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Publicação: 16/10/2026
Congresso
promulga fim da escala 6x1 com presença
do presidente Lula.
CNTI presente!
Com dois dias de descanso semanal e
sem redução salarial, nova regra começa
a valer em dezembro, embora com uma
regra de transição. Mudança encerra
reivindicação histórica dos
trabalhadores e reforça bandeira
eleitoral de Lula às vésperas do 2º
turno das eleições presidenciais. Medida
garante mais tempo aos trabalhadores
para a família, o estudo, a qualificação
e o lazer.

O Congresso Nacional promulgou nesta
sexta-feira (16) a emenda constitucional
que acaba com a escala 6x1 e reduz
gradualmente a jornada máxima de
trabalho de 44 para 40 horas semanais. A
sessão foi conduzida pelo presidente do
Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP),
com a presença do presidente Lula (PT) e
do presidente da Câmara dos Deputados,
Hugo Motta (Republicanos-PB).
A cerimônia teve clima de comemoração,
com gritos e manifestações de entusiasmo
dos presentes. O senador Paulo Paim
(PT-RS), um dos mais antigos defensores
da redução da jornada de trabalho no
Congresso, foi homenageado durante a
solenidade por sua trajetória em defesa
dos direitos trabalhistas. Paim foi
chamado por Alcolumbre a compor a mesa
dos trabalhos.
A presença de Lula, incomum em
cerimônias de promulgação de emendas
constitucionais, deu dimensão política
ao evento. Após Alcolumbre assinar a
Emenda Constitucional 141/2026, Lula
levantou a Constituição, gesto que
remeteu ao ato de Ulysses Guimarães
durante a promulgação da Constituição em
outubro de 1988.
O fim da escala 6x1 tornou-se uma das
principais bandeiras de sua campanha à
reeleição, a nove dias do segundo turno
contra Flávio Bolsonaro (PL). A
cerimônia também foi marcada pela
promulgação da emenda constitucional que
garante aposentadoria especial a agentes
comunitários de saúde e agentes
comunitários de combate a endemias.
DIGNIDADE AO TRABALHADOR
O presidente do Congresso classificou a
sessão como histórica. "A partir de hoje
a Constituição garante a cada
trabalhador e a cada trabalhadora o
direito a dois dias semanais de descanso
remunerados", afirmou. Segundo ele, a
medida tem "valor incalculável".
"É uma conquista enorme que dá dignidade
ao trabalhador. Gostaria de cumprimentar
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
cuja presença nesta sessão reforça
imensamente a importância deste momento
para o país. Foi preciso coragem de
enfrentar um assunto que tanta gente
preferia deixar para depois", disse o
senador.
Ainda em seu discurso, Alcolumbre
afirmou que o Legislativo "escolheu o
caminho certo, não o caminho fácil".
"Escolheu discutir, ouvir e decidir.
Essa coragem é fruto de um esforço
verdadeiramente coletivo, como manda a
nossa democracia. [...] O diálogo entre
as duas Casas permitiu transformar
reivindicações antigas em conquistas
concretas", declarou.
CONSTRUÇÃO COLETIVA
Hugo Motta qualificou o fim da escala
6x1 como a "principal conquista da
classe trabalhadora do Brasil dos
últimos anos". Ele concentrou sua fala
na defesa da redução da jornada, na
construção política que permitiu a
aprovação da proposta e nas medidas
negociadas para os microempreendedores
individuais. O presidente da Câmara
afirmou que o Congresso decidiu
enfrentar um tema que, segundo ele, não
passava por uma revisão estrutural desde
a Constituição.
"Por trás desse número estão homens e
mulheres que acordam antes do amanhecer,
atravessam cidades inteiras e dedicam
grande parte de seus dias ao trabalho.
Pessoas que muitas vezes têm apenas um
dia da semana para conciliar descanso,
família, saúde, estudo e tudo mais que a
vida exige."
O deputado ainda relembrou a tramitação
da proposta e afirmou que o texto foi
resultado de uma construção que envolveu
representantes dos trabalhadores,
especialistas, integrantes da sociedade
civil e do setor produtivo. "O resultado
desse processo foi a elaboração de uma
proposta madura, feita a partir de muito
diálogo, permitindo ao país avançar sem
perder de vista a realidade das
empresas, dos trabalhadores e
especialmente dos micro e pequenos
negócios."
O QUE MUDA PARA OS TRABALHADORES
A emenda, originada da PEC 221/2019, de
autoria do deputado Reginaldo Lopes
(PT-MG), garante dois dias de descanso
remunerado por semana, sem redução
salarial. As mudanças serão graduais: em
16 de dezembro, a jornada máxima cairá
para 42 horas semanais e, um ano depois,
para 40 horas. O limite de oito horas
diárias será mantido.
Acordos coletivos poderão estabelecer
regimes excepcionais, desde que
garantam, em média, dois dias de
descanso por semana ao longo do mês e
pelo menos uma folga a cada sete dias.
Os dias de descanso não precisam ser
consecutivos.
A medida também
beneficia trabalhadores que já têm duas
folgas semanais, mas cumprem 44 horas.
Segundo estudo do Ipea citado no parecer
do Senado, mais de 31 milhões de
vínculos formais tinham jornada
contratual de 44 horas em 2023, embora
nem todos adotassem a escala 6x1.
Na prática, a mudança constitucional
garantirá aos trabalhadores, hoje
submetidos a uma jornada de trabalho
exaustiva, responsável, comprovadamente,
ainda, por elevados índices de acidentes
de trabalho e adoecimento laboral, mais
tempo para a convivência familiar, o
estudo e a qualificação, e o lazer.
VITÓRIA ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO
A proposta foi aprovada em dois turnos
no Senado, na quarta-feira (14), por 75
votos a um em cada votação. Apenas
Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou
contra. Flávio Bolsonaro apoiou o texto,
apesar de críticas anteriores, e o PL
liberou sua bancada. Outros quatro
senadores não participaram da votação:
Ciro Nogueira (PP-PI), Marcio Bittar
(PL-AC), Rogério Marinho (PL-RN) e
Sergio Moro (PL-PR).
Lula havia comemorado a aprovação como
resultado da mobilização popular. "Não
foi uma conquista burocrática, foi uma
conquista que saiu da rua e de um desejo
histórico do povo trabalhador", afirmou.
UMA REIVINDICAÇÃO DE QUASE 40 ANOS
A promulgação teve significado
particular para Lula. Há 38 anos, como
deputado constituinte e líder da bancada
do PT, ele participou da tentativa
frustrada de reduzir a jornada máxima
para 40 horas semanais.
Na ocasião, o Congresso diminuiu o
limite de 48 para 44 horas, diante da
resistência de setores empresariais e de
parlamentares preocupados com os custos
da mudança. Foi a última redução
constitucional da jornada de trabalho no
Brasil.
Desde então, a reivindicação das 40
horas permaneceu na pauta do movimento
sindical e ganhou novo impulso com a
mobilização pelo fim da escala 6x1.
Quase quatro décadas depois, a mudança
chega à Constituição durante o terceiro
mandato presidencial de Lula.
CNTI PRESENTE
A CNTI marcou presença durante todo
processo de discussão e votação da PEC
221/2019 e também da solenidade de
promulgação da Emenda Constitucional
correspondente.
O presidente José Reginaldo Inácio e a
secretária para assuntos de Trabalho, da
Mulher, da Juventude e do Idoso, Sônia
Maria Zerino, que também preside a Nova
Central Sindical de Trabalhadores (NCST)
estiveram presentes no Senado Federal na
noite desta quarta-feira (14), quando a
PEC foi aprovada pela quase unanimidade
dos senadores, bem como no ato de
promulgação da Emenda Constitucional,
que contou com a presença do presidente
Lula.
Reginaldo comemorou o resultado: “foi
uma conquista histórica, pela qual
lutamos há décadas, e isso só foi
possível graças à mobilização dos
trabalhadores e à unidade do movimento
sindical em todas os níveis de
representação”, acrescentando que “agora
é hora de garantir que essa vitória se
torne realidade, inclusive nos acordos e
convenções coletivas de trabalho,
garantindo melhor qualidade de vida e de
trabalho a todos trabalhadores e
trabalhadoras”.
E finalizou: “nesta hora, gostaríamos de
fazer um agradecimento aos sindicatos e
federações da base de representação da
CNTI que participaram dessa luta
histórica, fazer uma homenagem à luta e
à dedicação do senador Paulo Paim,
presente em todos esses momentos
decisivos para o trabalhador, e também
ao presidente Lula, que se empenhou
pessoalmente para que essa conquista se
tornasse uma realidade”.
Sônia Zerino também se manifestou ao
final da aprovação da PEC: “nós, da Nova
Central e da CNTI, estamos muito alegres
por essa vitória que é de todos os
trabalhadores, mas não poderíamos deixar
de render uma homenagem às mulheres
trabalhadoras, pois elas serão as
maiores beneficiárias dessa conquista,
pois, com ela, terão mais tempo para
seus filhos, sua família, sua
qualificação e seu lazer”.
Assessoria de Comunicação

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