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Publicação: 10/06/2026
Depois de
derrubar a Idade Mínima da Aposentadoria
Especial no STF, a CNTI leva à justiça
nova batalha pela saúde dos
trabalhadores e das comunidades
impactadas pela Mineração

Primeiro a CNTI derrubou a barreira
da idade mínima para quem adoece
trabalhando. Agora busca atacar os
causadores e as causas que adoecem
trabalhadores e comunidades inteiras.
Chega de transformar pulmões em
lucro: a mineração tem uma dívida à
saúde e à vida dos trabalhadores e das
populações dos municípios mineradores.
Existem perguntas que precisam ser
respondidas: Quanto vale um pulmão?
Quanto vale a respiração de um
trabalhador? Quanto vale a saúde de uma
criança que cresce respirando poeira
mineral? Quanto vale a vida de uma
comunidade inteira exposta diariamente
aos impactos da mineração?
No dia 3 de junho de 2026, o Supremo
Tribunal Federal reconheceu, na ADI
6309, a inconstitucionalidade da
exigência de idade mínima imposta pela
Emenda Constitucional nº 103/2019 para a
aposentadoria por condição especial de
trabalho.
Foi uma conquista histórica. Uma
conquista construída pela CNTI em defesa
daqueles que trabalham expostos ao
ruído, à poeira, aos agentes químicos,
aos metais pesados, às substâncias
cancerígenas e aos diversos riscos que
reduzem a expectativa e a qualidade de
vida, ou que provocam a invalidez
permanente ou a morte.
O STF reconheceu uma verdade simples:
quem perde saúde ou coloca sua vida em
risco trabalhando não pode ser obrigado
a permanecer trabalhando até atingir uma
idade arbitrária. Portanto, é importante
ressalvar: a luta que pode terminar na
aposentadoria, começa muito antes.
Começa no ambiente de trabalho. Começa
no ar que se respira. Começa na
prevenção do adoecimento e/ou da
fatalidade.
Por isso, apenas cinco dias após essa
importante conquista constitucional, a
CNTI, juntamente com a ANAMMA e a
Associação Civil Alternativa TERRAZUL,
ingressou na Justiça Federal de Minas
Gerais com uma ampla Ação Civil Pública
contra a Agência Nacional de Mineração (ANM)
e grandes grupos mineradores que atuam
no estado.
A ação apresenta uma questão
fundamental: não basta reparar os danos
depois que o trabalhador ou a população
adoece. É preciso impedir que o
adoecimento continue sendo produzido.
Durante décadas, os trabalhadores da
mineração e as populações dos municípios
mineradores conviveram com uma lógica
perversa: o minério gera riqueza, mas a
poeira fica; os lucros circulam
distante, mas as doenças permanecem; os
dividendos são distribuídos, mas os
impactos ambientais e sanitários
continuam recaindo sobre trabalhadores,
aposentados, crianças, idosos e
comunidades inteiras.
A ação protocolada pela CNTI sustenta
que a fragilidade da fiscalização da
Compensação Financeira pela Exploração
Mineral (CFEM) contribuiu e contribui
para privar os municípios de recursos
essenciais justamente nas regiões mais
impactadas pela atividade minerária. Ao
mesmo tempo, denuncia os efeitos da
poluição atmosférica produzida pela
mineração sobre a saúde pública e sobre
o meio ambiente do trabalho.
Não estamos falando apenas de números.
Estamos falando de trabalhadores que
respiram material particulado todos os
dias. Estamos falando de famílias que
vivem sob a influência permanente da
atividade minerária. Estamos falando de
municípios que precisam lidar com o
aumento de doenças respiratórias,
cardiovasculares e outros agravos à
saúde. Estamos falando da contradição
entre uma atividade econômica
extremamente lucrativa e a persistência
de passivos sociais, ambientais e
sanitários que recaem sobre a população.
A decisão do STF na ADI 6309 e a Ação
Civil Pública protocolada em Minas
Gerais fazem parte da mesma luta
histórica: A luta pelo direito de viver.
A luta pelo direito de trabalhar sem
adoecer. A luta pelo direito de não
morrer mais cedo em razão do trabalho. A
luta pelo reconhecimento de que o
desenvolvimento econômico não pode ser
construído à custa da saúde e da vida.
A CNTI acredita que a riqueza mineral
pertence ao desenvolvimento nacional.
Mas acredita também que nenhuma riqueza
justifica o sacrifício da saúde dos
trabalhadores e da população.
Nenhum lucro pode valer mais que a vida.
Nenhum balanço financeiro pode valer
mais que a respiração de uma criança.
Nenhuma tonelada de minério pode valer
mais que a dignidade humana.
A conquista no STF demonstrou que a
Constituição ainda continua sendo um
instrumento de proteção da vida contra
os interesses capitalistas que
naturalizam o adoecimento e a morte.
Agora, a nova ação judicial busca dar
mais um passo nessa direção. Não apenas
garantir o direito à aposentadoria
especial. Mas reduzir as razões que
tornam a aposentadoria especial
necessária.
O futuro que defendemos é simples: menos
adoecimento; menos contaminação; menos
poluição; mais prevenção; mais
fiscalização; mais responsabilidade; ou
seja, mais vida.
Porque o desenvolvimento que destrói a
saúde e a vida de quem trabalha e da
população que o circunda, não é
desenvolvimento. É apenas a
transferência do custo humano para os
ombros dos trabalhadores e das
comunidades. E essa conta não pode
continuar sendo paga pelos mesmos de
sempre, principalmente com suas vidas.
No STF, derrubamos a idade mínima para
quem perde sua saúde e vida trabalhando.
Na Justiça Federal, estamos enfrentando
as estruturas que continuam produzindo
esse adoecimento e morte.

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