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Publicação: 18/03/2026
“Juro
alto é uma questão de escolha entre o
rentismo e o desenvolvimento”, afirma
Reginaldo da CNTI

José Reginaldo, presidente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria (CNTI). Foto: NCST
“Redução de 0,25 ponto percentual não é
alívio, não é mudança. É óbvio que isso
é maquiagem. Nós estamos falando de
manutenção de um modelo que estrangula a
economia e penaliza de fato quem
trabalha e produz”.
Em entrevista exclusiva à Hora do Povo,
o presidente da CNTI (Confederação
Nacional dos Trabalhadores na
Indústria), José Reginaldo, considera
que, nesse período de instabilidade
internacional, de genocídio na
Palestina, no Irã, de invasão à
Venezuela e de ameaças a Cuba, o governo
deveria reduzir, de maneira
significativa, os juros, como forma de
defender a indústria e os direitos
sociais dos trabalhadores. Confira a
íntegra a seguir:
HP – O que acha da propalada pressão da
mídia para o Banco Central não
intensificar a redução dos juros?
JR – A gente pode dizer, com todas as
letras, que não existe neutralidade na
política de juros no país. Isso é uma
escolha, de política econômica, de
proteger o capital financeiro e
desproteger o desenvolvimento do país. E
isso tem nome: transferência de renda
para o sistema financeiro, do povo para
o sistema financeiro.
Traduzindo para a vida real, os juros
altos significam crédito caro,
investimento travado, indústria parada,
significa que máquinas não serão
compradas, que não haverá aporte de
modernização na indústria, que não
haverá reindustrialização. Significa o
estímulo à informalidade, à pejotização.
HP – Você acha que é possível ter uma
redução significativamente maior?
JR – Há a possibilidade real da queda da
taxa de juros como elemento de
fortalecimento do investimento público,
de propulsão, por exemplo, da indústria
brasileira, de anteparos que fortaleçam
direitos sociais.
A mídia e setores econômicos do governo,
há algum tempo, vêm já fazendo uma
concertação, aceitando uma redução na
casa de 0,25 p.p., quando o país
continua operando com juros na casa de
15% ou próximo disso. É óbvio que isso
não é alívio, não é mudança. É óbvio que
isso é maquiagem. Nós estamos falando de
manutenção de um modelo que estrangula a
economia e penaliza de fato quem
trabalha e produz. O rentismo passa a
ser a lógica.
HP – E o combate à inflação?
JR – A inflação sobe por causa de
fatores externos. A resposta interna não
pode ser aumentar e deixar juros nas
alturas, ou diminuir de modo, vamos
dizer, quase como uma maquiagem ou algo
semelhante. A política de juros não
resolve a questão da inflação, porque os
fatores determinantes são os preços
internacionais das commodities, em
função da guerra. Nós temos uma inflação
de custos de energia, câmbio, alimentos,
o terras raras, petróleo.
Além do quê, essa forma oligopolizada
dominando o mercado reduz a demanda.
Eles se combinam e aumentam os preços.
São cinco empresas tomando conta do
setor de saneamento.
Quando a inflação tem esse tipo de
origem, elevar juros produz efeitos
colaterais muito severos.
HP – Mesmo nessa conjuntura
internacional?
JR – O trabalhador brasileiro não
declarou essa guerra. Quem declarou essa
guerra, essa invasão, esse genocídio na
Palestina, agora também no Irã, não tem
a participação de nenhuma classe
trabalhadora, seja ela brasileira, seja
ela mundial. A indústria brasileira não
provocou essa crise e está sofrendo com
ela.
A instabilidade internacional existe em
função das tensões envolvendo Israel e
os Estados Unidos atacando o Irã. Não
bastasse o que já fizeram e estão
fazendo em Gaza, na Palestina, não
bastasse o que fizeram e estão fazendo
na Venezuela, agora essa ameaça a Cuba.
HP – Na sua avaliação, quais as
consequências dessa política de juros
altos?
JR – Cada ponto de juros significa
bilhões de reais, dinheiro que poderia
ser investido em hospital, escola,
infraestrutura, política industrial. Mas
vai parar no bolso de quem vive de renda
financeira, praticamente bombeando o
coração do rentismo. É muito grave isso.
Nós sabemos também que, com a economia
travada, cresce a informalidade. Nós
temos aí, nesse modelo de “controle
inflacionário”, um indutor que provoca
uma fragmentação das bases do movimento
sindical, uma dificuldade na própria
mobilização. A pressão patronal passa a
ser maior, usando como justificativa os
custos das empresas.
Em síntese, nós temos que escolher o
modelo de país, um país que vive da
produção, da indústria, de serviços
essenciais para a sua população, de
proteção e políticas públicas, ou um
país que vive pagando juros para
especulador, para rentista.
O povo brasileiro não tem que pagar com
desemprego, precarização, arrocho, o
preço das guerras do mundo e dos lucros
do rentismo.
Fonte: Hora do Povo

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