seja por categoria profissional ou, em alguns casos,
por empresa.
Jornadas de 40 horas semanais já são realidade em
categorias como bancários, petroleiros,
metalúrgicos, químicos, farmacêuticos, setores da
tecnologia da informação, entre outros que avançaram
nessa conquista por meio da negociação coletiva.
Esses exemplos evidenciam o papel decisivo dos
sindicatos na vida dos trabalhadores, no desempenho
das empresas e na dinâmica da economia nacional.
Reforçam, ainda, a importância dos acordos e
convenções coletivas, respeitando as especificidades
e os ritmos próprios de cada setor produtivo.
As Centrais Sindicais acompanham atentamente a
tramitação da proposta que chegou ao Congresso
Nacional graças à mobilização sindical. A
expectativa é de que os parlamentares tenham
sensibilidade social e compreensão dos avanços
representados pela redução da jornada e pelo fim da
escala 6x1, instituindo, por meio de lei, a jornada
de 40 horas semanais com escala 5x2.
É um passo necessário para fomentar maior
empregabilidade, elevar a produtividade com mais
qualidade, ampliar as oportunidades de formação
profissional e promover mobilidade social, no marco
de um projeto de desenvolvimento soberano,
democrático e socialmente inclusivo.
São Paulo, 10 de fevereiro de 2026
Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central
Sindical de Trabalhadores)
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos
Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos
Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos
Sindicatos Brasileiros)
Fonte: NCST

11/02/2026 -
IR zero e fim da 6×1 movem a base trabalhadora
O sindicalismo intensifica nas bases a divulgação da
isenção do imposto de renda nos salários até R$ 5
mil. De agora em diante, outros temas passam a
integrar a Pauta Unitária a ser conduzida na nova
Marcha a Brasília dia 15 de abril.
Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum Sindical
das Centrais, prevê para breve a primeira reunião
2026 do Fórum, até a fim de tratar da organização da
Marcha.
O ano eleitoral, no entender de Clemente, vai
estimular tanto o sindicalismo quanto parlamentares
a manter em cena esse tema. Até porque o número de
beneficiários com a isenção passa de 15 milhões.
Clemente, por vários anos, foi coordenador-técnico
do Dieese.
Dadas as dificuldades na correlação de forças dentro
do Congresso Nacional, o coordenador do Fórum avalia
que o PL do Executivo até que tramitou rapidamente.
Hoje, 85% dos assalariados ganham até R$ 5 mil. Por
isso, afirma Clemente, “essa isenção dá um passo
adiante na questão da justiça tributária também na
medida em que eleva pra 10% a contribuição dos que
ganham mais”. Mas ressalta: “Ainda é pouco. É
preciso que os muito ricos paguem mais imposto” –
além dos 10% fixados no PL aprovado na Câmara.
Rede – Sindicatos, Federações, Confederações
e Dieese têm utilizado as redes sociais e a
televisão (no caso, a TVT) pra difundir a conquista
do imposto zero. Mas o assunto ainda não chegou às
camadas sociais mais fundas. O dirigente metalúrgico
de Guarulhos, Josinaldo José de Barros (Cabeça),
observa: “O trabalhador valoriza o imposto zero, mas
hoje seu foco está no fim da escala 6×1”.
Mais – Sites das Centrais, Dieese e TVT.
Fonte: Agência Sindical

11/02/2026 -
TRT-2 invalida norma coletiva por omissão em pauta
de assembleia
A validade de cláusulas inseridas em norma coletiva
depende da aprovação em assembleia geral
especificamente convocada para esse fim. A ausência
do tema na pauta do edital de convocação viola o
artigo 612 da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), tornando a deliberação inválida e a cobrança
inexigível.
Com base neste entendimento, a 7ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (Grande São Paulo
e litoral paulista) manteve uma decisão que
desobrigou uma empresa de despachos aduaneiros de
cumprir uma cláusula de convenção coletiva, firmada
por um sindicato de empregados do comércio exterior,
por causa de vícios em sua aprovação.
O caso envolve a validade de uma norma coletiva que
instituiu o “Programa de Promoção da Saúde Mental e
do Bem-Estar”, obrigando as empresas do setor a
recolherem valores mensais por empregado ao
sindicato. A empresa ajuizou ação para não ser
submetida à cobrança, apontando irregularidades no
processo de negociação.
A empresa sustentou que a criação da taxa e do
programa não constava na pauta da assembleia que
aprovou a convenção, impedindo a manifestação
democrática da categoria.
Nos embargos, o sindicato alegou omissões na decisão
e defendeu que a invalidação da cláusula exigiria a
formação de litisconsórcio passivo necessário com os
demais sindicatos signatários. Pediu,
subsidiariamente, a manutenção da cláusula apenas
para trabalhadores sindicalizados.
Violação à CLT
Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Celso
Peel, rejeitou a tese do sindicato e se concentrou
na irregularidade formal da convocação. O acórdão
destacou que o artigo 612 da CLT exige que os
sindicatos celebrem convenções mediante deliberação
de assembleia “especialmente convocada para esse
fim”. A análise documental provou que o edital não
listava a criação da contribuição.
“O exame da pauta do edital de convocação da AGE
referente às Convenções Coletivas 2024/2025 […]
denota a ausência de indicação do assunto relativo à
cláusula sub examine (‘Programa de Promoção da Saúde
Mental e do Bem-Estar dos trabalhadores’), em
desacordo, pois, à dicção do citado artigo 612 da
CLT”, afirmou o relator na decisão.
Em consequência desse vício de origem, a cláusula
foi declarada ineficaz em relação à autora. O
tribunal esclareceu que, como a decisão tem efeito
apenas entre as partes (inter partes) e não anula a
norma para toda a categoria (erga omnes), não se
aplica a exigência de litisconsórcio prevista no
artigo 611-A, § 5º, da CLT.
Este dispositivo, que foi afastado para o caso
concreto, estabelece que “os sindicatos subscritores
de convenção coletiva ou de acordo coletivo de
trabalho deverão participar, como litisconsortes
necessários, em ação individual ou coletiva, que
tenha como objeto a anulação de cláusulas desses
instrumentos”.
“Assentada a declaração de ineficácia somente entre
as partes do presente feito, exsurge inaplicável à
espécie o disposto no artigo 611-A, § 5º, da CLT”,
concluiu o magistrado. Com informações da assessoria
de imprensa do TRT-2.
Clique
aqui para ler o acórdão
Processo 1000619-86.2025.5.02.0443
Fonte: Consultor Jurídico

11/02/2026 -
Proposta que acaba com jornada de trabalho 6x1 vai
para a CCJ
Após aprovação, nova jornada entra em vigor 360
dias após publicação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(foto) (Republicanos-PB), informou nesta
segunda-feira (9), em Brasília, que encaminhou a
proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do
fim da escala de trabalho 6x1 para a Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ). Caberá ao colegiado
analisar a admissibilidade da matéria (PEC 8/25). Se
for aprovada, segue para análise de uma comissão
especial.
O texto - de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP)
- acaba com a escala 6x1, de seis dias de trabalho e
um de descanso, e limita a duração do trabalho
normal a 36 horas semanais. Pela proposta, a nova
jornada entra em vigor 360 dias após a data da sua
publicação.
Atualmente, a Constituição estabelece que a carga de
trabalho será de até oito horas diárias e até 44
horas semanais.
Horários compensados
A proposta da deputada também faculta a compensação de
horários e a redução de jornada, mediante acordo ou
convenção coletiva de trabalho.
Motta disse que apensou à PEC outra proposta de
idêntico teor, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O texto também reduz a jornada de trabalho para 36h
semanais, facultadas a compensação de horários e a
redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho.
A matéria, entretanto, prevê que a nova jornada
entre em vigor 10 anos após a data de sua
publicação.
“Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e
responsabilidade para entregar a melhor lei para os
brasileiros. O mundo avançou, principalmente na área
tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”,
afirmou Motta por meio de suas redes sociais.
Fonte: Agência Brasil

11/02/2026 -
Projeto sobre dupla maternidade e paternidade
aguarda votação na CCJ
Proposta atualiza registros públicos para
reconhecer diferentes composições familiares já
amparadas pela Justiça.
O projeto de lei 2.352/2022, que busca garantir o
registro de dupla maternidade, dupla paternidade ou
monoparentalidade em certidões e documentos
oficiais, aguarda deliberação da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Na Comissão de Direitos Humanos (CDH), o texto foi
relatado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE),
que afirmou que a proposta apenas adequa a
legislação de registros públicos, da carteira de
identidade e do CPF ao entendimento já consolidado
pela jurisprudência brasileira.
Segundo o parlamentar, trata-se de uma atualização
administrativa para assegurar direitos já
reconhecidos judicialmente, sem alterar normas de
natureza moral ou social.
Autor do projeto, o senador Fabiano Contarato
(PT-ES) argumentou que a exigência do campo "mãe" em
registros públicos, cadastros e benefícios sociais
pode obrigar um dos responsáveis legais a se
identificar de forma incompatível com a realidade
familiar. Ele cita como exemplo famílias formadas
por duas mulheres, dois homens ou por apenas um
responsável.
Fonte: Congresso em Foco

10/02/2026 -
Sindicalistas se reúnem em São Paulo para reafirmar
apoio à reeleição de Lula
Apoio à reeleição de Lula é reafirmado em
encontro em São Paulo. Líderes sociais e sindicais
promovem ato político no próximo dia 11.
Com a presença do ministro da Secretaria-Geral da
Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL),
sindicalistas e movimentos sociais se reúnem nesta
quarta-feira (11), em São Paulo, para ratificar o
apoio à reeleição do presidente Lula (PT) no pleito
deste ano. O encontro acontece no bairro da
Liberdade e integra a agenda de mobilização do campo
progressista em defesa da continuidade do atual
governo.
Também participa da atividade Edinho Silva,
presidente nacional do PT e nome cotado para
coordenar a campanha presidencial. A presença de
lideranças partidárias, sindicais e de movimentos
sociais busca demonstrar unidade política em um
momento considerado estratégico para a disputa
eleitoral.
Além da manifestação de apoio ao presidente,
dirigentes sindicais pretendem dialogar com suas
bases sobre a necessidade de mudanças na composição
do Congresso Nacional. Entre os temas destacados
estão os entraves enfrentados por pautas históricas
do movimento sindical, como a redução da jornada de
trabalho e o fim da escala 6×1, que seguem
encontrando forte resistência no Legislativo.
Posição das centrais
Presidente da Força Sindical, Miguel Torres afirmou ao
jornal Folha de São Paulo, que a correlação de
forças no Congresso tem dificultado avanços em
direitos trabalhistas. “É sempre um sufoco quando
tem pautas ligadas aos trabalhadores no Congresso.
Se nada for feito hoje, vai ficar ainda pior”,
declarou.
Já o presidente da União Geral dos Trabalhadores
(UGT), Ricardo Patah, ressaltou que o encontro
expressa a unidade das centrais sindicais em torno
da reeleição do atual governo. “Em 2022,
participamos da campanha do Lula e foi uma vitória
com diferença pequena. No governo anterior, o [Jair]
Bolsonaro queria exterminar o movimento sindical, e
o Lula nos ouve, aprovando nossas demandas”,
afirmou.
Em convite que circula em grupos ligados ao
movimento sindical, o presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, destacou que
o processo eleitoral de 2026 será decisivo para o
futuro dos direitos trabalhistas no país. Segundo
ele, a classe trabalhadora terá uma tarefa central
na disputa política que se avizinha.
“Em 2026, a classe trabalhadora terá uma importante
e grandiosa tarefa na disputa de rumos e na defesa
dos direitos de trabalhadoras e trabalhadores,
especialmente na eleição para a Presidência da
República. Por isso, estamos organizando de forma
coletiva a participação dos movimentos sindicais,
populares e sociais de São Paulo neste encontro, que
reafirma o apoio à reeleição do presidente Lula”,
afirmou.
Programação e estratégia de mobilização
A atividade contará com uma programação extensa ao
longo do dia, combinando análise política, debate
estratégico e orientações práticas de mobilização. A
recepção dos participantes está marcada para as
8h30, com acolhida e café.
A abertura oficial acontece das 9h às 9h30, seguida,
das 9h30 às 10h30, de uma mesa dedicada à análise
das eleições nacionais de 2018 a 2022, com foco em
cenários, votações e lições para o próximo ciclo
eleitoral.
Das 10h30 às 13h, o debate se concentra na
importância da reeleição de Lula e nos cenários para
a disputa eleitoral de 2026, reunindo dirigentes
sindicais, lideranças políticas e representantes de
movimentos sociais. Após o intervalo para almoço,
das 13h às 14h, a programação segue com uma mesa
voltada às orientações para ações de mobilização e
comunicação em redes sociais, incluindo iniciativas
como Pode Espalhar e Desmascarando Tarcísio.
O encerramento, das 14h30 às 17h, será dedicado à
construção de uma estratégia concreta para a
campanha, com o debate “60 cidades de São Paulo na
reeleição de Lula presidente 2026”, que tratará de
plano de ação, articulação territorial e engajamento
de base.
O encontro reforça a aposta das entidades sindicais
na organização política da classe trabalhadora,
vinculando a disputa eleitoral à defesa de direitos
sociais, trabalhistas e democráticos.
Fonte: Rádio Peão Brasil

10/02/2026 -
Centrão admite aprovar escala 6x1, mas pode manter
jornada de 44h
Deputados e senadores não devem se opor à medida,
mas podem adotar um texto mais favorável aos
interesses patronais
O fim da chamada escala 6x1 — regime em que
trabalhadores laboram seis dias seguidos com apenas
um de folga — tem avançado na agenda legislativa com
apoio de parte do centrão, mas a definição de como
ficará a jornada de trabalho está em aberto, segundo
reportagem original publicada no UOL.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos), sinalizou que a pauta sobre a escala
6x1 “deve ser acelerada com equilíbrio e
responsabilidade, ouvindo trabalhadores e
empregadores”. Apesar da tendência de aprovação do
fim dessa escala, existe resistência interna quanto
à definição do número de horas semanais que
substituirá o atual modelo de trabalho intensivo.
O debate ocorre em um cenário em que há propostas
para reformular completamente a organização da
jornada laboral no país. Há anos tramitam no
Congresso diferentes textos que visam extinguir a
escala 6x1 e reduzir a jornada máxima semanal, como
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015,
que prevê transição gradativa até um limite de 36
horas semanais distribuídas em até cinco dias de
trabalho, com dois dias de descanso remunerado e sem
redução salarial. Essa proposta já foi aprovada pela
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e
segue para votação nos plenários das Casas
legislativas.
A aprovação do fim da escala 6x1 é considerada quase
unânime na base governista, mas a discordância
cresce quando se trata de decidir qual será a nova
jornada de trabalho. Deputados e senadores articulam
alternativas que vão desde manter uma jornada
semanal de 40 horas — similar à que já vem sendo
debatida em propostas — até ampliar para 44 horas
semanais em cinco dias. O deputado federal Claudio
Cajado (PP-BA) afirmou que “vai votar, é consensual
acabar com o 6x1. Agora vamos discutir se serão 44
horas em cinco dias ou 40h”.
Fonte: Brasil247

10/02/2026 -
O Sistema Confederativo é a última muralha de
proteção da classe trabalhadora
Por Wilson Pereira
Num país onde a desregulamentação do trabalho se
tornou bandeira de governos e segmentos
empresariais, o Sistema Confederativo de
Representação Sindical permanece como uma das poucas
estruturas capazes de defender, com firmeza e
legitimidade, os direitos dos trabalhadores
brasileiros. Ignorar essa função estratégica seria
um erro histórico — e um risco irreparável.
Há quem diga que o sistema é antiquado. Não é
verdade. Antiquado é acreditar que o trabalhador
pode enfrentar sozinho gigantes econômicos,
plataformas digitais bilionárias e cadeias
produtivas globais que operam 24 horas por dia.
Antiquado é imaginar que, sem coordenação, sem
unidade e sem apoio institucional, sindicatos locais
terão força suficiente para negociar, resistir e
avançar.
O Sistema Confederativo existe justamente para
evitar essa desigualdade estrutural. Ele integra
sindicatos, federações e confederações em uma única
espinha dorsal, garantindo que nenhuma categoria,
por menor que seja, fique desamparada. Em tempos de
uberização, teletrabalho extenuante e vínculos
frágeis, essa unidade não é apenas importante — é
vital.
Mas há um motivo ainda mais profundo para a defesa
do sistema: “ele é a expressão prática da
solidariedade entre trabalhadores”. Um sindicato
isolado fala baixo. Uma federação fala mais alto.
Uma confederação fala pelo país. E quando toda essa
estrutura atua em conjunto, o que se ouve é a voz de
milhões de brasileiros que constroem a economia, mas
que raramente são tratados com a dignidade que
merecem.
É essa força coletiva que pressiona o Congresso, que
enfrenta tentativas de retirada de direitos, que
sustenta ações judiciais estruturantes, que
fiscaliza políticas públicas e que dá musculatura às
campanhas salariais. Sem ela, cada categoria viraria
presa fácil de pressões econômicas e políticas.
O que muitos chamam de burocracia, na verdade, é
organização. O que muitos tentam rotular como
“custo”, na verdade, é investimento na existência do
próprio trabalhador enquanto sujeito de direitos. E
o que alguns tentam enfraquecer como “velho”, na
verdade, é o último alicerce de proteção num mundo
cada vez mais hostil ao trabalho.
Defender o Sistema Confederativo não é um capricho
institucional — é defender o país real. É defender o
direito ao salário justo, ao descanso, à proteção
social, à negociação respeitosa. É defender o
trabalhador da esquina, o do aeroporto, o da cozinha
do hotel, o do transporte, o da limpeza, o da
recepção, o da construção civil, o da cozinha
industrial, o do teleatendimento, das entidades
beneficentes, religiosas e filantrópicas.
É defender gente.
Num momento em que a democracia depende também da
força das organizações sociais, enfraquecer o
Sistema Confederativo seria abrir uma rachadura
exatamente onde a classe trabalhadora mais precisa
de firmeza. É por isso que este artigo afirma, com
clareza e convicção: “não há futuro do sindicalismo
forte sem o Sistema Confederativo. E não há justiça
social possível sem um sindicalismo forte”.
*Wilson Pereira é presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Turismo e
Hospitalidade (CONTRATUH) e diretor financeiro da
NCST
Fonte: NCST

10/02/2026 -
STF redesenhou equilíbrio entre liberdade sindical e
dever de custeio
por Paulo Vitor Faria da Encarnação
A decisão do Supremo Tribunal Federal nos embargos
de declaração no ARE 1.018.459, sob o rito da
repercussão geral (Tema 935), talvez seja a mais
importante virada de chave no financiamento das
entidades sindicais desde a reforma trabalhista de
2017. Ao admitir a cobrança de contribuição
assistencial de todos os empregados da categoria,
inclusive não sindicalizados, desde que assegurado o
direito de oposição, o STF redesenhou, em poucos
parágrafos, o ponto de equilíbrio entre liberdade de
associação, negociação coletiva e dever de custeio
do sistema sindical.
O ponto de partida do caso é conhecido: em 2017, o
Plenário havia fixado a tese de
inconstitucionalidade da imposição de contribuições
assistenciais compulsórias a empregados não
filiados, por acordo, convenção coletiva ou sentença
normativa. Tratava-se, na prática, de estender à
contribuição assistencial a lógica restritiva
aplicada às contribuições confederativas, limitadas
aos filiados. Naquele contexto, a leitura dominante
era a de que qualquer desconto obrigatório violaria
a liberdade de associação do trabalhador, assegurada
pelo artigo 8º da Constituição.
O cenário, contudo, mudou radicalmente com a Lei nº
13.467/2017. Ao tornar facultativa a contribuição
sindical — antes um tributo com desconto automático
—, a reforma atingiu em cheio a principal fonte de
custeio das entidades representativas. Dados
oficiais indicaram queda superior a 90% na
arrecadação em um único ano, com sindicatos em todo
o país enfrentando dificuldades para manter
estruturas mínimas de atendimento, negociação e
assistência jurídica. Nesse contexto, a tese
originária do Tema 935, somada ao fim da
compulsoriedade da contribuição sindical, produzia
um efeito combinado evidente: esvaziamento
financeiro progressivo de sindicatos que continuam,
por determinação constitucional, obrigados a
representar toda a categoria, filiada ou não.
Foi nesse quadro que o voto-vista do ministro Luís
Roberto Barroso operou uma inflexão relevante. Sem
abandonar a premissa filosófica de que a regra deve
ser a adesão voluntária e a cobrança dirigida,
preferencialmente, aos filiados, o ministro chamou
atenção para uma contradição prática: de um lado, a
própria Corte vinha fortalecendo a negociação
coletiva — admitindo, por exemplo, que o negociado
prevaleça sobre o legislado em determinadas
hipóteses —; de outro, negava-se às entidades
sindicais o instrumento financeiro que viabiliza
essa mesma negociação. Em termos simples,
valorizava-se o resultado da mesa de negociação, mas
se retirava o combustível que a mantém de pé.
A solução construída pelo STF passa, então, por dois
movimentos simultâneos. De um lado, reconhece-se que
a contribuição assistencial, aprovada em assembleia
e prevista em acordo ou convenção coletiva, pode ser
estendida a todos os empregados da base,
sindicalizados ou não, justamente porque todos se
beneficiam das cláusulas econômicas e sociais
negociadas. A figura do “carona”, que desfruta dos
reajustes, pisos e direitos coletivos sem contribuir
em nada para sua construção, é explicitamente
identificada como fator de desequilíbrio e de
injustiça interna na categoria. De outro lado,
preserva-se a liberdade individual por meio do
direito de oposição: cabe ao trabalhador,
suficientemente informado, manifestar-se contra o
desconto, optando por não contribuir.
A tese fixada — “é constitucional a instituição, por
acordo ou convenção coletivos, de contribuições
assistenciais a serem impostas a todos os empregados
da categoria, ainda que não sindicalizados, desde
que assegurado o direito de oposição” — procura
traduzir esse compromisso. Não se trata de
ressuscitar o antigo “imposto sindical”, como
corretamente ressalta o voto do relator, ministro
Gilmar Mendes. A contribuição sindical compulsória,
de natureza tributária e prevista em lei, continua
dependente de autorização prévia e expressa. O que o
Supremo faz agora é admitir um modelo de
financiamento vinculado à atividade negocial,
definido no âmbito da autonomia coletiva e
condicionado a um mecanismo claro de opt-out.
Do ponto de vista da prática trabalhista, impacto
é imediato
A partir da decisão, cláusulas de contribuição
assistencial tendem a ressurgir — ou a ganhar novo
fôlego — em acordos e convenções Brasil afora,
especialmente em categorias em que a negociação
coletiva é intensa e os custos de mobilização são
elevados. Empresas e sindicatos são chamados a dar
concretude ao direito de oposição, que não pode ser
reduzido a um formalismo simbólico. Prazos exíguos,
exigência de comparecimento presencial em horários
restritos ou mecanismos que, na prática,
inviabilizem a manifestação individual tendem a ser
questionados judicialmente, sob a alegação de
violação à própria tese firmada pelo STF.
Para a advocacia trabalhista, abrem-se, ao mesmo
tempo, oportunidades e zonas de tensão. De um lado,
haverá espaço para ações que discutam a conformidade
de cláusulas específicas ao precedente do Tema 935,
seja por excesso na fixação de valores, seja por
restrição indevida ao direito de oposição. De outro,
cresce a responsabilidade dos profissionais que
assessoram sindicatos e empresas na redação de
instrumentos coletivos: será preciso desenhar
modelos de contribuição assistencial que sejam
financeiramente eficazes, juridicamente sólidos e
politicamente defensáveis perante as bases.
Em termos de política pública, a decisão recoloca no
centro do debate a pergunta que há anos ronda o
direito coletivo do trabalho brasileiro: como
financiar um sistema de representação pensado sob a
lógica da unicidade sindical, mas submetido, agora,
a uma lógica de financiamento voluntário e
concorrencial? A resposta do STF, ainda que parcial,
indica um caminho: admitir que a solidariedade
interna à categoria — todos se beneficiam, todos
podem ser chamados a contribuir — é compatível com a
liberdade de associação, desde que nenhum
trabalhador seja impedido de exercer, de modo real e
informado, o seu direito de dizer “não”.
Resta saber como esse equilíbrio teórico se
projetará no “chão da fábrica” e nos escritórios
capixabas e paulistas. Se a contribuição
assistencial, redesenhada sob a égide do direito de
oposição, conseguirá recompor minimamente a
autonomia financeira das entidades sindicais sem
reavivar vícios do antigo modelo compulsório. E se a
negociação coletiva, tão prestigiada na retórica
jurisprudencial, será, de fato, fortalecida no plano
concreto.
Enquanto essas respostas não se consolidam na
prática, uma coisa é certa: ao reescrever a tese do
Tema 935, o Supremo desloca novamente o eixo do
debate sindical brasileiro. E convida advogados,
sindicatos, empresas e trabalhadores a repensarem, à
luz dessa nova moldura constitucional, qual é o
preço justo — e juridicamente sustentável — de ter
uma voz coletiva na mesa de negociação.
Paulo Vitor Faria da Encarnação - é advogado e
mestre em Direito Processual pela Universidade
Federal do Espírito Santo (Ufes), sócio do
escritório Santos Faria Sociedade de Advogados, em
Vila Velha (ES).
Fonte: Consultor Jurídico

09/02/2026 -
Informe das Centrais no Estadão reforça conquistas
da isenção do IR
As centrais sindicais publicaram, na quinta-feira
(5), informe no Estadão destacando a ampliação da
isenção do Imposto de Renda para salários de até R$
5 mil e a redução gradual da tributação até R$
7.350. A medida amplia a renda dos trabalhadores e
fortalece a economia, resultado da mobilização
sindical, do diálogo com o governo e da aprovação no
Congresso Nacional.
A conquista reafirma a força da organização sindical
como instrumento essencial de defesa dos direitos e
de avanços sociais.
Fonte: NCST

09/02/2026 -
Artigo do presidente Chicão repercute na mídia e
reforça debate sobre futuro do setor elétrico
O artigo Caducidade não é solução: o setor
elétrico exige decisão técnica, assinado pelo
presidente do Sindicato dos Eletricitários de São
Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), ganhou destaque
na imprensa ao abordar um dos temas mais sensíveis e
estratégicos para o setor elétrico e para a
sociedade: o debate sobre a possível caducidade da
concessão da Enel Distribuição São Paulo.
Publicado no portal Poder360, o texto apresenta uma
análise técnica e responsável sobre os impactos de
uma eventual ruptura contratual, destacando os
riscos econômicos, sociais e operacionais que uma
decisão precipitada pode provocar, especialmente
para os trabalhadores, para a continuidade do
serviço público e para a segurança energética.
No artigo, Chicão ressalta que energia elétrica é um
serviço essencial e estratégico, que exige decisões
pautadas em critérios técnicos e regulatórios, e não
em pressões políticas ou soluções simplistas. O
dirigente sindical alerta que a caducidade
representa uma medida extrema, que pode gerar
instabilidade regulatória, judicialização em massa e
comprometer investimentos fundamentais para o
funcionamento do sistema elétrico.
Outro ponto de destaque do texto é a defesa do
fortalecimento do papel da Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel), com fiscalização rigorosa
e imposição de obrigações concretas à
concessionária, incluindo investimentos estruturais,
melhoria da manutenção da rede e garantia de
qualidade no atendimento à população.
O presidente do Sindicato também chama atenção para
os impactos sociais que uma ruptura poderia
provocar, com risco direto a milhares de empregos e
à cadeia produtiva do setor elétrico, além de
possíveis reflexos negativos nas relações de
trabalho e na qualidade dos serviços prestados à
população.
A repercussão do artigo reforça o papel do Sindicato
dos Eletricitários de São Paulo no debate público
sobre temas estratégicos para o setor, defendendo
soluções responsáveis, que preservem direitos,
garantam investimentos e assegurem a qualidade do
serviço essencial à sociedade.
Leia o artigo completo do presidente Chicão no
Poder360.
Clique aqui
Leia o artigo no site dos Eletricitários/SP.
Clique aqui
Fonte: Eletricitários

09/02/2026 -
STF e PGR chancelam pejotização: risco de tornar CLT
opcional
Parecer da Procuradoria-Geral da República e a
jurisprudência do Supremo empurram para Justiça
Comum disputas sobre contratos civis, enquanto
movimentos contrários alertam para erosão de
direitos trabalhistas
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou
ao STF (Supremo Tribunal Federal) parecer com grande
impacto sobre o futuro das relações de trabalho no
Brasil.
Gonet, no parecer, defende que a chamada pejotização
— contratação de profissionais como PJ (pessoa
jurídica) ou autônomos em vez de empregados pela CLT
— é constitucional e que a Justiça Comum deve ser a
responsável por decidir sobre esses contratos,
reservando à Justiça do Trabalho apenas os casos em
que fique comprovada fraude.
“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é
firme quanto à constitucionalidade de contratação
por formas distintas do contrato de emprego regido
pela Consolidação das Leis do Trabalho”, escreveu o
PGR no parecer.
O documento foi apresentado no ARE (Recurso
Extraordinário com Agravo) 1.532.603, relatado pelo
ministro Gilmar Mendes, que também determinou a
suspensão nacional de todos os processos que
discutem a legalidade da pejotização até que o caso
seja definitivamente julgado, no que pode se tornar
marco na jurisprudência trabalhista brasileira.
Competência da Justiça: ponto central
A estratégia jurídica delineada pelo PGR pode ter
efeito profundo na rotina dos tribunais. Determinar
que a Justiça Comum seja a instância adequada para
analisar contratos civis e comerciais de prestação
de serviços retira da esfera trabalhista —
historicamente mais sensível à proteção do
trabalhador — a atribuição de decidir sobre vínculos
que envolvem direitos fundamentais como férias, 13º
salário, FGTS e jornada de trabalho.
No parecer, Gonet ainda esclarece que, “na hipótese
de ser identificada a nulidade do negócio jurídico,
cabe a remessa dos autos à Justiça do Trabalho para
decidir sobre eventuais consequências na esfera
trabalhista”.
Críticas severas de juristas e procuradores do
trabalho
Entidades como o MPT (Ministério Público do Trabalho)
e procuradores especialistas em direito laboral
denunciam que decisões judiciais e o posicionamento
do STF sob a relatoria de Mendes têm se alinhado à
narrativa que fragiliza a proteção social consagrada
pela CLT.
Para o procurador Cássio Casagrande, por exemplo, “o
STF está tornando a CLT opcional para empregadores”,
ao chancelar contratações via PJ mesmo em contextos
de clara subordinação e direção por parte do
contratante.
A ANPT (Associação Nacional dos Procuradores e
Procuradoras do Trabalho) chegou a publicar nota
pública em que critica a suspensão de processos na
Justiça do Trabalho e afirma que a discussão “nega
vigência aos art. 2º, 3º e 9º da CLT”, o que
prejudica a proteção constitucional dos
trabalhadores.
O MPT também alertou para números alarmantes
relacionados às reclamatórias trabalhistas que
buscam reconhecer vínculos empregatícios diante de
contratos civis ou comerciais: até março de 2025,
mais de 1,2 milhão de ações foram ajuizadas que
tratam desse tipo de questão, o que representa fatia
significativa do total de novas reclamações.
Riscos sociais e econômicos
Críticos apontam que a consolidação da pejotização e o
deslocamento das disputas para a Justiça Comum podem
aprofundar a precarização do trabalho no Brasil,
retirando garantias como limites de jornada,
descanso remunerado e proteção previdenciária.
Nas palavras de um procurador consultado em
entrevista: “Que patrão vai assinar a Carteira de
Trabalho?”, questiona-se, alertando que o resultado
pode ser cenário em que a CLT se torna opção, não
regra.
STF como palco decisivo
O julgamento do ARE 1.532.603 no STF é aguardado com
atenção por magistrados, advogados e movimentos
sociais.
Além da suspensão das ações, ministros como Gilmar
Mendes têm promovido audiências públicas para
debater os desafios da pejotização, reunindo
representantes do Judiciário, Legislativo e
especialistas em Direito do Trabalho para dialogar
sobre proteção social e liberdade econômica.
A decisão final da Corte poderá influenciar
diretamente milhões de trabalhadores brasileiros —
especialmente aqueles na informalidade ou em
relações de trabalho atípicas — e marcar ponto de
inflexão sobre como o direito do trabalho será
interpretado nas próximas décadas.
Debate que extrapola a Justiça
Para críticos, não se trata apenas de embate técnico
sobre competência judicial, mas de disputa pelo
significado do trabalho no Brasil: ser protegido por
direitos sociais ou ser tratado como simples
prestação de serviços contratualizados sem
garantias?
No horizonte, o Supremo — mais do que nunca —
aparece como arena decisiva para definir se a
pejotização será consolidada como regra jurídica ou
se a CLT seguirá sendo o escudo mínimo de proteção à
força de trabalho no País.
Fonte: Diap

09/02/2026 -
Tempo para qualificação profissional em debate na
série sobre Escala 6×1
Artigo aborda a importância do tempo para a
qualificação profissional e como a jornada de
trabalho impacta a educação no Brasil.
O vigésimo quarto artigo do dossiê “Fim da Escala
6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, organizado
pelo Organizado pelo Cesit (Centro de Estudos
Sindicais e de Economia do Trabalho) em parceria com
as centrais sindicais, aborda “Tempo para aprender,
tempo para viver: a redução da jornada de trabalho
como condição para o direito à qualificação
profissional no Brasil“.
O artigo é assinado por Any Ávila Assunção e Rafael
Ávila Borges de Resende.
A partir de uma abordagem interdisciplinar, os
autores demonstram que a falta de tempo livre
compromete a permanência em cursos, aprofunda
desigualdades sociais e restringe a mobilidade
social no país.
Com base em dados nacionais e em experiências
internacionais, o artigo defende que a redução da
jornada de trabalho, sem redução salarial, deve ser
compreendida como política pública estruturante,
capaz de transformar o tempo livre em tempo
formativo e socialmente produtivo.
Nesse contexto, a PEC nº 8/2025 surge como
oportunidade histórica para articular políticas de
trabalho e educação, fortalecendo o direito à
aprendizagem ao longo da vida.
Os autores concluem que o fim da escala 6×1 e a
reorganização do tempo de trabalho são fundamentais
não apenas para melhorar a qualidade de vida, mas
também para promover desenvolvimento humano,
cidadania e uma economia mais justa e sustentável.
Leia aqui o artigo:
Tempo para aprender, tempo para viver: a redução da
jornada de trabalho como condição para o direito à
qualificação profissional no Brasil
Fonte: Rádio Peão Brasil

09/02/2026 -
Projeto reduz idade mínima para aposentadoria
especial de mineiros de carvão
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 66/25 propõe
novas regras para a aposentadoria especial de
trabalhadores que atuam na mineração subterrânea de
carvão. O texto busca reduzir a idade mínima exigida
para esses profissionais, alterando a Lei 8.213/91 e
ajustando os critérios estabelecidos após a Reforma
da Previdência de 2019.
A proposta está em análise na Câmara dos Deputados e
abrange especificamente os segurados expostos a
condições de risco à saúde habituais e permanentes
no subsolo.
Atualmente, o mineiro de subsolo precisa atingir uma
idade mínima de 55 anos ou uma pontuação (idade +
tempo) de 66 pontos para se aposentar. Isso criou um
conflito com a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), que restringe o trabalho em subsolo até os 50
anos, obrigando o profissional a trabalhar além do
limite de segurança ou mudar de função.
Idades mínimas
Pelo texto, a aposentadoria especial poderá ser
concedida quando o trabalhador alcançar a seguinte
combinação de idade e tempo de contribuição em
atividade de risco:
- 40 anos de idade: para quem tiver 15 anos de
contribuição em atividade especial (geralmente
frentes de produção no subsolo).
- 45 anos de idade: para quem tiver 20 anos de
contribuição em atividade especial (afastado da
frente de produção).
- 50 anos de idade: para quem tiver 25 anos de
contribuição em atividade especial.
Atividade insalubre
A autora do projeto, deputada Ana Paula Lima (PT-SC),
argumenta que a atividade de mineração subterrânea é
altamente insalubre, sujeitando os trabalhadores a
doenças graves como silicose, neoplasias e surdez,
além de alto risco de acidentes fatais.
Além da saúde, ela cita o Programa de Transição
Energética Justa (Lei 14.299/22), que prevê o
encerramento das atividades de mineração de carvão
em Santa Catarina até 2040.
"Uma justificativa plausível para a diferenciação
criada para o mineiro do carvão é o fato de que o
setor tem o fim das operações previsto para 2040",
afirma a deputada.
Ela ressalta que o impacto financeiro do projeto
será pequeno, já que a medida abrange um grupo
restrito de cerca de 2.800 trabalhadores em Santa
Catarina.
Regra de transição
O projeto também cria uma regra específica para quem
já trabalhava no setor entre a Reforma da
Previdência (novembro de 2019) e a aprovação desta
nova lei. Para este grupo, as idades mínimas variam
ligeiramente (40, 45 e 48 anos), dependendo do grau
de exposição e localização no subsolo.
O texto deixa claro que não haverá efeito
retroativo: quem já se aposentou com as regras
atuais não poderá pedir revisão com base na nova
lei.
Próximos passos
A proposta será analisada pelas comissões de
Previdência, Assistência Social, Infância,
Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e
de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto
está sujeito à análise do Plenário.
Fonte: Agência Câmara

06/02/2026 -
Seminário analisa projetos do Congresso que impactam
os trabalhadores em 2026
O “Observatório do Trabalho e da Classe
Trabalhadora”, do Instituto de Estudos Avançados (IEA),
inicia seu terceiro ano de atividades com uma missão
crítica: identificar os “fatos portadores de futuro”
no Legislativo. O 21º Seminário Interdisciplinar
terá como tema “Análise da conjuntura e das pautas
no Congresso Nacional que podem impactar a classe
trabalhadora”.
O evento, que ocorre em 24/02/2026, vai mapear e
debater projetos de lei em trâmite que têm o
potencial de afetar diretamente a vida, a saúde e os
direitos das pessoas que vivem do trabalho. A
questão central será: essas propostas representam
ameaças ou oportunidades para a classe trabalhadora?
Sob a coordenação de René Mendes, coordenador do
Observatório, o seminário contará com a palestra de
André Luís dos Santos, do DIAP e do próprio
Observatório. O debate será enriquecido com as
análises das debatedoras Vera Lúcia Navarro (FFCLRP/USP)
e Ana Claudia Moreira Cardoso (DIEESE), ambas
integrantes do Observatório.
A proposta é, a partir de um ambiente acadêmico,
plural e participativo, ouvir a classe trabalhadora
e buscar estratégias para influenciar o processo
legislativo. O objetivo é formular ações de
enfrentamento, aprimoramento das proposições ou até
contrapropostas mais avançadas, sempre visando a
construção de mundos do trabalho mais dignos,
saudáveis e comprometidos com a vida.
Serviço:
- Evento: 21º Seminário Interdisciplinar
do Observatório do Trabalho
- Tema: Análise da conjuntura e das pautas no
Congresso Nacional que podem impactar a classe
trabalhadora (2026)
- Transmissão: Canal do YouTube do IEA
- Inscrições: Público e gratuito, com inscrição
prévia (não haverá certificação)
- Organização: Observatório do Trabalho e da
Classe Trabalhadora do IEA
Conteúdo Relacionado:
- Análise da Conjuntura e das Pautas no Congresso
Nacional que Podem Impactar a Classe Trabalhadora
(2024)
- Análise da Conjuntura e das Pautas no Congresso
Nacional que Podem Impactar a Classe Trabalhadora
(2025)
Mais informações em:
https://www.iea.usp.br/eventos/analise-conjuntura-2026
Fonte: Diap

06/02/2026 -
NCST reforça a defesa da segurança dos trabalhadores
diante das mudanças climáticas na 3ª reunião do GTT
da NR-21
O diretor de Formação Sindical e Qualificação
Profissional da NCST e Presidente do Sinproverj,
André Dias Lavatori, representando a bancada dos
trabalhadores, participou no dia 4 de fevereiro da
3ª Reunião do Grupo de Trabalho Tripartite (GTT) de
revisão da Norma Regulamentadora nº 21 – Trabalho a
Céu Aberto.
A reunião integra o processo tripartite de revisão
da NR-21, que reúne representantes dos
trabalhadores, do governo e do setor empregador,
reafirmando a importância do diálogo social na
construção de normas voltadas à proteção da saúde e
da segurança no trabalho.
Neste terceiro encontro, foi dado mais um passo
importante na busca por avanços na NR-21, tendo como
ponto focal a segurança dos trabalhadores,
especialmente diante dos impactos das mudanças
climáticas sobre aqueles que exercem suas atividades
a céu aberto.
Durante os debates, a bancada dos trabalhadores
reforçou a necessidade de que a norma avance no
reconhecimento e enfrentamento dos riscos
relacionados à exposição ao calor extremo, às
condições climáticas adversas, à radiação solar, à
hidratação adequada, às pausas necessárias e à
adoção de medidas preventivas eficazes, garantindo
condições de trabalho mais seguras e dignas.
Para André Dias Lavatori, a revisão da NR-21 é
estratégica diante do novo cenário climático:
“As mudanças climáticas já impactam diretamente o
cotidiano dos trabalhadores que atuam a céu aberto.
Atualizar a NR-21 é uma medida urgente para garantir
proteção, prevenção e dignidade no ambiente de
trabalho.”
A NCST, por meio de sua representação no GTT da NR-21,
reafirma seu compromisso com a defesa da saúde, da
segurança e dos direitos dos trabalhadores, atuando
de forma firme e propositiva para que a norma esteja
alinhada à realidade atual do mundo do trabalho e
aos desafios impostos pelas transformações
climáticas.
Fonte: NCST

06/02/2026 -
Não há mais razão para manter escala 6x1 e jornada
de 44h, diz senador
Paulo Paim avalia que tema ganhou impulso no
Congresso
A redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais e o fim da escala 6x1, que concede um dia
de descanso a cada seis trabalhados, parecem ter
entrado de vez no radar legislativo no início de
ano.
Na mensagem enviada ao Congresso Nacional, na última
segunda-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva colocou o tema entre as prioridades do governo
para o semestre. No mesmo dia, o presidente da
Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB),
prometeu que o debate avançaria na Casa.
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor de uma das
propostas mais antigas em tramitação e que está
pronta para ser votada no plenário do Senado, aposta
que a popularidade do assunto em ano eleitoral e o
aparente empenho das autoridades são a melhor
oportunidade de aprovar essas conquistas
trabalhistas.
"Eu acho que o momento é muito propício. Nós temos a
posição do presidente Lula, que é fundamental; Ele
se posicionou em 1º de maio [do ano passado] e em
outras falas que ele fez, de que chegou a hora de
acabar com a escala 6x1. O próprio empresariado já
está meio que assimilando, o setor hoteleiro, o
comércio já se estão se enquadrando. Não tem mais
volta, é só uma questão de tempo", afirmou em
entrevista à Agência Brasil.
Matéria completa:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/nao-ha-mais-razao-para-manter-escala-6x1-e-jornada-de-44h-diz-senador
Fonte: Agência Brasil

06/02/2026 -
Nova Central participa do lançamento do Pacto contra
o Feminicídio
Representando a Nova Central Sindical de
Trabalhadores (NCST) e entidades do movimento
sindical, Fanny Melo, diretora suplente da Diretoria
da Infância, Adolescência e Juventude da NCST, e
Gabriela Perfeito, presidente do Sinditamaraty,
participaram, nesta quarta-feira (4/2), do
lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao
Feminicídio, no Palácio do Planalto.
O pacto prevê a atuação coordenada e permanente dos
Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência
contra meninas e mulheres em todo o Brasil. Segundo
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a principal
novidade da iniciativa é o reconhecimento, pela
primeira vez, de que a responsabilidade pela defesa
das mulheres não é apenas delas e sim uma
responsabilidade de toda a sociedade, com papel
central dos homens.
“Não basta não ser um agressor. É preciso lutar para
que não haja mais agressões. Cada homem deste país
tem uma missão a cumprir”, declarou o presidente
Lula.
Durante o evento, Fanny Melo destacou a relevância
histórica do pacto. “É um dia histórico para todas
as meninas e mulheres do país”, afirmou, ao reforçar
o chamado à mobilização nacional: “Todos por todas,
todos contra o feminicídio”.
O presidente também destacou a importância da
conscientização desde a infância. “Estamos tentando
conscientizar as crianças, porque esse é um dever de
professores e professoras. É um tema que vai da
creche à universidade. Esta é a possibilidade de
criarmos uma nova civilização, em que não seja o
sexo a fazer a diferença, mas o comportamento, o
respeito”, disse.
Lula ainda falou sobre o papel das entidades
sindicais: “Para o movimento sindical brasileiro,
estamos dizendo que este é um tema de porta de
fábrica e de assembleia de trabalhadores. O que
estamos dizendo para deputados e deputadas é que
este deve ser um tema presente em todos os seus
discursos”.
Com informações da Agência Brasil
Fonte: NCST

06/02/2026 -
CNI aponta juros como responsáveis por desaceleração
da indústria
Entidade comentou pesquisa do IBGE sobre
atividade industrial
O alto nível da Taxa Selic - juros básicos da
economia - foi o principal responsável pela
estagnação da indústria no fim de 2025, avaliou a
Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao
comentar a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada
nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a entidade, o ciclo de juros altos,
atualmente em 15% ao ano, encareceu o crédito e
drenou o apetite dos consumidores. O cenário foi
agravado por uma demanda interna insuficiente e pelo
avanço das importações, que capturaram parte
significativa do mercado brasileiro, sustenta a CNI.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles,
avalia como “enorme” o prejuízo causado pelos juros.
“O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o
crédito ao setor produtivo, que segurou
investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores
por produtos industriais. O prejuízo causado pelos
juros altos é enorme. Em 2024, com a Selic menor, a
demanda doméstica por bens da indústria de
transformação cresceu quatro vezes mais do que a
demanda registrada até novembro de 2025”, ressaltou
Telles, em nota.
Esse enfraquecimento, ressaltou o diretor da CNI,
resultou em estoques acima do planejado e na queda
de 0,2% na produção da indústria de transformação,
que converte matérias-primas em bens de consumo.
A análise da confederação também alerta para a
pressão externa: as compras de bens de consumo no
exterior saltaram 15,6% no ano passado. Ao mesmo
tempo em que a indústria nacional reduzia o ritmo,
os produtos importados preenchiam as lacunas,
dificultando qualquer tentativa de recuperação do
empresariado local ao longo dos dois semestres de
2025.
Fonte: Agência Brasil

06/02/2026 -
Duas
leituras; por João Guilherme
Às vezes o excesso de ingredientes (e de
ingredientes ruins) azeda o bolo.
Foi o que constataram os leitores da versão impressa
de O Globo de domingo (01/02/26) cuja manchete na
capa procurando explicar a taxa historicamente baixa
de desemprego não a atribuindo somente ao
crescimento do PIB, dizia que “do digital à lei,
fatores estruturais redesenham o trabalho”.
Para demonstrar a tese a jornalista Mayra Castro,
cumprindo a pauta em matéria de página inteira,
descreveu a nova dinâmica de um mercado redesenhado
com o desemprego estacionado no piso com cinco
fatores explicativos.
Diligentemente a jornalista foi ouvir
“especialistas” no assunto e de suas elucubrações
resumiu os cinco fatores:
1) Demografia; 2) educação; 3) digitalização; 4)
plataformização e 5) regras trabalhistas.
Posso aceitar, com ressalvas, os quatro primeiros
apesar da generalidade envolvida neles, mas impugno
fortemente o quinto fator – a deforma trabalhista de
2017.
Para minha satisfação o próprio gráfico do
desemprego reproduzido no corpo da reportagem
desmentia esse fator causal porque sua incidência
não afetou a curva alta e horizontal nos governos de
Temer e Bolsonaro, passando pela pandemia.
Somente a partir da retomada do crescimento a curva
de desemprego cai, obviamente apesar da deforma.
Já que estamos lendo jornais impressos quero
destacar no Valor de segunda-feira (02/02/26) o
registro dos 90 anos de salário-mínimo no Brasil,
pelo artigo do professor João Saboia, artigo que
merece ser reproduzido em todos os sistemas de
comunicação sindicais.
João Guilherme Vargas Netto é assessor sindical
Fonte: Agência Sindical

05/02/2026 -
Lula mostra a trabalhadores ganhos com IR zero
O Presidente Lula reuniu dia 2 (segunda-feira), no
Palácio do Planalto, um grupo de 12 trabalhadores
para conversar sobre os ganhos com a isenção do
Imposto de Renda nos salários até R$ 5 mil. A
isenção decorre de Projeto de Lei do próprio
Presidente, aprovado pelo Congresso no final de
novembro, pra valer a partir de janeiro de 2026.
No vídeo oficial, o Presidente, ao mostrar a redução
do IR e, portanto, a elevação dos ganhos, pediu que
as pessoas confiram “o holerite ou o pagamento, pra
ver se o desconto foi aplicado corretamente”.
Várias pessoas falaram com Lula de seus casos. Um
vigilante da EuroSeg confirmou que o IR não foi
descontado. Para outro trabalhador, “com o que
economizarei por mês quero comprar uma televisão pra
pôr no quarto e assistir o meu São Paulo”. Outra
Servidora, que recebe salário maior, afirmou que
economizará perto de R$ 200,00 todo mês.
Um falou em comprar TV, outro em investir o que
economizará com o imposto. Lula complementou: “Esse
é um primeiro passo. O pobre e assalariado não têm
porquê pagar Imposto de Renda”.
CLIQUE AQUI – Assista ao vídeo de dois minutos.
DIEESE – Acesse o
Dieese e a calculadora mostrará os novos valores
salariais.
Fonte: Agência Sindical

05/02/2026 -
Pejotização em xeque redefine o futuro do trabalho
no Brasil
Suspensão de processos e debate sobre contratos PJ
põem em tensão direitos trabalhistas, segurança
jurídica e mercado e relações de trabalho
O STF (Supremo Tribunal Federal) tornou-se o
epicentro de uma das mais intensas discussões
jurídicas e sociais sobre o mundo do trabalho no
País: a chamada “pejotização”, sobre a contratação
de trabalhadores como PJ (pessoas jurídicas), em vez
de pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
A controvérsia, que agora concentra o Tema 1389 de
repercussão geral, suspendeu desde abril de 2025
todos os processos no Brasil que questionam a
licitude dessas contratações, até que a Corte
definitivamente decida sobre o assunto.
“A controvérsia sobre a expansão de casos de
fraudes, em que trabalhadores são compelidos a atuar
como supostas empresas, desafia a própria capacidade
de o Estado garantir trabalho decente e seguridade
social”, alertou a Anamatra (Associação Nacional das
Magistradas e dos Magistrados da Justiça do
Trabalho) ao pedir ingresso no processo como amicus
curiae.
SUSPENSÃO EM MASSA E SEGURANÇA JURÍDICA
Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes, relator do
Tema 1389, determinou que todos os processos em
curso que discutem o reconhecimento de vínculo
empregatício em contratos de prestação de serviços
via pessoa jurídica sejam colocados em espera até o
julgamento final.
A medida, prevista para 2026, busca pacificar
entendimentos divergentes entre a Justiça do
Trabalho (TST) e o STF.
O julgamento não trata apenas da licitude de
contratar PJ, mas também de quem é competente para
julgar essas disputas e como deve ser distribuído o
ônus da prova nesses casos; se cabe ao trabalhador
provar a fraude ou à empresa justificar a validade
do contrato.
CHOQUE DE ENTENDIMENTOS: TST X STF
Enquanto a Justiça do Trabalho tende a reconhecer
vínculos empregatícios quando houver fraude —
aplicando o princípio da primazia da realidade — o
STF tem demonstrado maior abertura à liberdade de
organização econômica e à flexibilização contratual
em precedentes recentes.
Juízes trabalhistas criticaram veementemente a
suspensão dos processos. Em atos pelo País,
magistrados defenderam que é a Justiça do Trabalho
que, historicamente, “desmascara a fraude para dizer
se há vínculo de emprego”.
E que transferir essa análise para a Justiça comum
pode enfraquecer a proteção social.
“A Justiça do Trabalho recebeu a missão
constitucional da pacificação social dos conflitos
trabalhistas… negar isso seria enfraquecer o sistema
de proteção social que garante o equilíbrio entre
capital e trabalho”, entendem os juízes
representantes das associações da categoria.
AUDIÊNCIA PÚBLICA E ALERTAS DOS PODERES EXECUTIVO
E TRABALHO
Em outubro de 2025, audiência pública no STF reuniu
ministros do Trabalho e da AGU (Advocacia-Geral da
União), que defenderam que a pejotização pode
corroer direitos trabalhistas e o sistema de
Seguridade Social.
“Não há liberdade real quando a única alternativa é
abrir um CNPJ para manter o sustento da família. Não
há autonomia quando o mercado impõe a ‘pejotização’
como condição para o emprego”, afirmou Jorge
Messias, advogado-geral da União.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho,
acrescentou que o fenômeno prejudica o sistema de
arrecadação e fragiliza direitos, colocando em risco
pilares da proteção social, como Previdência e FGTS.
IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS SOB A LUPA
Especialistas apontam que a decisão do Supremo afeta
mercados inteiros — da tecnologia à saúde — e
empresas que adotam modelos de contratação
alternativos, gerando incerteza jurídica enquanto o
Tema 1389 não for decidido.
Críticos destacam também problemas práticos vividos
por trabalhadores pejotizados, como pagamentos em
prazos extensos — 90, 120 ou até 150 dias —, que
agravam a vulnerabilidade econômica desses
prestadores de serviço.
JULGAMENTO QUE DEFINE RUMOS
Especialistas ouvidos por fontes jurídicas afirmam que
o julgamento do STF não apenas definirá a legalidade
da pejotização, mas também os limites entre
autonomia contratual e proteção social
constitucionalmente garantida. Isso poderá impactar
profundamente as relações de trabalho e emprego no
Brasil.
Com milhares de processos suspensos em todo o País,
a decisão final sobre o Tema 1389 promete ser marco
na jurisprudência trabalhista, sinalizando se o País
reforçará a proteção ao trabalhador ou abrirá
caminho para formas mais flexíveis de contratação.
Fonte: Diap

05/02/2026 -
Paim defende redução da jornada de trabalho e fim da
escala 6x1
O senador Paulo Paim (PT-RS), em pronunciamento no
Plenário nesta terça-feira (3), defendeu a aprovação
de propostas que reduzem a jornada de trabalho
semanal e põem fim à escala 6x1. Paim destacou a
proposta de emenda à Constituição de autoria dele
que estabelece no máximo 40 horas por semana, sem
redução salarial, e prevê novas reduções ao longo do
tempo. A PEC 148/2015 já foi aprovada pela Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronta para
análise do Plenário.
— Sublinho: fim da escala 6x1 [seis dias trabalhados
e um de descanso] e adoção da jornada de trabalho de
40 horas semanais, jornada 5x2. Em um segundo
momento, a proposta prevê a redução de uma hora por
ano até chegarmos às 36 horas semanais. A longo
prazo, teríamos então a escala 4x3. Isso é uma
tendência mundial, significa menos rotatividade,
menos acidentes, mais qualidade de vida, mais tempo
com a família, mais qualificação profissional e
também mais empregos — disse.
O senador explicou que outras proposições com o
mesmo objetivo tramitam no Congresso e disse que a
prioridade deve ser a causa, independentemente de
quem for o autor. Ele citou dados e avaliações de
entidades e especialistas para sustentar que a
redução da jornada pode ter impacto econômico
positivo e beneficiar milhões de trabalhadores
formais. Também relatou experiências adotadas por
países e empresas que já implementaram a escala 5x2.
— O fim da escala 6x1 no Brasil representa uma das
maiores transformações sociais e trabalhistas da
história do país, ampliando o bem-estar e a
dignidade da classe trabalhadora. Trata-se de um
avanço civilizatório, compatível com a Constituição
e com os direitos humanos. O mais importante é a
causa: fazer justiça à classe trabalhadora,
assegurando qualidade de vida, mais tempo com a
família e maiores oportunidades — declarou.
Paim ainda lamentou a morte do frade franciscano
Frei Sérgio Antônio Görgen, dirigente histórico do
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O senador
destacou a trajetória do líder na defesa da
soberania alimentar, da justiça social e dos
direitos dos pequenos agricultores.
— Sua ausência deixa um silêncio pesado na caminhada
do povo do campo, mas seu legado de soberania
alimentar, dignidade camponesa e justiça social
permanece vivo em cada semente crioula lançada à
terra — declarou.
Fonte: Agência Senado

05/02/2026 -
Governo deve enviar projeto sobre fim da escala 6x1
após o Carnaval
Proposta do Executivo será enviada com urgência
constitucional. Governo quer liderar o debate e não
aproveitará textos em discussão no Congresso,
segundo Lindbergh.
O presidente Lula deve encaminhar ao Congresso
Nacional, logo após o Carnaval, um novo projeto de
lei para acabar com a escala de trabalho 6x1.
Segundo o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que
deixou nessa terça-feira (3) a liderança da bancada,
a proposta será enviada com urgência constitucional
e é tratada como uma das principais prioridades do
Palácio do Planalto neste início de ano legislativo.
De acordo com Lindbergh, o Executivo optou por
apresentar um texto próprio e não pretende
aproveitar projetos que já tramitam no Congresso
sobre o tema. A estratégia, afirmou, é inaugurar
formalmente o debate a partir de uma iniciativa do
governo.
"O governo deve enviar um projeto de lei depois do
carnaval. Esse é um debate central e uma prioridade
do presidente Lula", disse o parlamentar.
Propostas com urgência constitucional precisam ser
apreciadas em até 45 dias em cada Casa do Congresso.
Caso o prazo não seja cumprido, a pauta de votações
fica trancada, o que tende a colocar o tema no
centro da agenda política.
A proposta aparece na lista de prioridades do ano
tanto do governo quanto do presidente da Câmara,
Hugo Motta (Republicanos-PB).
Tema central da agenda do governo
Para Lindbergh, o fim da escala 6x1 será a próxima
grande bandeira do governo após o avanço de medidas
voltadas ao aumento da renda das famílias. Segundo
ele, o debate passa a ocupar espaço central na
discussão política nacional.
"O debate do Imposto de Renda está superado, e a
próxima bandeira do governo é o fim da escala 6x1,
que, com a urgência constitucional, vira o centro da
discussão política no país", completou.
Além da mudança na jornada de trabalho, Lindbergh
destacou que outra prioridade do PT deve entrar na
pauta do Congresso nos próximos meses: a
regulamentação do trabalho por meio de aplicativos.
Segundo ele, o objetivo é garantir direitos aos
trabalhadores do setor.
Governo não usará textos em tramitação
Atualmente, o debate sobre o fim da escala 6x1 no
Congresso está concentrado em propostas de emenda à
Constituição que reduzem a jornada semanal sem corte
salarial. Na Câmara, a principal iniciativa é a PEC
8/2025, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que
limita a semana de trabalho a quatro dias, com três
de descanso. No Senado, a PEC 148/2015, de autoria
do senador Paulo Paim (PT-RS), segue linha
semelhante.
Apesar de estarem em estágio inicial de tramitação,
essas propostas ganharam visibilidade ao serem
incluídas entre as prioridades do Congresso em 2026.
Ainda assim, segundo Lindbergh, o governo não
pretende apensar seu projeto a esses textos,
apostando em uma proposta própria do Executivo para
conduzir o debate.
Aceno à presidência da Câmara
O líder do PT também sinalizou um ambiente mais
favorável ao diálogo entre o Planalto e a Câmara dos
Deputados. Segundo ele, o presidente da Casa, Hugo
Motta (Republicanos-PB), tem demonstrado disposição
para avançar em pautas de interesse do governo.
"Estamos começando o ano com a pauta tranquila.
Motta colocou para votar o Gás do Povo e agora
sinalizou que quer votar a 6x1. Também conversou com
o ministro Guilherme Boulos sobre a regulamentação
do trabalho por aplicativo. Estamos confiantes de
que estaremos mais afinados", afirmou.
Fonte: Congresso em Foco

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