Publicação: Terça-feira, 18 de março de 2025
Democracia sob ataque: a escalada
autoritária da extrema direita e o papel do sindicalismo na defesa das
conquistas civilizatórias

A democracia e a soberania dos povos estão sob cerco. Nos Estados
Unidos, na Argentina e no Brasil, a ascensão da extrema direita e suas
políticas autoritárias têm colocado em risco conquistas históricas da
classe trabalhadora e ameaçado a própria estrutura das sociedades
democráticas.
A prisão de Mahmoud Khalil, líder estudantil pró-Palestina nos EUA, a
repressão violenta a aposentados na Argentina e as tentativas de golpe
no Brasil, em 2022 e 2023, são exemplos claros de uma escalada global
antidemocrática e autoritária que busca silenciar vozes dissidentes,
desmontar direitos sociais e consolidar um projeto ultraneoliberal.
Diante desse cenário, o sindicalismo, com suas assembleias autônomas,
populares, democráticas e mobilizadoras precisa emergir como uma
barreira indispensável na defesa da democracia, dos direitos
(individuais e coletivos) e da justiça social.
A experiência recente do México, liderada pela presidente Cláudia
Sheinbaum, mostra como a mobilização popular e a comunicação direta
podem fortalecer a resistência contra as ameaças à soberania nacional.
Sem soberania, sem democracia: pilares vitais para um povo
verdadeiramente livre.
No México, Sheinbaum reuniu mais de 350 mil pessoas na histórica
assembleia da Praça do Zócalo, em 9 de março de 2025, para celebrar a
suspensão das tarifas impostas por Donald Trump e reafirmar a soberania
do país. Essa mobilização massiva, que ultrapassa os limites da mídia
tradicional, politiza a população e consolida um amplo apoio às agendas
governamentais e precisa ser adotada exemplarmente no Brasil. A
estratégia de Sheinbaum, baseada no diálogo e na firmeza, inspira os
mexicanos a defenderem ativamente seus direitos e sua autonomia. O
sucesso dessa iniciativa reforça a importância das assembleias como
espaços democráticos e autônomos, capazes de unir a população em torno
de causas comuns e enfrentar as pressões internas e externas.

Nesse contexto, o sindicalismo assume um papel
central como força de resistência e mobilização. A Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Indústria - CNTI e outras entidades
sindicais têm a responsabilidade histórica de unir e organizar a classe
trabalhadora, fortalecer a luta por direitos e combater a ascensão de
projetos políticos que ameaçam a democracia.
No dia 15 de março celebramos os 40 anos de retomada da democracia,
o seu mais longo período em nossa história. Sabemos que o sindicalismo
foi crucial em sua retomada e manutenção, mesmo nos momentos agudos de
vulnerabilidade democrática ocorridos em 2016 com o golpe contra a
presidente Dilma e os 6 anos que o sucederam.
A defesa da liberdade de expressão, da autonomia das assembleias, dos
direitos sociais e da justiça social dependem da capacidade de
organização e mobilização dos trabalhadores e, a contar de 2016, são
ações, conquistas, alicerces fundamentais à democracia e soberania de
qualquer nação, que foram duramente atingidos e permanecem degradados.
É importante reforçar que as eleições de 2026 no Brasil serão um
marco decisivo. Por isso, a união entre sindicatos, movimentos
sociais populares e partidos progressistas, unidos e organizados para
uma mobilização classista e popular, será determinante para garantir um
futuro de dignidade e democracia. Para que isso ocorra, é urgente,
determinante para a realidade democrática viger no país, transpor e
romper com o antissindicalismo.
Notadamente, desde 2017, a prática antissindical está estruturada em
lei e se impõe legitimada e mantida pelo Estado brasileiro. Razão
pela qual, com ardil e mentiras, essa prática é ampliada e disseminada
pela grande mídia e em redes sociais sob comando e mando de corporações
empresariais e econômicas.
A hora é de resistir, agir e até mesmo insurgir se necessário. A
democracia, embora frágil, mostra sua força quando união, organização e
determinação se encontram.
O sindicalismo não pode se calar diante de atos estatais e patronais,
das ameaças contra à classe trabalhadora e às instituições democráticas
populares e das práticas antissindicais.
É chegada a hora do levante. Mobilizar, lutar e construir um
projeto de país que coloque a justiça social, a participação popular e a
defesa intransigente dos direitos conquistados no centro de suas
prioridades.
O futuro não é uma incógnita distante – ele é presente e está em nossas
mãos. E a luta, essa, a sindical, não pode parar.
É sempre importante, em períodos como esse, desafiadores à ação
sindical, recordar nosso histórico líder José Calixto Ramos: “o
movimento sindical é uma chama que nunca se apaga!”
Avante camaradas!
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria CNTI

|