Publicação: 24/02/2025
A fragilidade democrática
e os riscos da ascensão da extrema direita no Brasil - Um alerta para a
classe trabalhadora
José Reginaldo Inácio
Presidente da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria (CNTI)
As
recentes denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR) trouxeram à
tona uma realidade perturbadora: a democracia brasileira esteve à beira
de um colapso. As investigações revelam que faltou muito pouco para que
o país mergulhasse novamente em um regime autoritário, com a supressão
de direitos sociais, políticos e a perseguição sistemática de
adversários ideológicos. Esse cenário não é apenas uma ameaça abstrata;
é um risco concreto que paira sobre a classe trabalhadora e toda a
sociedade brasileira.
A ascensão da extrema direita no Brasil, alinhada a um modelo econômico
neoliberal, representa um perigo iminente para os direitos conquistados
a duras penas por trabalhadores e trabalhadoras. Esse projeto político
busca reduzir o Estado, cortar investimentos em políticas sociais e
desmontar serviços essenciais, como saúde, educação e previdência. Para
milhões de brasileiros que dependem dessas políticas, o resultado seria
a perda de cidadania e o aprofundamento das desigualdades.
O impacto para a classe trabalhadora
Nos últimos anos, a classe trabalhadora já sentiu os
efeitos devastadores de políticas que privilegiam o lucro em detrimento
dos direitos básicos. A Reforma Trabalhista de 2017 e a Reforma da
Previdência foram golpes duros, que precarizaram as relações de trabalho
e reduziram a proteção social. Agora, com as Big Techs no controle dos
algoritmos que têm o poder de esvaziar ou ampliar o impacto das
informações ou dados que circulam na internet, com a ampliação do
alinhamento internacional da extrema direita. Corremos o risco de ver
esses retrocessos se consolidarem e se ampliarem caso a extrema direita
novamente assuma o poder Executivo e/ou amplie sua participação no
Legislativo brasileiro.
A denúncia da PGR não apenas expõe a mais recente e organizada tentativa
de golpe, mas também evidencia a fragilidade do nosso sistema
democrático e das nossas instituições, que por muito pouco não foram
solapadas. Embora tenhamos conseguido evitar o pior, graças à
resistência de instituições republicanas e da sociedade civil, a ameaça
continua presente. A democracia brasileira, ainda que imperfeita,
assegura a participação popular no processo eleitoral e a possibilidade
de lutar por mudanças, em que pese o desequilíbrio econômico e a
correlação de força desproporcional das campanhas eleitorais. Mas, se
permitirmos o avanço de forças autoritárias, no Brasil representadas
pela extrema direita, até mesmo essa possibilidade estará em risco.
O momento atual e os desafios futuros
O que essa denúncia representa para a classe
trabalhadora? Em primeiro lugar, é um alerta. Precisamos estar atentos
às pautas que estão sendo discutidas no Congresso Nacional e à
correlação de forças que se desenha no cenário político. A extrema
direita tem buscado se fortalecer, e suas propostas representam um
retrocesso para as condições sociais e laborais dos trabalhadores e das
trabalhadoras.
No entanto, esse também é um momento de reflexão e ação. A denúncia da
PGR pode ser um ponto de partida para reforçarmos a defesa da democracia
e dos direitos sociais. Precisamos construir um diálogo amplo e
fortalecer as organizações que representam os interesses da classe
trabalhadora. A união entre movimentos sociais, sindicatos e partidos
progressistas é essencial para enfrentar os desafios que estão por vir.
2026: uma encruzilhada histórica
As eleições de 2026 serão um marco decisivo para o
futuro do Brasil. Não se trata apenas de uma disputa entre direita e
esquerda, mas de uma escolha entre a civilização e a barbárie. A extrema
direita, inspirada em modelos internacionais como o de Donald Trump nos
EUA, busca impor uma agenda de retrocessos que ameaça a própria
existência de um Estado democrático e social.
Cabe a nós, trabalhadores e trabalhadoras, decidir se queremos um país
aonde os direitos sociais sejam respeitados, aonde a democracia seja
plena e aonde todos tenham a oportunidade de interferir nos rumos
políticos e econômicos. Se for essa a decisão, há muito por fazer. A
denúncia da PGR nos lembra que a luta pela democracia e pela justiça
social não pode parar.
Conclusão
A classe trabalhadora não pode se dar ao luxo de ser
espectadora nesse momento crucial da história do Brasil. Precisamos nos
mobilizar, organizar e lutar por um projeto de país que priorize a
dignidade, os direitos e a participação popular. A democracia é frágil,
mas também é resistente quando há união e determinação organizada.
Que as denúncias da PGR sirvam como um chamado à ação. O futuro do
Brasil depende de nós! Não podemos permitir que a extrema direita e seus
projetos neoliberais destruam o que tanto lutamos para construir. A hora
é agora, e a responsabilidade é de todos nós.

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