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Publicação: 19/07/2026
CNTI 80 ANOS
A
soberania brasileira não se rende ao
arbítrio: 19 de julho de 2026, 80 anos,
mobilização e ação, passividade jamais!
por José Reginaldo Inácio
Em
19 de julho de 2026, a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria
completou 80 anos de luta, suor e
conquistas. Fundada na esteira do
processo constitucional de 1946, a CNTI
atravessou ditaduras, golpe
civil-militar (1964) e institucional
(2016), planos econômicos arrasadores,
hiperinflação, ruptura da autonomia
sindical, pandemia e crises globais,
sempre de pé, defendendo o chão de
fábrica e a dignidade do operário
brasileiro.
No entanto, neste exato momento em que
nos preparamos para celebrar esse
Jubileu, o governo Trump reproduz o seu
golpe rasteiro contra o nosso parque
produtivo — não por razões comerciais,
mas por chantagem geopolítica,
tentativa de manter o seu sistema de
dominação e subserviência política.
A data que deveria ser de festa se
transforma, por força das
circunstâncias, num dos momentos mais
urgentes de mobilização desde a nossa
fundação. Jamais poderíamos celebrar
com discursos vazios, enquanto o
desemprego ronda os portões das fábricas
e preocupa a população trabalhadora.
Por isso, a CNTI vem a público, por seus
milhões de trabalhadores e trabalhadoras
que constroem o Brasil com capacidade
técnica, suor e dedicação, repudiar com
a máxima contundência a sobretaxa
criminosa imposta pelo governo Trump à
nossa produção. Não nos enganemos: por
trás dos cifrões e das pautas
alfandegárias, está a tentativa vil
de estrangular o pão de cada família
trabalhadora para atender aos
caprichos eleitorais e à subserviência
política de uma ala golpista no Brasil.
A indignação nacional se agrava ao
constatar que esse movimento não é
econômico, mas, sim, chantagem
geopolítica escancarada. O governo
Trump tenta punir o Brasil por ter um
governo democraticamente eleito que atua
para afirmar o princípio inegociável da
soberania nacional. A Casa Branca
atua como verdadeiro cabo eleitoral
estrangeiro. Articula nos bastidores
com o pré-candidato à presidência, o
filho de ex-presidente condenado, cuja
atitude é movida por incapacidade
política, submissão e declarações
vexatórias de admiração ao
tirano-fascista de Washington.
O tarifaço atinge o coração pulsante da
nossa matriz produtiva, motivo pelo qual
não podemos nos curvar a arbítrios
estrangeiros. Afinal, para além destas
oito décadas, ensinamos ao mundo que o
trabalhador industrial brasileiro é
resiliente. Extraímos minério e
vegetais, forjamos aço e produzimos
papel, fibra, tecido, farmacêuticos,
bioplástico..., montamos veículos,
tecemos roupas e calçados que vestiram
nações. Agora, por vilania, chantagem e
extorsão querem nos reduzir a
estatísticas de cancelamento de
contratos. Não passarão.
A chantagem e a ingerência são, na
realidade, a figuração da sustentação de
mais um tiro errático da vassalagem.
Fica cada vez mais evidente que esse
tarifaço é, de novo, a tentativa
desesperada de interferir no nosso
processo político, alinhando o Brasil a
um pré-candidato sabujo, submisso a
Trump. Ao completarmos 80 anos,
reafirmamos nosso compromisso
inegociável com a autonomia nacional. O
Brasil não é quintal, e o seu povo
trabalhador não aceita tutela.
Defendemos nossa soberania territorial,
nosso solo, nossa indústria e o Pix,
nossa soberania monetária, nosso sistema
de pagamento como patrimônio do povo —
assim como defendemos a Constituição
Federal de 1988, a CLT, a Previdência
Social, o SUS..., conquistas dessas 8
décadas de existência.
O absurdo atinge níveis inaceitáveis
quando tentam condicionar nossa política
comercial à extinção do Pix — o sistema
que democratizou os pagamentos e incluiu
os mais pobres no sistema financeiro.
Essa ingerência é uma violação brutal à
nossa soberania institucional. A CNTI
defende com unhas e dentes a autonomia
do Brasil. Não trocaremos nossos
sistemas populares por migalhas de um
acordo comercial subserviente.
É imperativo lembrar que durante o
governo de Jair Bolsonaro, aliado a
setores golpistas e entreguistas,
promoveram o maior sucateamento da
história do Ministério do Trabalho,
inclusive com a sua extinção. Reduziram
a equipe de auditores-fiscais,
paralisaram as "listas sujas" do
trabalho análogo à escravidão, cortaram
orçamento das equipes de fiscalização e
transformaram órgãos de controle em
carcaças vazias. Eles desmontaram a
blindagem trabalhista do país.
Agora, a administração Trump —
entusiasticamente aplaudida por esses
mesmos setores — também se utiliza desta
desestruturação, provocada por eles,
como parte da justificativa formal para
impor sobretaxa sobre a produção
brasileira, alegando suposta "falha na
proibição de produtos ligados ao
trabalho forçado".
Eis o paradoxo máximo da subserviência:
o eleitor do agronegócio e da indústria
exportadora aplaude Trump, mas Trump usa
as próprias falhas estruturais que esse
eleitor ajudou a cavar para fechar as
portas do mercado americano. É a direita
nacional carcomida sendo executada pela
própria arma que afiou contra a classe
trabalhadora.
Não nos enganemos: o alvo real é
nossa soberania industrial e a autonomia
do governo Lula, mas a máscara usada é a
de "defensor dos direitos humanos" —
ironia máxima vinda de um governo que
prende crianças na fronteira, as separa
de seus familiares, sustenta e provoca
genocídios, em total desprezo a tratados
internacionais. A CNTI denuncia essa
hipocrisia com a mesma força com que
denunciou o desmonte de Bolsonaro.
Do governo Lula esperamos que realmente
use toda a força da Lei de
Reciprocidade, mas que vá além. Medidas
que protejam e cheguem ao bolso do
trabalhador, uma reciprocidade com
rosto humano e novos horizontes:
subsídio emergencial à folha de
pagamento, proibição de demissões nos
setores afetados enquanto durar a crise
e ampliação do crédito para realocar a
produção. Ao mesmo tempo, que o Brasil
fortaleça, acelere e estabeleça novos
acordos com o BRICS, a África, a Ásia e
União Europeia.
O Estado brasileiro deve, imediatamente,
erguer barreiras defensivas robustas
contra o dumping norte-americano
e adotar um choque de competitividade
interno, porém rigoroso em
contrapartidas sociais, porque é
inadiável acelerar políticas agressivas
de conteúdo nacional, conceder
incentivos fiscais emergenciais à
produção doméstica e abrir linhas de
crédito subsidiadas, que reorientem
nossa capacidade exportadora para rotas
e mercados que respeitam a mão de obra e
a soberania dos povos.
Os 80 anos da CNTI e a defesa do
trabalho decente como soberania,
confirmam nestas oito décadas que
fiscalização trabalhista não é gasto, é
investimento garantir dignidade na vida
laboral digna e para a reputação do país.
A CNTI sempre defendeu o combate ao
trabalho análogo à escravidão — não para
agradar gringo, mas porque é dever por
princípio institucional e ético. No
entanto, recusamos que a luta contra a
exploração do trabalho seja usada como
chantagem protecionista por um país que
nunca respeitou os direitos mínimos dos
seus próprios trabalhadores.
Em 19 de julho de 2026, a CNTI não
apenas completa 80 anos, mas também nos
faz ecoar em uma só voz: "trabalho
decente é soberania", unindo
sindicatos, federações, confederações,
centrais, movimentos sociais e
produtores conscientes pela dignidade
humana no trabalho. Assim, convocamos
todas as entidades a nós filiadas e
vinculadas, as federações e os
sindicatos, as categorias da base e toda
a classe trabalhadora a transformar esse
ataque em uma grande jornada nacional
de lutas pela soberania.
O Brasil é gigante, detém minerais
críticos, reservas energéticas e um
parque industrial resiliente. Não nos
dobraremos. Responderemos com
inteligência, reciprocidade e, acima de
tudo, com a luta digna de um povo que
não negocia sua liberdade. Não há
desenvolvimento sem autonomia e não há
autonomia para quem se ajoelha a
pressões externas ou se deixa levar por
ufanismos vazios de servilismo.
A história de 80 anos da CNTI não será
manchada pela submissão. O trabalhador
brasileiro já enfrentou ditaduras,
golpes, crises hiperinflacionárias e
planos de arrocho. A tarifa de Trump,
sustentada por escombros deixados pela
direita golpista, vassala e carcomida,
não nos curvará.
Unidos, punho erguido! “De um povo
heroico o brado retumbante”:
O Brasil não é colônia. O trabalho
não é mercadoria. E a soberania não se
negocia. Nem com tarifas, nem com
subserviência.
Brasília, 19 de julho de 2026.
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria (CNTI)
80 anos de luta.
Um futuro de soberania.

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