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06/11/2026 -
Pronunciamento de Lula deve acenar ao eleitor e ao
mercado
Presidente deve falar à nação no próximo domingo
(8); ideia é garantir cumprimento de promessas
feitas durante a campanha e, também, se comprometer
com os agentes econômicos
O pronunciamento do presidente Lula previsto para o
próximo domingo (8) deverá fazer, ao mesmo tempo, um
aceno ao eleitor de que as promessas de campanha
serão cumpridas durante o próximo mandato e ao
mercado de que seu governo terá responsabilidade
fiscal.
A informação foi confirmada à CNN Brasil por um
interlocutor de Lula.
A ideia é garantir ao eleitor que propostas feitas
durante a campanha — de que haverá melhorias como
segurança pública, a aprovação da PEC (proposta de
emenda à Constituição) da tarifa zero e redução da
dívida dos MEIs — serão garantidas. Na prática, ele
quer passar a ideia de que não haverá estelionato
eleitoral.
Ao mesmo tempo, quer fazer um aceno aos agentes
econômicos de que o cumprimento dessas promessas não
impedirá seu governo de ter responsabilidade fiscal,
muito embora não haja expectativa de detalhamento
das medidas em sua fala.
Desde a sua vitória nas eleições, agentes econômicos
revisaram suas expectativas no sentido de projetar
uma piora na economia decorrente do volume de gastos
prometidos na campanha junto com o crescimento da
relação dívida/PIB durante o Lula 3.
O pronunciamento ocorrerá domingo, duas semanas após
a vitória, porque o presidente aguardou um período
para restabelecer sua voz. Nessa terça-feira (3),
ele passou por exames médicos e retornou a Brasília,
onde faz reuniões para discutir o próximo governo.
A CNN apurou que ele se reuniu com o senador Camilo
Santana (PT-CE) e o governador reeleito do Piauí,
Rafael Fonteles (PT), coordenadores da campanha
durante o segundo turno cotados para ocupar postos
de destaque no Lula 4.
Fonte: CNN Brasil

06/11/2026 -
Fim da escala 6x1: CNI vai ao STF contra regras da
nova jornada
Confederação questiona aplicação das novas regras
a contratos vigentes, alerta para aumento de custos
e pede mais tempo para adaptação das empresas.
Segundo entidade, impacto para a indústria será de
R$ 88 bilhões.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acionou o
STF contra dispositivos da emenda constitucional que
acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de
44 para 40 horas, sem corte salarial. A entidade
quer preservar contratos de trabalho e acordos
coletivos anteriores à mudança, além de ampliar o
prazo de adaptação das empresas.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI),
apresentada na quarta-feira (4), contesta pontos da
Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo
Congresso em 16 de outubro. Segundo a CNI, a
aplicação das novas exigências a contratos já
firmados viola a segurança jurídica, a autonomia da
negociação coletiva e a livre iniciativa.
"A aplicação compulsória das novas jornadas sobre
contratos pactuados sob a vigência anterior da
Constituição desconfigura a reciprocidade original e
majora o valor da hora trabalhada à revelia das
partes contraentes", afirma o diretor jurídico da
CNI, Alexandre Vitorino.
Outro alvo da ação é a previsão de que cláusulas de
acordos e convenções coletivas incompatíveis com as
novas regras percam a validade após 60 dias. Para a
entidade, a medida desconsidera condições negociadas
anteriormente e compromete a organização do trabalho
em setores com funcionamento contínuo.
O que a indústria pede ao STF
A CNI solicita a preservação dos contratos anteriores
à emenda e a suspensão dos prazos de redução da
jornada por ao menos um ano. Também pede que as
exigências não sejam aplicadas às microempresas e
empresas de pequeno porte até a edição de uma lei
complementar que regulamente sua adaptação.
Segundo a confederação, o tratamento diferenciado
previsto na Constituição é necessário diante das
dificuldades das empresas menores para reorganizar
suas atividades. "Não pode haver segurança jurídica
se o Estado, por meio de uma emenda constitucional,
faz tábula rasa de contratos individuais e
coletivos, por melhores e mais humanitárias que
sejam as suas intenções", afirma Vitorino.
A entidade estima que a redução da jornada e a
ampliação do descanso semanal, sem diminuição
salarial, elevarão em 11,1% o custo do trabalho
formal na indústria, o equivalente a R$ 88 bilhões.
Segundo a CNI, a mudança acarreta riscos para a
competitividade e a manutenção dos empregos.
Quando a jornada será reduzida
A Emenda Constitucional 141 estabelece uma transição
gradual. A partir de 16 de dezembro de 2026, a
jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais,
com dois dias de descanso remunerado. Em dezembro de
2027, o limite passará a 40 horas.
A legislação permite regimes excepcionais de
compensação mediante negociação coletiva, desde que
respeitadas as garantias constitucionais de
descanso. Segundo dados do Ministério do Trabalho e
Emprego, aproximadamente 14,9 milhões de brasileiros
trabalham atualmente na escala 6x1.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC) também recorreu ao Supremo.
Em ação distribuída ao ministro Flávio Dino, a
entidade pediu o adiamento da implantação das
regras, concentrando seus questionamentos no
calendário de transição. As ações não suspendem
automaticamente a emenda. Os prazos aprovados pelo
Congresso continuam válidos até eventual decisão
judicial em contrário.
A mudança foi aprovada pela Câmara dos Deputados em
27 de maio, em dois turnos, por 472 votos a 22 e 461
a 19, respectivamente. No Senado, a PEC 221/2019
recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário em
cada um dos dois turnos, realizados em 14 de
outubro. De autoria original do deputado Reginaldo
Lopes (PT-MG), a proposta foi aprovada na forma de
um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA)
e incorporou discussões de outra PEC apresentada por
Erika Hilton (Psol-SP). No Senado, a relatoria coube
ao senador Omar Aziz (PSD-AM). O texto foi
promulgado pelo Congresso em 16 de outubro,
transformando-se na Emenda Constitucional 141/2026.
Fonte: Congresso em Foco

06/11/2026 -
Assédio eleitoral supera 7 mil denúncias, aponta
ministério
Luiz Marinho pede retratação nas redes e alerta
para punição
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já recebeu
mais de 7 mil denúncias de assédio eleitoral no
ambiente de trabalho. Diante do aumento dos relatos,
o ministro Luiz Marinho fez um apelo nesta
quarta-feira (4) a empresários que tenham ameaçado
ou demitido funcionários por razões políticas, que
recuem e se retratem publicamente.
“Aproveito para me dirigir a todos que ainda pensam
em fazer esse tipo de bobagem, recuem”, afirmou o
ministro em entrevista coletiva para explicar os
números do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged).
Marinho reiterou que a intenção do governo não é
punir empregadores preventivamente, mas assegurar
que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
Para empresários que cogitaram dispensar
funcionários em razão do resultado eleitoral, ele
sugeriu uma retratação nas redes sociais.
“Para quem eventualmente pensou em demitir alguém
por causa do resultado eleitoral, faça o seu recuo
tático e se desculpe nas redes. Está tudo certo. Não
precisaremos punir ninguém por isso. Mas a punição
será, se demitiu por questões políticas, será
severamente punido”, declarou.
Fonte: Agência Brasil

06/11/2026 -
MTE institui comissão para fortalecer a segurança
elétrica
Comissão tripartite do MTE acompanhará a
implementação da NR-10, com participação da Força
Sindical na defesa da segurança dos trabalhadores
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) instituiu a
Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR-10,
norma que estabelece medidas de segurança para
atividades envolvendo eletricidade.
A medida foi oficializada pela Resolução CTPP nº 32,
publicada em 29 de outubro de 2026, no Diário
Oficial da União, fortalecendo o diálogo tripartite.
A comissão reunirá representantes do governo, dos
trabalhadores e dos empregadores para acompanhar a
implementação das regras de segurança em instalações
e serviços elétricos.
A iniciativa integra as atividades da Comissão
Tripartite Paritária Permanente (CTPP), responsável
por discutir normas regulamentadoras e promover
melhorias nas condições de saúde e segurança
ocupacional.
Força Sindical participa das discussões
A Força Sindical integra a representação dos
trabalhadores na comissão, juntamente com outras
centrais sindicais, reforçando a participação
sindical nas decisões sobre segurança e prevenção.
A Central será representada pela diretora de Saúde e
Segurança do Sindicato dos Eletricitários de São
Paulo (STIEESP), Regina Strepeckes.
De acordo com Regina a presença das entidades
sindicais contribui para defender medidas que
reduzam acidentes, fortaleçam a fiscalização e
garantam ambientes de trabalho mais seguros.
“A participação ativa das entidades sindicais é
fundamental para garantir que qualquer alteração na
NR10 mantenha o foco absoluto na preservação da
vida”, afirma a sindicalista.
O secretário nacional de Saúde e Segurança do
Trabalho da Força Sindical, Luis Carlos de Oliveira,
destaca a importância da participação dos
trabalhadores nas discussões técnicas.
“A participação dos trabalhadores nessa comissão é
fundamental para garantir que a NR-10 seja aplicada
com responsabilidade. Nossa prioridade é defender a
vida, prevenir acidentes e assegurar condições
dignas e seguras para todos os profissionais que
trabalham com eletricidade.”
Composição da comissão
A nova comissão contará com 18 representantes,
distribuídos igualmente entre governo, trabalhadores
e empregadores, garantindo participação equilibrada
nas discussões relacionadas à aplicação da NR-10.
Conforme a resolução, os representantes serão
distribuídos entre as seguintes instituições:
- Governo: MTE, Fundacentro, Ministério da Previdência
Social e Ministério da Saúde.
- Trabalhadores: Força Sindical, UGT, Nova Central
Sindical de Trabalhadores e CUT.
- Empregadores: CNI, CNC, CNA e CNSaúde.
A coordenação ficará sob responsabilidade de
representante do MTE, indicado pela Secretaria de
Inspeção do Trabalho, conforme as regras
estabelecidas para funcionamento das comissões
tripartites.
Atualização da NR-10 fortalece a prevenção
A nova redação da NR-10, aprovada pela Portaria MTE nº
737/2026, atualiza requisitos de segurança e amplia
mecanismos de prevenção dos riscos ocupacionais
relacionados à eletricidade.
Entre os avanços, destacam-se a gestão de riscos, a
padronização de procedimentos, a capacitação
profissional e o aperfeiçoamento das medidas de
proteção coletiva e individual.
Além disso, a nova regulamentação entrará em vigor
em 1º de junho de 2027, permitindo que empresas e
trabalhadores se preparem para cumprir suas
exigências.
Portanto, a comissão terá papel importante no
acompanhamento dessa transição, contribuindo para
identificar dificuldades, avaliar resultados e
fortalecer a proteção dos profissionais expostos aos
riscos elétricos.
Fonte: Rádio Peão Brasil

06/11/2026 -
Projeto que limita penhora de recursos de empresas
para pagamentos de débitos trabalhistas segue para o Senado
A Câmara rejeitou recurso para que a proposta
fosse analisada pelo Plenário
A Câmara dos Deputados rejeitou recurso e enviará ao
Senado o Projeto de Lei 3083/19, que limita a
penhora de recursos da empresa para pagamento de
débitos trabalhistas a 10% das receitas mensais,
deduzidas as despesas com salários dos empregados.
Aprovado em caráter conclusivo em julho de 2022, o
projeto, do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP),
será remetido aos senadores com substitutivo do
relator, deputado Silvio Costa Filho
(Republicanos-PE), alterando a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT).
Segundo o texto acatado pela Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público, o percentual
exato será definido pelo juiz com base no caso e nas
provas existentes, “de modo a garantir o pagamento
da dívida em tempo razoável, mas sem tornar inviável
a atividade empresarial”.
A proposta aprovada prevê ainda que, após a
cobertura do débito trabalhista por essa penhora, a
empresa terá direito à emissão da Certidão Positiva
de Débitos Trabalhistas com efeitos de certidão
negativa, permitindo a participação em licitações
públicas ou contratação de empréstimos.
A certidão positiva é expedida quando a Justiça
trabalhista reconhece que os débitos do empregador
estão garantidos por bens penhorados.
Fonte: Agência Câmara

05/11/2026 -
País gerou 1.248 mil empregos formais até setembro
de 2026
Dados do Novo Caged divulgados pelo MTE apontam a
geração de 121.305 postos de trabalho formais no
mês. Já o acumulado, desde janeiro de 2023, é de
5.653.169 postos de trabalho.
De acordo com os dados do Novo Caged de setembro,
divulgados nesta quarta-feira (04) pelo ministro do
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o mercado formal
de trabalho brasileiro gerou 121.305 postos de
trabalho formais, resultante de 2.214.437 admissões
e 2.093.132 desligamentos no mês. Com esse
resultado, o estoque de empregos alcançou 48.359.577
vínculos formais de trabalho. No ano, janeiro a
setembro, foram 1.248.914 novos postos de trabalho,
um aumento de +2,65%. Já o acumulado, desde janeiro
de 2023, é de 5.653.169 postos de trabalho.
Em setembro, quatro dos cinco grandes grupamentos de
atividades econômicas registraram saldos positivos,
com destaque para o setor de Serviços (+81.241),
seguido da Indústria (+19.285), Comércio (+15.697) e
Construção (+9.468). Somente o setor da Agropecuária
registrou um saldo negativo de -4.381.
Foram registrados saldos positivos em 26 estados,
com destaque, em valores absolutos, para São Paulo
(+19.391), Pernambuco (+13.371) e Alagoas (+11.110),
e, em termos relativos, Alagoas (+2,47%), Amapá
(+1,35%) e Roraima (+1,23%).
Dos postos de trabalho gerados, 78,1% são vínculos
típicos (+94.729) e 21,9% a vínculos não típicos
(+26.576), majoritariamente trabalhadores com
jornada igual ou inferior a 30 horas (+17.773) e
temporários (+8.359).
Salários
O salário médio real de admissão em Setembro foi de
R$ 2.429,41, uma redução de R$ 1,10 (-0,05%) em
relação a agosto, que foi de R$ 2.430,51. Na
comparação com Setembro/2025 (R$ 2.384,50), o
salário médio real de admissão aumentou R$ 44,90
(+1,88%).
Matéria completa:
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/novembro/pais-gerou-1-248-mil-empregos-formais-ate-setembro-de-2026
Fonte: MTE

05/11/2026 -
CNC aciona STF para adiar fim da escala 6×1
Confederação pede que primeira etapa da transição
gradual para a nova escala de trabalho seja adiada
para o ano que vem
A Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC) entrou com uma ação no
Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar o início
da transição para a nova jornada de trabalho após o
fim da escala 6×1.
A emenda constitucional promulgada em outubro reduz
a carga horária de 44 para 40 horas semanais sem
corte de salário.
A implementação, porém, será gradual. A primeira
etapa da transição começa 60 dias após a
promulgação, em 16 de dezembro deste ano, quando a
jornada máxima semanal cai de 44 para 42 horas e o
trabalhador passa a ter garantidos dois dias de
descanso remunerado. Doze meses depois, a jornada de
trabalho passa a ser limitada a 40 horas semanais.
A CNC pede que a primeira etapa da transição passe
para o próximo ano, em 16 de outubro de 2027.
Já a redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais, defende a entidade, deveria passar a ser
implementada a partir de outubro de 2028.
Para a CNC, o prazo de 60 dias é muito curto para a
adaptação das empresas, que podem precisar contratar
novos trabalhadores, reestruturar turnos e
renegociar convenções coletivas, já que os acordos
em vigor perdem eficácia a partir da implementação
da nova escala.
Fonte: Estadão Conteúdo

05/11/2026 -
Para analista do Diap, bolsonarismo deve ser isolado
O jornalista Marcos Verlaine é consultor do Diap.
Nesse artigo, ele avalia “a vitória histórica de
Lula e da mobilização popular” como fundamentais
para a construção de uma nova maioria política,
capaz de isolar o bolsonarismo, principalmente no
Congresso Nacional.
Ele também alerta para que as mobilizações de rua
sejam transformadas em força política aliada do Lula
4. Marcos Verlaine chama atenção para a necessidade
do campo democrático ser mais efetivo nas redes
sociais.
Verlaine também é escritor, palestrante e consultor
de entidades de classe de trabalhadores.
O texto:
“A vitória estupenda e histórica de Lula (PT),
conquistada de virada, não pode ser tratada apenas
como vitória meramente eleitoral. É oportunidade
política ímpar para reorganizar o campo democrático
e popular, ampliar a influência na sociedade e impor
derrota duradoura ao bolsonarismo, o fascismo
brasileiro.
O desafio é transformar a força demonstrada nas
urnas, ruas e nas redes em nova correlação de forças
no País.
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL), para os EUA, em
meio às turbulências políticas que cercam ele e a
família, contrasta com a mobilização de milhões de
brasileiros que foram às ruas, ocuparam as redes e
se empenharam para impedir a vitória do extremismo
de direita.
A imagem do senador deixando o País, como um
fugitivo, expõe a distância entre a disposição de
luta de seus adversários e a postura da família dele
que fez da confrontação permanente marca política. A
fuga na calada da noite, por si só, não prova
qualquer irregularidade, mas o contraste político é
evidente e incontornável.
O resultado eleitoral mostra que o bolsonarismo não
é invencível. Ao contrário. Tampouco representa a
maioria da sociedade brasileira. Embora conserve
base social e eleitoral aguerrida, capacidade de
mobilização e influência em setores religiosos,
empresariais e das forças de segurança, o movimento
está longe de expressar o conjunto do País.
A perspectiva de circunscrever sua influência ao
núcleo de 15% a 20% do eleitorado – que é o que
originalmente representam – é objetivo político
possível, como comprovado nesta eleição. Para
alcançá-lo, será necessário disputar os milhões de
brasileiros que não se identificam com a extrema
direita, mas também não aderem automaticamente ao
campo progressista, em particular, o de esquerda.
O caminho das ruas
As mobilizações em defesa da democracia foram
decisivas para dar dimensão política à disputa. Não
se tratou apenas de pedir votos para Lula, mas de
defender direitos, soberania nacional, liberdade e
respeito à vontade popular.
Trabalhadores, sindicalistas, estudantes, artistas,
intelectuais e militantes de diferentes gerações
compreenderam que a eleição ultrapassava a escolha
de governo: estava em jogo a democracia conquistada
após décadas de luta. Não cabem mais retrocessos.
Essa energia não pode desaparecer com o encerramento
das urnas. É preciso mantê-la viva por meio de
organizações populares, sindicatos, movimentos
sociais, entidades estudantis e frentes
democráticas. A mobilização episódica, concentrada
no calendário eleitoral, não basta para enfrentar
essa corrente política que atua permanentemente nas
instituições, nas igrejas, nos meios empresariais e
nas plataformas digitais.
A nova conformação política deve reunir as forças
que sustentaram a reeleição de Lula e atrair setores
que, embora não sejam de esquerda, rejeitam o
autoritarismo, a intolerância e as ameaças às
instituições. O isolamento do bolsonarismo não será
obtido pela simples repetição de palavras de ordem,
mas pela construção de maioria social em torno de
objetivos concretos.
Esquerda precisa disputar as redes
Outro aprendizado fundamental é a necessidade de
ocupar as redes digitais com organização,
criatividade e continuidade. Durante muito tempo, a
extrema direita tratou esses espaços como território
próprio, disseminando desinformação, explorando
ressentimentos e convertendo pautas reacionárias e
tresloucadas em instrumentos de mobilização
política.
A reação democrática mostrou que esse domínio pode
ser enfrentado. Militantes, comunicadores,
influenciadores, artistas, intelectuais e eleitores
comuns demonstraram capacidade de produzir conteúdo,
rebater mentiras e mobilizar públicos que nem sempre
são alcançados pelos meios tradicionais da política.
Mas não basta aparecer nas redes durante a campanha.
É necessário construir presença permanente, com
linguagem acessível, informação confiável,
capacidade de resposta rápida e diálogo com os
problemas cotidianos da população. Emprego, salário,
moradia, saúde, educação, segurança e custo de vida
precisam estar no centro dessa comunicação.
A esquerda também deve abandonar a ilusão de que a
correção de suas propostas garante, por si só, apoio
popular. A disputa política exige compreender
sentimentos, valores, hábitos culturais e novas
formas de sociabilidade. Quem não dialoga com a
sociedade deixa espaço para que a extrema direita
transforme insegurança e frustração em ressentimento
contra a democracia e a política.
Isolar politicamente, sem abandonar a disputa
social
O bolsonarismo deve ser enfrentado com firmeza
política, sem concessões ao golpismo e sem
normalização das práticas autoritárias desse
perigoso segmento da política brasileira. O
bolsonarismo é o fascismo de verde e amarelo. E como
tal deve ser combatido com vigor e energia.
Isso não significa restringir direitos ou perseguir
adversários. Significa estabelecer fronteira
democrática nítida, responsabilizar quem comete
crimes, combater a desinformação e impedir que
ameaças às instituições sejam tratadas como opiniões
políticas ordinárias.
Também exige enfrentar as condições sociais que
alimentam a extrema direita. A precarização do
trabalho, a insegurança econômica, a desigualdade e
a sensação de abandono não serão superadas apenas
com denúncias contra Bolsonaro e os aliados dele.
O governo Lula precisa entregar resultados
concretos, ampliar direitos, melhorar a renda e
demonstrar, na vida cotidiana, que a democracia é
capaz de produzir mudanças.
A direita radical prospera quando consegue
apresentar os problemas reais da população como
prova de que a política democrática fracassou. Por
isso, a resposta não pode ser apenas discursiva. É
preciso combinar desenvolvimento, distribuição de
renda, serviços públicos de qualidade e participação
popular.
Há, ainda, obstáculo importante: a composição do
Congresso Nacional e a força de setores reacionários
nas instituições. A vitória presidencial não elimina
essa correlação de forças desfavoráveis. Será
necessário construir alianças sem diluir o programa
democrático e social, mobilizar a sociedade para
sustentar as mudanças e impedir que os interesses de
minorias econômicas se imponham sobre a maioria
trabalhadora.
Vitória precisa virar força organizada
A reeleição de Lula abriu janela política excepcional.
As ruas demonstraram a capacidade de mobilização, as
redes revelaram novas possibilidades de organização
e as urnas impuseram derrota ao projeto
extremista/fascista. Desperdiçar essa combinação
seria erro histórico.
O objetivo não é apenas derrotar eleitoralmente o
bolsonarismo a cada 4 anos. É reduzir sua capacidade
de pautar o debate público, desarticular sua
influência social e impedir que volte a se
apresentar como alternativa majoritária de poder.
Isso requer ação política permanente, unidade
democrática, compromisso com os trabalhadores e
disposição para disputar corações e mentes.
O bolsonarismo não será reduzido à corrente
minoritária por decreto, nem pela hostilidade aos
eleitores que ainda o apoiam. Será necessário
conquistar parte deles, neutralizar a influência dos
setores mais radicalizados e demonstrar que existe,
concretamente, caminho melhor para o País.
A vitória de Lula deve ser o ponto de partida, não a
linha de chegada. Se a mobilização popular se
transformar em organização duradoura, presença ativa
nas redes, conquistas sociais e defesa intransigente
da democracia e do Estado de Direito, será possível
construir maioria capaz de isolar o extremismo de
direita.
O Brasil que derrotou o bolsonarismo nas urnas
precisa agora impedir que esse continue sequestrando
o debate nacional e ameaçando o futuro democrático
do País.
Mais –
www.diap.org.br
Fonte: Agência Sindical

04/11/2026 -
Bancada sindical de trabalhadores cresce na próxima
legislatura
Levantamento preliminar do DIAP aponta a nova
bancada sindical dos trabalhadores na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal. Para a 58ª
legislatura, que terá início em 2027, serão 38
membros na Câmara dos Deputados e 10 no Senado
Federal oriundos do movimento sindical do campo, da
cidade ou de servidores públicos além de
representantes de associações ligados a
trabalhadores. Também contabilizamos parlamentares
simpatizantes da causa trabalhista.
Ainda que de forma prévia, os dados apontam para 48
parlamentares eleitos em 2026 na bancada sindical,
um crescimento em número absoluto de 7
parlamentares. No pleito de 2022 saíram das urnas 41
congressistas identificados com pauta trabalhista.
O DIAP faz o levantamento das bancadas desde 1990,
resultado das eleições gerais de 1989. Ao longo das
legislaturas a representação dos trabalhadores pelos
dirigentes sindicais no Congresso Nacional oscilou,
tendo seu maior número em 2011/2015, quando atingiu
72 parlamentares ligados ao movimento sindical de
trabalhadores.
Os ataques à estrutura sindical de trabalhadores e
as frequentes campanhas difamatórias que alcançam os
meios de comunicação de massa e agora as redes
sociais, contribuem para o desequilíbrio na
representação de dirigentes da classe trabalhadora
nos postos de poder decisório do País.
A pauta defendida pelos trabalhadores movimenta
interesses de diversos setores econômicos no
Congresso Nacional e coloca em xeque o discurso de
bem-estar da sociedade entre representantes
empresariais do campo e da cidade. Porém, a
democracia tem como um de seus pilares a
representação dos trabalhadores através das
organizações de classe.
O trabalhador sozinho se torna vulnerável nas
relações entre patrões e empregados e, nessa
dicotomia, entram as organizações sindicais para
fazer da democracia representativa sua forma de luta
e atuação na defesa de melhores condições de
trabalho, renda e qualidade de vida da população
laboral.
A bancada sindical veio crescendo ao mesmo tempo em
que a democracia se afirmava nos pós ditadura
militar e, após o impeachment da ex-presidenta Dilma
Rousseff, os números apontaram para uma queda até
uma estabilização na representação dos trabalhadores
no Congresso Nacional. Atualmente com 41 deputados e
senadores na bancada, há uma clara sub-representação
dos trabalhadores no Poder Legislativo.
Matéria completa:
https://diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/93260-bancada-sindical-de-trabalhadores-cresce-na-proxima-legislatura
Fonte: Diap

04/11/2026 -
Dossiê orienta sindicatos sobre fim da escala 6×1 e
40 horas
Dossiê reúne orientações jurídicas, estudos e
propostas para garantir a redução da jornada, o fim
da escala 6×1 e direitos trabalhistas
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala
6×1 ganharam um importante instrumento de orientação
para fortalecer a atuação das entidades sindicais
brasileiras.
O dossiê, divulgado em outubro de 2026, reúne cinco
documentos com análises jurídicas, estudos técnicos
e experiências de negociação coletiva para orientar
os sindicatos brasileiros.
Além disso, o material apresenta os desafios da
implementação da Emenda Constitucional nº 141/2026,
que estabelece a jornada de 40 horas semanais, sem
redução salarial.
A publicação destaca que a conquista resulta da
mobilização sindical e popular, além de décadas de
reivindicações por melhores condições de trabalho e
descanso remunerado.
Redução da jornada e regras de transição
Conforme o documento, a nova legislação estabelece uma
transição gradual, garantindo dois dias de repouso
semanal remunerado e preservando integralmente os
salários dos trabalhadores brasileiros.
A primeira etapa começa em 16 de dezembro de 2026,
quando a jornada máxima cairá para 42 horas
semanais, com dois dias de descanso remunerado.
Posteriormente, em 16 de dezembro de 2027, o limite
semanal chegará às 40 horas, consolidando outra
etapa da histórica conquista defendida pelo
movimento sindical brasileiro.
Negociação coletiva fortalece direitos
Nesse contexto, o dossiê orienta os sindicatos a
revisar acordos e convenções coletivas, negociar
escalas e impedir retrocessos nas condições de
trabalho das categorias representadas.
O documento também alerta contra metas abusivas,
jornadas excessivas e mecanismos que possam
comprometer os benefícios da redução das horas
trabalhadas e dos descansos conquistados.
Além disso, as entidades devem acompanhar propostas
de regulamentação, especialmente aquelas
relacionadas aos regimes diferenciados, aos pequenos
negócios e à proteção dos trabalhadores
terceirizados brasileiros.
Cinco temas fundamentais do dossiê
O material organiza cinco publicações que oferecem
fundamentos jurídicos, argumentos econômicos e
orientações práticas para fortalecer a negociação
coletiva e defender os direitos dos trabalhadores.
Fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho:
orientações jurídicas para os sindicatos.
Emenda Constitucional nº 141/2026: análise da
conquista, dos prazos e dos desafios de
implementação.
Cartilha sobre jornada de trabalho: perguntas e
respostas sobre descanso, saúde, produtividade e
qualidade de vida.
Boas práticas em negociações coletivas: 15 exemplos
de cláusulas negociadas em 2024 e 2025.
PEC 12/2026: análise crítica da proposta de trabalho
sob demanda e dos riscos de precarização.
Mobilização sindical continua
Por fim, o dossiê reforça a importância da organização
sindical para assegurar que a redução da jornada
represente melhores condições de trabalho, saúde e
qualidade de vida.
A publicação também destaca que a negociação
coletiva deve preservar direitos conquistados,
impedir perdas salariais e garantir a efetiva
aplicação das novas regras em cada categoria.
Dossiê reúne orientações jurídicas, estudos e
propostas para garantir a redução da jornada, o fim
da escala 6×1 e direitos trabalhistas
Fonte: Rádio Peão Brasil

04/11/2026 -
MTE recebe 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral em
três dias
Quase metade dos casos denunciados foram na
Região Sudeste
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) recebeu
aproximadamente 4,3 mil denúncias de assédio
eleitoral no ambiente de trabalho apenas nos três
primeiros dias de funcionamento de um canal
específico para esse tipo de ocorrência.
O canal começou a funcionar no dia 28 de outubro,
depois que diversas denúncias desse tipo de prática
começaram a surgir tanto na internet como em órgãos
competentes.
A maior parte dos casos foram no estado de São Paulo
(1.325), seguido por Rio de Janeiro (354), Minas
Gerais (345), Paraná (268) e Santa Catarina (259). A
Região Sudeste concentrou 48,5% das ocorrências.
Segundo o MTE, as denúncias já estão sendo apuradas.
O que é o assédio eleitoral
Assédio eleitoral é quando um chefe ou superiores
hierárquicos pressionam o trabalhador a votar ou
deixar de votar em um determinado candidato.
Demitir um funcionário pela opção política dele
também é considerado assédio e, se ficar provado que
a dispensa ocorreu por esse motivo, a empresa pode
ser obrigada a readmitir o empregado e pagar
indenização por danos morais.
Como denunciar
Quem sofrer ou presenciar casos de assédio eleitoral
no ambiente de trabalho deve fazer a denúncia nos
canais do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou do
Ministério Público do Trabalho (MPT).
As denúncias são mantidas em sigilo e encaminhadas
aos órgãos competentes.
Fonte: Agência Brasil

04/11/2026 -
Recebimento de vales-alimentação e refeição mudam a
partir do dia 7
Novas regras pretendem ampliar as opções de uso
dos benefícios
Os cartões de vale-refeição (VR) e vale-alimentação
(VA) terão mudanças a partir de 7 de novembro. A
principal é a aceitação de cartões de diferentes
operadoras em qualquer maquininha habilitada para
processar esse tipo de pagamento.
A transição começou em maio e vai até novembro,
quando completa um ano da assinatura do decreto que
atualizou o Programa de Alimentação do Trabalhador
(PAT).
Na prática, a medida pretende ampliar as opções de uso
dos benefícios em restaurantes, supermercados e
outros estabelecimentos que trabalham com
alimentação. Cartões de empresas como Alelo, Ticket,
VR Benefícios, Pluxee, Flash e Swile estão entre os
abrangidos pelas mudanças, conforme o enquadramento
no PAT.
As novas regras também estabelecem limites para as
taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais e
reduzem o prazo para o repasse dos valores das
vendas. O objetivo do governo é estimular a
concorrência no setor e facilitar a aceitação dos
benefícios pelo comércio.
Apesar da previsão de implementação em novembro, a
mudança enfrenta desafios operacionais. A Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) alega
que os sistemas das empresas ainda não estão
totalmente integrados e aponta dificuldades para o
funcionamento da medida no prazo previsto. Além
disso, parte das regras é alvo de questionamentos
judiciais por operadoras do setor.
Matéria completa:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-10/recebimento-de-vales-alimentacao-e-refeicao-mudam-partir-do-dia-7
Fonte: Agência Brasil

04/11/2026 -
1% mais rico responde por 20% do aquecimento global,
e, ainda lucra com desastres, diz Oxfam
Estudo revela que topo da pirâmide financeira
emite 100 vezes mais carbono e lucra com desastres
provocados pelo caos climático no Sul Global
O relatório da Oxfam Internacional, divulgado
terça-feira passada (27), revela que o 1% mais rico
da população mundial foi responsável por 20% do
aquecimento global registrado desde 1990.
Cada indivíduo desse grupo emite, em média, 100
vezes mais carbono do que uma pessoa situada na
metade mais pobre da humanidade.
Com o título Disaster Divide: How climate chaos
deepens inequality and enriches the few (“O Fosso
dos Desastres: como o caos climático aprofunda a
desigualdade e enriquece poucos”), o documento foi
publicado às vésperas da COP31, agendada para
ocorrer entre 9 e 20 de novembro em Antalya, na
Turquia.
Os dados mostram a dimensão da desigualdade
climática. O estrato dos 0,1% mais ricos, cerca de 8
milhões de pessoas, lança na atmosfera mais poluição
por carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres
somados. Esse volume supera em mais de três vezes o
total emitido por toda a população da África
Subsaariana (1,3 bilhão de pessoas). Uma pessoa
pertencente a esse topo contribuiu quase 400 vezes
mais para as atuais ondas de calor extremas do que
alguém entre os 50% mais pobres.
As consequências atingem assimetricamente as
populações de menor renda. Apenas um ano de emissões
do 1% mais rico causará cerca de 1,9 milhão de
mortes adicionais ligadas ao calor, sendo que 78%
desses óbitos ocorrerão em países de renda baixa e
média-baixa, nações responsáveis por apenas 8% das
emissões globais. Até 2050, essas emissões deverão
gerar US$ 53 trilhões em danos econômicos e provocar
o deslocamento de até 1 bilhão de pessoas, a maioria
residente no Sul Global.
“A crise climática é frequentemente descrita como um
desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que
menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas
casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas.
Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua
segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de
alta tecnologia, contratando equipes privadas de
combate a incêndios e adquirindo seguros privados,
além de lucrarem ativamente com as consequências da
poluição que geram. Isso não é uma tragédia de
destino compartilhado; é um crime de desigualdade
extrema”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo
internacional da Oxfam.
A mercantilização dos desastres
Além da poluição, a organização aponta o avanço da
mercantilização dos desastres. O mercado global de
reconstrução pós-desastre deve movimentar US$ 92
bilhões anuais até 2029. O Índice “Destruir e
Reconstruir”, formulado pela Oxfam, identifica 217
corporações que lucram simultaneamente com setores
poluentes e com a resposta a emergências. As
gestoras BlackRock e Vanguard possuem investimentos
em 92% dessas empresas, somando mais de US$ 1
trilhão.“Os super-ricos estão incendiando o planeta
e depois cobrando do resto de nós pelos extintores.
Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o
desastre. E lucram novamente com a reconstrução”,
completou Behar.
Para conter o ciclo de degradação, a Oxfam defende a
taxação permanente sobre grandes fortunas e
corporações de combustíveis fósseis, a proibição do
lucro privado sobre desastres e o aumento expressivo
dos recursos públicos destinados ao financiamento
climático no Sul Global.
Fonte: Portal Vermelho

04/11/2026 -
Projeto prevê prisão e multa de até 20% do
faturamento por assédio eleitoral
Um projeto em tramitação no Senado amplia a proteção
à liberdade política dos trabalhadores e combate o
assédio eleitoral nas relações de trabalho. O
PL 5.701/2026, do senador Randolfe Rodrigues
(PT-AP), define como prática abusiva ameaçar,
intimidar, monitorar ou oferecer vantagens a
trabalhadores para influenciar seus votos, opiniões
ou participação política. A proposta ainda não foi
distribuída para as comissões temáticas.
Fonte: Agência Senado

03/11/2026 -
Parecer analisa divisor do salário-hora com o fim da
escala 6x1
Estudo jurídico examina impactos da EC 141/2026
sobre a remuneração, as horas extras e a negociação
coletiva.
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala
6x1, previstos na Emenda Constitucional nº 141/2026,
também trazem repercussões para o cálculo do
salário-hora e das horas extraordinárias. O tema é
analisado no Parecer Jurídico nº 17/2026, elaborado
pelo escritório Fontes de Resende Advocacia, que
examina os efeitos da nova disciplina constitucional
sobre os contratos de trabalho e os instrumentos
coletivos.
O estudo sustenta que a redução progressiva da
jornada, de 44 para 42 horas semanais na fase de
transição e, posteriormente, para 40 horas, deve ser
acompanhada da adequação do divisor salarial. Na
interpretação dos autores, o cálculo deve observar o
divisor 210 durante a transição e o divisor 200 na
etapa definitiva, de modo a preservar o valor da
hora trabalhada e a remuneração das horas extras,
sem prejuízo salarial.
O parecer também defende a superação do entendimento
firmado no Tema 316 do Tribunal Superior do Trabalho
(TST), que admite a negociação coletiva do divisor
220 para jornadas de 40 horas. Segundo os autores, a
mudança constitucional estabelece novos limites à
negociação coletiva, que não pode afastar as
garantias de jornada e proteção remuneratória
asseguradas aos trabalhadores.
Assinado pelos advogados Paulo Fontes de Resende e
Eduardo Silva Luz, o documento oferece subsídios
jurídicos para sindicatos e entidades
representativas na adequação dos acordos e
convenções coletivas às novas regras.
Leia o Parecer Jurídico nº 17/2026 na íntegra.
Clique aqui para acessar o documento completo.
Fonte: Diap

03/11/2026 -
Desemprego de 5,2% no 3° trimestre é o menor para o
período desde 2012
Dados foram divulgados nesta sexta-feira (30)
pelo IBGE
A taxa de desocupação para o terceiro trimestre caiu
para 5,2%, a menor já registrada para esse período
desde 2012. O desemprego era de 5,4% no segundo
trimestre deste ano e de 5,6% no terceiro trimestre
de 2025.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta
sexta-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
A população desocupada (5,6 milhões) diminuiu 4%
(menos 234 mil pessoas) na comparação com o
trimestre de abril a junho (5,9 milhões). Em
comparação com igual trimestre do ano anterior (6
milhões), houve queda de 6,9% (menos 417 mil
pessoas).
População ocupada
A população ocupada, que totaliza 103,6 milhões de
pessoa, foi a maior da série histórica, com alta de
0,6% no trimestre (mais 581 mil) e aumento de 1,2%
no ano (mais 1,2 milhão).
O nível da ocupação – percentual de pessoas ocupadas
na população em idade de trabalhar – também foi
recorde, ao alcançar 59%. Além disso, houve variação
de 0,2 pontos percentuais frente ao trimestre
anterior (58,8%) e estabilidade em relação a igual
trimestre do ano anterior (58,7%).
Informalidade
Segundo a pesquisa, a taxa de informalidade foi de
37,5% da população ocupada (ou 38,8 milhões de
trabalhadores informais), contra 37,4% (ou 38,6
milhões) no trimestre e 37,8% (ou 38,7 milhões) no
ano.
Rendimento
O IBGE informou que o rendimento real habitual de
todos os trabalhos (R$ 3.790) ficou estável no
trimestre e cresceu 3,6% no ano (mais R$ 131). A
massa de rendimento real habitual (R$ 387,5 bilhões)
foi a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre
(mais R$ 5,6 bilhões) e 4,7% no ano (mais R$ 17,5
bilhões).
Fonte: Agência Brasil

03/11/2026 -
DIAP lança cartilha sobre nova jornada de trabalho e
escala 5x2
O Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (DIAP) lançou a cartilha Nova Jornada de
Trabalho no Brasil, que explica as mudanças
previstas na Emenda Constitucional nº 141/2026.
A publicação apresenta as novas regras para a
jornada de trabalho, incluindo a implementação da
escala 5x2, a redução progressiva da jornada para 40
horas semanais e a garantia de que não haverá
redução salarial.
O material também detalha os prazos de transição, o
papel das negociações coletivas e o histórico de
tramitação da proposta no Congresso Nacional.
Para a Nova Central Sindical de Trabalhadores
(NCST), acompanhar a implementação das novas regras
é fundamental para garantir os direitos conquistados
e assegurar melhores condições de trabalho e
qualidade de vida para a classe trabalhadora.
Acesse a cartilha completa e confira os detalhes das
mudanças na jornada de trabalho.
Fonte: NCST

03/11/2026 -
Centrais sindicais lançam dossiê sobre redução da
jornada e fim da escala 6x1
As centrais sindicais reuniram em um dossiê
orientações jurídicas, análises e exemplos de
negociações coletivas para apoiar a atuação dos
sindicatos na implementação da redução da jornada de
trabalho e do fim da escala 6x1.
O material aborda as mudanças previstas na Emenda
Constitucional nº 141/2026, que estabelece a redução
progressiva da jornada para 40 horas semanais,
garante dois dias de repouso remunerado e proíbe a
redução salarial.
A publicação também reúne 15 exemplos de cláusulas
negociadas em acordos e convenções coletivas, além
de orientações para evitar a intensificação do
trabalho e assegurar o cumprimento dos direitos
conquistados.
Acesse o dossiê completo e confira os subsídios para
fortalecer a negociação coletiva e a defesa dos
direitos da classe trabalhadora.
Fonte: NCST

03/11/2026 -
Denúncias de assédio eleitoral crescem 75% após
eleições
MPT registra 3.396 denúncias de assédio eleitoral
em 2026. Trabalhadores podem buscar a Justiça contra
perseguições políticas
As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de
trabalho cresceram mais de 75% após o segundo turno
das eleições, segundo o Ministério Público do
Trabalho (MPT).
Entre segunda-feira (26) e quarta-feira (28), o
órgão recebeu 1.459 novas denúncias. Com isso, o
total chegou a 3.396 registros em todo o país.
Além disso, São Paulo lidera as ocorrências, com 620
denúncias, seguido por Minas Gerais (351), Paraná
(338), Rio de Janeiro (252) e Rio Grande do Sul
(223).
O aumento acompanha relatos de perseguições, ameaças
de demissão e incentivos a boicotes contra
trabalhadores que manifestaram posicionamentos
políticos diferentes daqueles defendidos pelos
empregadores.
Justiça combate perseguições políticas
Na terça-feira (27), a Justiça do Trabalho proibiu a
deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) de
incentivar empregadores a perseguir ou demitir
funcionários por convicções políticas.
A decisão estabelece multa diária de R$ 5 mil em
caso de descumprimento. A parlamentar havia
publicado mensagens incentivando empresários a
verificar posicionamentos políticos dos empregados.
Enquanto isso, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
informou que o governo estuda criar uma lista de
empresas envolvidas em práticas de assédio
eleitoral.
A proposta também prevê restrições ao acesso a
créditos públicos para empresas responsabilizadas
por discriminação política, como forma de combater
essas práticas no ambiente profissional.
TST promete resposta rápida
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST),
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que a
Justiça responderá rapidamente às denúncias de
assédio eleitoral.
O magistrado alertou que empregadores envolvidos
nessas práticas enfrentam consequências jurídicas e
financeiras, incluindo indenizações e a
possibilidade de reintegração dos trabalhadores
demitidos por discriminação política.
Segundo a legislação, a empresa condenada poderá
reintegrar o funcionário ou pagar em dobro os
salários correspondentes ao período de afastamento,
conforme a situação.
Além disso, a Constituição Federal, a Lei 9.029/1995
e convenções da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) asseguram proteção contra
discriminação motivada por convicções políticas.
Trabalhadores podem denunciar
Por fim, trabalhadores que sofrerem ameaças,
constrangimentos ou perseguições políticas podem
procurar seus sindicatos, o Ministério Público do
Trabalho e os canais oficiais de denúncia.
O Ministério do Trabalho também disponibiliza uma
plataforma específica para registrar ocorrências,
inclusive com documentos, mensagens e outros
elementos que ajudem a comprovar a discriminação.
Canal oficial de denúncias:
assedioeleitoral.trabalho.gov.br
Fonte: Rádio Peão Brasil

03/11/2026 -
Bancada do PT propõe pena de até 6 anos para
discriminação política no trabalho
Texto atinge perseguição motivadas pelo voto ou
pela convicção política no ambiente de trabalho e na
atividade econômica.
Um grupo de 65 deputados do PT apresentou à Câmara
dos Deputados o projeto de lei 5.689/2026, que
pretende transformar em crime determinadas formas de
discriminação e perseguição motivadas pelo voto ou
pela convicção política no ambiente de trabalho e na
atividade econômica.
A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão
no tipo básico, podendo chegar a seis anos quando
determinadas condutas forem praticadas por redes
sociais, aplicativos de mensagens, meios de
comunicação ou outras publicações.
Pelo texto, o Código Penal passaria a contar com um
novo crime, denominado "discriminação por voto ou
convicção política".A proposta pune quem elaborar,
organizar, divulgar ou compartilhar listas,
cadastros ou registros destinados a identificar
pessoas ou empresas por voto, posição política,
filiação partidária ou pelo exercício de direitos
políticos.
A pena prevista para essa conduta é de dois a cinco
anos de reclusão e multa. O mesmo enquadramento
alcançaria, entre outras situações:
- quem demitir funcionários ou rescindir contratos de
prestação de serviços por causa do voto;
- impedir contratação, promoção ou oportunidade
profissional;
- exigir que trabalhadores revelem em quem votaram;
- monitorar manifestações políticas com finalidade
discriminatória; ou
- ameaçar incluir alguém em listas para obrigá-lo a
esconder ou modificar suas posições políticas.
O texto estabelece uma punição maior quando a
elaboração ou divulgação das listas, o
constrangimento ou a incitação forem realizados por
meios de comunicação, redes sociais, aplicativos de
mensagens, internet ou outras formas de publicação.
Nesses casos, a pena prevista passa para três a seis
anos de prisão, além de multa.
Entre os autores está o deputado Tadeu Veneri
(PT-PR), que defende a aprovação ainda neste ano
como resposta às listas de boicote e outras formas
de retaliação registradas após as eleições.
"O projeto é necessário e eu espero que seja
aprovado ainda este ano, para que nós possamos
colocar definitivamente um fim à loucura que a
extrema-direita faz hoje, depois de ter perdido as
eleições, incentivando uma série de aberrações,
inclusive, a pessoas dentro dos próprios colégios,
universidades, fazendo discurso teórico."
Na Câmara, a proposta aguarda distribuição às
comissões temáticas antes de ir a Plenário.
Fonte: Congresso em Foco

03/11/2026 -
Conselho do FGTS prorroga regra de transição e trava
corte no saque-aniversário
A mudança significa que os trabalhadores poderão
continuar contratando até 2027 essa modalidade atual
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) aprovou nesta quinta-feira, 29, a
prorrogação do prazo da regra de transição que reduz
o limite de antecipações do saque-aniversário pelos
trabalhadores. Pela regra original, a partir do dia
1º de novembro, o teto de antecipação seria reduzido
de cinco parcelas/ano para três. Agora, a redução só
entrará em vigor a partir de 31º de março.
A mudança significa que os trabalhadores poderão
continuar contratando até 2027 essa modalidade
atual, que permite que a classe antecipe cerca de 5
anos de saque-aniversário por meio de um empréstimo
com instituições financeiras a juros de 1,8% ao mês.
Ao aderir a essa modalidade, os optantes abrem mão
de sacar o saldo total do FGTS em caso de demissão
sem justa causa, com direito apenas à multa
rescisória de 40%.
Até novembro de 2025, não havia limite para a
antecipação do saque-aniversário. Após a
implementação da restrição de cinco parcelas pelo
Conselho do FGTS, o percentual do montante do FGTS
sacado diretamente por trabalhadores saltou de 24%
para 39%, enquanto o valor repassado para as
instituições financeiras caiu de 76% para 61%.
O Ministério do Trabalho e Emprego pretende avaliar,
após esse adiamento, se é de fato necessário reduzir
ainda mais o teto de antecipação ou não. A
prorrogação teve oito votos favoráveis, dois
contrários e uma abstenção.
Fonte: Estadão Conteúdo

30/10/2026 -
Fim da escala 6×1: um guia sobre jornada e
negociação coletiva
O documento orienta os sindicatos a acompanhar a
redução da jornada e a reorganização das escalas
após a aprovação do fim da escala 6×1, garantindo os
novos descansos e a preservação salarial.
A redução da jornada de trabalho e a ampliação do
descanso semanal exigem organização e acompanhamento
das entidades sindicais. Para contribuir com essa
atuação, o documento “Fim da escala 6×1 e redução da
jornada de trabalho” reúne orientações sobre a
Emenda Constitucional nº 141/2026, seus prazos de
implementação e os principais pontos para a
negociação coletiva.
O material aborda a transição para 42 horas
semanais, em dezembro de 2026, e para 40 horas, em
dezembro de 2027, além da garantia de dois repousos
semanais remunerados, sem redução salarial. Também
aborda a revisão de cláusulas de acordos e
convenções coletivas, a organização das escalas e as
particularidades de categorias com jornadas
especiais.
A publicação inclui perguntas e respostas, a íntegra
da emenda e um quadro comentado de seus
dispositivos. O objetivo é oferecer subsídios para
que os sindicatos acompanhem a aplicação das
mudanças e defendam sua efetivação no cotidiano dos
trabalhadores.
Principais orientações
O documento reúne orientações para a atuação dos
sindicatos na redução da jornada e na reorganização
das escalas, com atenção à garantia dos descansos e
à preservação dos salários. Recomenda antecipar as
negociações à data-base, manter as condições mais
favoráveis aos trabalhadores e fiscalizar práticas
que possam intensificar o trabalho, como metas
excessivas, supressão de intervalos e uso irregular
de horas extras. Entre as principais orientações,
destacam-se:
- Não esperar a data-base para negociar.
Procurar as empresas e os sindicatos patronais para
adequar jornadas, escalas e cláusulas coletivas.
- Mapear a situação da categoria. Identificar
jornadas acima de 40 horas, escalas 6×1, bancos de
horas, regimes especiais e contratos de prestação de
serviços ao poder público.
- Preparar a transição. O calendário
apresentado prevê jornada máxima de 42 horas e dois
repousos semanais a partir de 16/12/2026, e
de 40 horas a partir de 16/12/2027.
- Revisar as cláusulas incompatíveis.
Negociar aditivos sobre jornada e descanso,
preservando as condições mais favoráveis. Não é
necessário renegociar todo o acordo ou convenção.
- Proteger os salários. Prever critérios para
impedir perdas decorrentes da redução da jornada,
com atenção aos trabalhadores remunerados por hora,
produção ou comissão.
- Definir escalas claras. Garantir divulgação
antecipada, limitar os dias consecutivos de trabalho
e buscar folgas consecutivas. A distribuição
excepcional dos repousos deve ser negociada
coletivamente.
- Fiscalizar a intensidade do trabalho.
Evitar que a redução das horas seja acompanhada de
metas excessivas, supressão de intervalos ou uso
irregular de horas extras e banco de horas.
- Tratar separadamente as situações especiais.
Examinar escalas 12×36, turnos, atividades
insalubres e outros regimes, além de negociar a
proteção da jornada dos empregados com diploma
superior e remuneração elevada abrangidos pela
exceção do artigo 8º.
- Acompanhar o setor público e a regulamentação.
Cobrar a adequação das jornadas dos servidores, os
aditivos dos contratos públicos e monitorar futuras
regras para pequenos negócios e regimes
diferenciados.
A orientação central é que os sindicatos atuem
desde já para transformar os direitos previstos em
jornadas, escalas e garantias concretas para cada
categoria.
Confira o documento completo aqui
Fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho
Fonte: Rádio Peão Brasil

30/10/2026 -
Congresso retoma agenda de propostas após eleições
Orçamento, segurança e trabalho desafiam
articulação do governo Lula.
Encerradas as eleições de 2026, o Congresso Nacional
retoma uma agenda de propostas econômicas, sociais e
institucionais que poderá definir os rumos do país.
Com a presença expressiva de partidos de direita e
centro-direita, o governo Lula terá de ampliar as
negociações para avançar em suas prioridades,
especialmente nas pautas relacionadas ao mundo do
trabalho.
Na área econômica, destacam-se a votação do
Orçamento de 2027, os ajustes nas despesas públicas
e a recomposição de recursos das agências
reguladoras. Também estão na agenda a
PEC 65/2023, sobre autonomia financeira e
orçamentária do Banco Central; o
PL 7.063/2017, que moderniza o marco legal das
concessões de serviços públicos; e o
PLP 29/2024, que trata da regulamentação do
imposto seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde
ou ao meio ambiente. Outra proposta em discussão é a
MP 1.394/2026, conhecida como MP do Fim das Bets,
voltada à proibição das apostas de quota fixa no
país.
No campo institucional, ganham destaque a
PEC 18/2025, da Segurança Pública, as propostas
de reforma do Judiciário, incluindo mudanças nos
mandatos de ministros, e a
PEC 32/2015, que propõe reduzir de 18 para 16
anos a maioridade civil e penal. A ela está
vinculada a
PEC 9/2026, que prevê a responsabilização
criminal de adolescentes entre 12 e 16 anos por
crimes graves, como homicídio e crimes hediondos.
A agenda também inclui o
PL 2.338/2023, que regulamenta a inteligência
artificial, além de regras para plataformas
digitais, streaming e serviços de vídeo sob demanda.
Na mobilidade urbana, permanece em discussão a
proposta de tarifa zero no transporte público.
Mundo do trabalho
Entre os temas de maior repercussão está a
regulamentação da Emenda Constitucional 141/2026,
originada da PEC 221/2019, que estabelece a redução
gradual da jornada para 40 horas semanais, com dois
dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
Em direção distinta, a
PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério
Marinho (PL-RN), propõe alterar o artigo 7º da
Constituição para permitir a escolha entre o regime
tradicional da CLT e um modelo flexível, baseado nas
horas trabalhadas, com remuneração e direitos
proporcionais. A proposta está
aberta à consulta pública no portal e-Cidadania,
onde a população pode manifestar sua opinião.
As duas iniciativas evidenciam diferentes concepções
sobre jornada, negociação e proteção trabalhista.
Nesse cenário, a capacidade de articulação do
governo com o Congresso será decisiva para a
definição das prioridades legislativas e para os
debates que se estenderão por 2027.
Fonte: Diap

30/10/2026 -
MPT processa Meta em R$ 50 milhões e quer remoção
imediata de conteúdos de assédio eleitoral
Ação judicial também pede a suspensão de perfis
que insistirem em incentivar demissões por convicção
política
O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou, nesta
quinta-feira (29), com ação civil pública na Justiça
do Trabalho contra a Meta, dona do Instagram, do
Facebook e do Threads. O órgão cobra que a empresa
retire do ar, em até 24 horas, publicações que
convocam empresários a vigiar, expor, deixar de
contratar e demitir funcionários por causa do voto.
Pede, ainda, R$ 50 milhões de indenização por danos
morais coletivos.
Após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro,
perfis nas plataformas passaram a se dirigir a
empregadores em tom de convocação. Publicações de
empresários, influenciadores e até parlamentares
orientam vasculhar as redes sociais de trabalhadores
para descobrir em quem votaram e, no caso de a opção
ser diferente do patrão, mandá-los embora. Outras
expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem,
ou comemoram demissões. Apenas quatro publicações de
um único perfil, com selo de verificação e 3,8
milhões de seguidores, somavam mais de 2 milhões de
curtidas. Entre a meia noite do dia 26 de outubro e
às 12h do dia 29, o MPT recebeu 1.459 denúncias de
assédio eleitoral, de um total de 3.396 registradas
nas eleições deste ano.
Responsabilidade da plataforma
A ação aponta a responsabilidade da plataforma
digital, pois, além de permitir conteúdos ilegais
durante dias, os próprios sistemas de recomendação
da empresa, como a aba ‘Explorar’ e os ‘Reels’
sugeridos, ampliam o alcance do que gera mais
engajamento. As postagens seguiam no ar dois dias
depois de publicadas, embora as regras da própria
Meta admitam a remoção de conteúdos que violem a
lei.
Para o MPT, a empresa dispõe de sistemas
automatizados, combinados com revisão humana, que já
identificam e removem outros tipos de conteúdo em
larga escala.
“Se não os emprega para identificar a incitação à
discriminação de trabalhadores por convicção
política, é por escolha, e não por impossibilidade
técnica”, afirmam os procuradores que assinam a
ação.
Em caráter de urgência, o MPT pede que a Meta
remova, em até 24 horas, as publicações de assédio
eleitoral, sob multa de R$ 500 mil por conteúdo
mantido, e exiba um aviso a todos os usuários
brasileiros que não compactua com manifestações que
incentivam a discriminação, retaliação ou punição de
empregados por orientação política. O MPT também
requer a notificação aos perfis responsáveis por
conteúdos ilegais e suspensão por 30 dias para
aqueles que voltarem a publicar conteúdos ilegais,
com desativação em caso de nova reincidência.
O MPT também quer que a empresa crie uma política
permanente de prevenção ao assédio eleitoral, mude
suas regras de uso para proibir expressamente esse
tipo de conteúdo, reforce a moderação em períodos
eleitorais e preste contas periodicamente à Justiça.
A ação é assinada pelo procurador-geral do Trabalho,
Gláucio Araújo de Oliveira, pela procuradora-chefe
do MPT-SP, Vera Lúcia Carlos, além dos procuradores
Igor Gonçalves, Luciana Coutinho, Tatiana Amormino,
Diego Jimenez e Marcos Cutrim.
Processo nº 1001837-49.2026.5.02.0077
Fonte: MPT

30/10/2026 -
Chefe de cartório é exonerada após publicação que
defende boicote e demissões por posição política no
PI
Segundo o presidente do tribunal, a conduta é
incompatível com o dever de neutralidade da Justiça
Eleitoral. Caso será apurado em processo
administrativo disciplinar.
A chefe do Cartório Eleitoral de Piripiri, Lucimeire
Barroso, foi exonerada do cargo após compartilhar em
uma rede social uma publicação que defende o boicote
a estabelecimentos comerciais e a demissão de
trabalhadores em razão de posicionamentos políticos.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (28)
pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral do
Piauí (TRE-PI), desembargador José Wilson Ferreira.
O g1 tenta contato com a servidora.
Em entrevista à TV Clube, o presidente do TRE-PI
afirmou que a conduta é incompatível com as regras
de neutralidade exigidas aos servidores da Justiça
Eleitoral.
"Há uma vedação expressa para que servidores da
Justiça Eleitoral não manifestem publicamente suas
preferências eleitorais. Isso é uma questão óbvia.
Claro que cada um tem o direito às suas escolhas
políticas e às suas manifestações no ambiente
privado, mas não pode externá-las ao público",
explicou.
Segundo ele, a exoneração decorre do fato de a
função exercida por Lucimeire ser um cargo de
confiança vinculado à Presidência do tribunal.
"Por conta disso, e por se tratar de um cargo de
confiança da Presidência, nós tivemos de exonerar a
servidora da chefia do cartório", afirmou.
O desembargador destacou, no entanto, que a medida
não representa uma conclusão sobre eventual
irregularidade cometida pela servidora. O caso será
analisado por meio de um Processo Administrativo
Disciplinar (PAD), conduzido pela Corregedoria
Regional Eleitoral.
"A servidora terá ampla oportunidade de apresentar o
contraditório e a ampla defesa, além de justificar
por que fez aquela postagem", disse.
Matéria completa:
https://g1.globo.com/pi/piaui/eleicoes/2026/noticia/2026/10/28/chefe-exonerada-pi.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-mobile&utm_campaign=materias
Fonte: Diap

29/10/2026 -
Brasília recebe 1º Simpósio de Relações Trabalhistas
e Sindicais
Brasília recebe, nos dias 12 e 13 de novembro, o 1º
Simpósio de Relações Trabalhistas e Sindicais, no
Instituto Consenso. Especialistas, representantes do
setor produtivo, profissionais do Direito e
dirigentes sindicais estarão reunidos para discutir
os principais desafios e perspectivas das relações
de trabalho no Brasil.
O evento é promovido pelo Instituto Consenso, a
CNSaúde e a Academia Brasileira de Direito do
Trabalho.
A programação aborda temas que estão no centro das
discussões trabalhistas, como negociação coletiva,
redução da jornada, regimes especiais de trabalho,
terceirização, pejotização e os impactos de decisões
do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior
do Trabalho.
No segundo dia, o foco será saúde e segurança no
trabalho, com debates sobre insalubridade, riscos
psicossociais, saúde mental, absenteísmo,
afastamentos previdenciários e gestão do retorno ao
trabalho.
O evento será encerrado com uma conferência sobre o
futuro das relações de trabalho, com discussões
sobre sustentabilidade, proteção social, inovação e
segurança jurídica.
Serviço
1º Simpósio de Relações Trabalhistas e Sindicais
Data: 12 e 13 de novembro de 2026
Horário: dia 12, das 8h30 às 18h00, com
confraternização ao final; dia 13, das 8h30 às 13h30
Local: Instituto Consenso, Brasília (DF)
Clique
aqui para se inscrever
Clique
aqui para conferir a programação
Fonte: Consultor Jurídico

29/10/2026 -
Denúncia
de Assédio Eleitoral
Brasília / DF, 28 de outubro de 2026.
ÀS ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES E
EMPREGADORES — SINDICATOS, FEDERAÇÕES, CONFEDERAÇÕES
E CENTRAIS SINDICAIS
Diante das denúncias de ameaças, assédio,
discriminação e demissões motivadas pelo
posicionamento político de trabalhadores após o
segundo turno das eleições, recebidas pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo
Ministério Público do Trabalho (MPT) e por outros
órgãos do Estado brasileiro, bem como das denúncias
veiculadas pela imprensa, dirijo-me às organizações
sindicais para reafirmar que a liberdade de opinião
e o sigilo do voto são direitos constitucionais.
Nenhum trabalhador é obrigado a revelar seu voto,
nem pode sofrer ameaças, perseguições ou demissão e,
tampouco, deixar de ser contratado em razão de suas
convicções políticas.
A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias
nas relações de trabalho, e a legislação eleitoral
também prevê medidas de proteção contra condutas
dessa natureza. Nos casos em que as irregularidades
forem comprovadas, o Ministério do Trabalho e
Emprego adotará as medidas cabíveis, incluindo
fiscalização das empresas, lavratura de autos de
infração e aplicação das sanções previstas em lei.
Os responsáveis também poderão ser obrigados a
reintegrar trabalhadores, pagar em dobro a
remuneração do período de afastamento e a repará-los
por danos morais individuais e coletivos, sem
prejuízo de outras responsabilizações legais.
O MTE tem orientado que os trabalhadores vitimados
pelas práticas de assédio procurem, em primeiro
lugar, seus sindicatos. Além disso, disponibilizamos
aos trabalhadores individualmente e aos sindicatos
um canal específico de denúncias, acessível pelo
link:
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/servicos/trabalhador/denuncia-de-assedio-eleitoral/denuncia-de-assedio-eleitoral
Conclamo as entidades sindicais a divulgar
amplamente este posicionamento e o canal de
denúncias, utilizando suas redes sociais e demais
meios de comunicação para orientar trabalhadores e
empregadores, contribuindo, assim, ao enfrentamento
sem fronteiras às práticas do assédio eleitoral.
A liberdade de opinião é um princípio fundamental da
democracia e deve ser respeitada também no ambiente
de trabalho. Ninguém pode ser constrangido,
discriminado ou punido por exercer esse direito.
Recebam minhas saudações!
Luiz Marinho
Ministro do Trabalho e Emprego
Fonte: MTE

29/10/2026 -
Governo alerta para notícias falsas sobre escala 6x1
e benefícios sociais
Declaração ocorre após publicações nas redes
sociais afirmarem que, encerrada a eleição, o
governo teria mudado de posição sobre algumas das
medidas defendidas durante o período eleitoral.
O Governo Federal alertou para a circulação de
informações falsas no período pós-eleitoral sobre um
suposto recuo no fim da escala 6x1 e possíveis
cortes no Bolsa Família e no Gás do Povo.
Segundo o Executivo, a mudança constitucional que
ampliou o descanso semanal dos trabalhadores
permanece sem alterações, enquanto os dois programas
sociais continuam funcionando normalmente, sem
suspensão de pagamentos ou redução de benefícios.
O alerta ocorre após publicações nas redes sociais
afirmarem que, encerrada a eleição, o governo teria
mudado de posição sobre algumas das medidas
defendidas durante o período eleitoral.
Em resposta, o Executivo afirmou que o texto da
emenda constitucional responsável pelas mudanças na
jornada de trabalho não sofreu qualquer alteração
depois da votação e que também não houve decisão
para reduzir os programas sociais.
"É falsa a afirmação de que, após as eleições, o
governo recuou do fim da escala 6x1 e passou a
preparar exclusões de categorias de trabalhadores.
Não há nenhuma proposta que retire direitos em
discussão no governo."
Em relação à escala 6x1, o governo afirma ser falsa
a informação de que estaria preparando exclusões de
categorias profissionais. A Emenda Constitucional nº
141 continua assegurando dois dias de repouso
semanal remunerado, sem redução salarial, embora
permita diferentes formas de distribuição das folgas
e regimes específicos previstos na própria norma.
A redução da jornada será feita gradualmente.
Sessenta dias após a promulgação, o limite passará
para 42 horas semanais e, um ano depois, chegará a
40 horas, sempre sem redução salarial. Segundo o
governo, as conversas com diferentes setores tratam
apenas da implementação das novas regras.
O governo também negou cortes no Bolsa Família. O
programa segue funcionando normalmente e, em
outubro, teve reajuste de 15,04%, fazendo o
benefício mínimo por família passar de R$ 600 para
R$ 691.
Também não houve corte no Gás do Povo, segundo o
Executivo. O programa continua garantindo a recarga
gratuita do botijão de gás de 13 quilos às famílias
contempladas e possui orçamento assegurado para
2026, além de previsão de recursos na proposta
orçamentária de 2027.
O Governo Federal orienta a população a consultar os
canais oficiais antes de compartilhar informações.
Dúvidas sobre programas sociais podem ser
esclarecidas pelo Disque Social 121. Informações
sobre o Bolsa Família também estão disponíveis nos
aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem e pelo
telefone 111 da Caixa.
Fonte: Congresso em Foco

29/10/2026 -
Novo Congresso impõe desafios à governabilidade de
Lula
Estudos do DIAP apontam que presidente
reeleito dependerá de alianças com o Centrão e de
negociações permanentes para aprovar projetos a
partir de 2027
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no
segundo turno das eleições presidenciais, realizado
no domingo (25), abre um novo ciclo político marcado
pela disputa pela governabilidade. Embora tenha
conquistado mais quatro anos à frente do Executivo,
o presidente enfrentará um Congresso Nacional mais
conservador, com forte presença da oposição e maior
dependência dos partidos de centro para aprovar sua
agenda.
O cenário já havia sido antecipado pelo Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) no
estudo
Cenários de base de apoio no Congresso a partir de
2027. Segundo a projeção, Lula poderá contar com
apenas 124 deputados de apoio consistente, além de
246 parlamentares de apoio condicionado e 143 de
oposição. No Senado, a situação é ainda mais
delicada: 16 senadores de apoio consistente, 31 de
apoio condicionado e 34 de oposição.
Os números mostram que a governabilidade dependerá
de negociações permanentes. O governo precisará
preservar sua base aliada e buscar apoio no Centrão,
formado por partidos que não necessariamente
acompanham o Executivo em todas as votações. A
construção de maiorias ocorrerá, portanto, conforme
os interesses das bancadas e o conteúdo de cada
projeto.
Outro levantamento do DIAP,
Congresso fica mais conservador, mas bancada
progressista resiste para 2027, aponta o
fortalecimento do PL, que terá 121 deputados e 28
senadores. A bancada progressista, por sua vez,
elegeu 124 deputados, enquanto os partidos
associados ao Centrão continuam ocupando posição
estratégica na formação de maiorias.
A disputa pela governabilidade também envolverá o
controle da pauta legislativa, o comando das
comissões e a eleição dos presidentes da Câmara e do
Senado, prevista para fevereiro de 2027. Esses
espaços serão decisivos para definir quais propostas
avançarão e em que condições serão negociadas.
O desafio será maior nas matérias que exigem quórum
qualificado. Para aprovar emendas à Constituição,
por exemplo, o governo precisará reunir pelo menos
308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos
em cada Casa. Sem maioria própria, dependerá de
acordos mais amplos, inclusive com parlamentares de
partidos que também integram a oposição em
determinadas pautas.
O DIAP também identificou, no estudo
Direita e ultraconservadorismo têm maioria no
Congresso, o avanço da direita nas duas Casas.
Na Câmara, esse campo passou de 248 deputados
eleitos em 2022 para 260 em 2026. No Senado, cresceu
de 32 para 48 parlamentares, ampliando sua
influência sobre a agenda legislativa.
Para o movimento sindical, a nova correlação de
forças exigirá acompanhamento permanente das
negociações e votações, especialmente de propostas
relacionadas aos direitos trabalhistas, ao serviço
público e às políticas sociais.
As análises do DIAP indicam, portanto, que o
principal desafio de Lula nos próximos quatro anos
será transformar apoios condicionados em maiorias
efetivas. Mais do que ampliar alianças, o governo
terá de negociar continuamente com um Congresso
fortalecido, no qual o Centrão e a oposição terão
papel decisivo nos rumos da agenda legislativa.
Fonte: Diap

29/10/2026 -
Sabesp recebe 116 autuações por demissões em massa
Ministério do Trabalho lavrou 116 autos de
infração após investigar reestruturação da empresa
privatizada; multas são estimadas entre R$ 2,5
milhões e R$ 3 milhões
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 116
autos de infração contra a Sabesp por
irregularidades trabalhistas identificadas após a
privatização da companhia, concluída em julho de
2024. Segundo a fiscalização, mais de 5 mil
trabalhadores deixaram a empresa sem negociação
prévia com os sindicatos.
As informações foram divulgadas em
coluna do jornalista Leonardo Sakamoto, publicada no
UOL nesta terça-feira, 27 de outubro.
Além da falta de negociação sindical, os auditores
apontaram discriminação contra empregados mais
velhos e trabalhadores que moviam ações contra a
empresa, indícios de assédio moral organizacional,
jornadas excessivas e falta de pagamento de horas
extras.
A primeira etapa da auditoria, conduzida pela
Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em
São Paulo, foi concluída em 21 de outubro. As multas
são estimadas entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões,
mas os valores definitivos dependerão da análise dos
autos em processo administrativo, no qual a
companhia poderá apresentar defesa.
Redução do quadro e ausência de negociação
De acordo com a coluna, a Sabesp lançou três programas
de desligamento em 14 meses após a privatização.
Dados divulgados pela própria companhia ao mercado
mostram que o quadro funcional caiu de 12.999
empregados, em 2022, para 8.717, em 2025, uma
redução de mais de 4 mil postos.
Os registros do eSocial analisados pelos auditores
indicaram que a rotatividade chegou a 32,9% em 2025.
Historicamente, o índice variava entre 0,2% e 6,3%
ao ano.
Para a fiscalização, a companhia descumpriu o
entendimento do Supremo Tribunal Federal, no chamado
Tema 638, que estabelece a necessidade de
intervenção sindical prévia em dispensas coletivas.
Durante a auditoria, a Sabesp informou que não
possuía atas de reuniões nem acordo coletivo
específico sobre os desligamentos.
Segundo o MTE, os acordos coletivos firmados desde
2022 garantiam o emprego de 98% do quadro, limitando
as demissões sem justa causa a 2% ao ano. Embora os
programas de demissão voluntária estivessem
excluídos dessa conta, os auditores avaliaram que a
cláusula não dispensava a negociação específica de
uma reestruturação dessa dimensão.
O auditor fiscal do trabalho Renato Bignami,
coordenador da ação, afirmou que a participação dos
sindicatos poderia ter evitado ou reduzido impactos
relacionados à discriminação, ao assédio, ao
adoecimento e à sobrecarga dos trabalhadores.
Discriminação e pressão para adesão
A fiscalização identificou que o regulamento de um dos
programas de desligamento dava prioridade a
aposentados com mais idade e tempo de empresa. Entre
os ex-empregados ouvidos pelos auditores, 62,5%
tinham mais de 50 anos quando aderiram e 67,8%
haviam trabalhado na companhia por mais de duas
décadas.
Os auditores também apontaram tratamento
desfavorável a trabalhadores com ações trabalhistas
em andamento. Segundo a coluna, os três programas
excluíam esses empregados, a menos que renunciassem
aos direitos discutidos na Justiça. Ao menos 242
trabalhadores abriram mão das ações para aderir.
Em setembro, a 3ª Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região anulou a cláusula de renúncia
do PDV-2025, considerada abusiva e discriminatória.
A decisão ainda pode ser revista pelo Tribunal
Superior do Trabalho.
Um levantamento sigiloso realizado pela fiscalização
com 659 ex-empregados também indicou pressão para a
adesão aos programas. Apenas 19,6% consideraram sua
participação totalmente voluntária; 38,1% disseram
ter sofrido assédio moral e 60,9% relataram ter
visto colegas sob pressão. Além disso, 81,9%
afirmaram que teriam continuado na Sabesp se não
fossem as circunstâncias dos programas.
Jornadas excessivas e horas extras
A análise dos cartões de ponto entre dezembro de 2025
e maio de 2026 encontrou, por amostragem, 115
infrações relacionadas à jornada e ao descanso em
unidades de todo o estado. Entre os registros
estavam períodos de mais de 24 horas de trabalho
ininterrupto, intervalos inferiores a oito horas
entre jornadas e escalas sem folga semanal.
A fiscalização apontou que a Sabesp deixou de pagar
horas extras registradas em seus sistemas sob o
argumento de que não haviam sido autorizadas pelas
chefias. Apenas em abril e maio de 2026, teriam sido
32.148 horas não pagas a 3.497 trabalhadores.
Os auditores também constataram aumento dos
afastamentos por transtornos mentais, como
ansiedade, depressão e burnout. A participação
desses casos no total de afastamentos
previdenciários passou de 14,5% em 2020 para 26,4%
em 2026.
Posicionamento da Sabesp
Em resposta ao UOL, a Sabesp informou que vem
prestando os esclarecimentos solicitados pela
Superintendência Regional do Trabalho e que
apresentará sua defesa no prazo legal.
A companhia também afirmou que o Ministério Público
do Trabalho analisou os programas de desligamento e
concluiu pela legalidade das práticas adotadas.
Segundo a empresa, os depoimentos colhidos na
apuração negaram a existência de assédio e
discriminação.
Os autos de infração lavrados pelo MTE seguem
sujeitos à análise administrativa.
Fonte: Rádio Peão Brasil

28/10/2026 -
Veja o que Lula pode mudar nas leis trabalhistas em
seu quarto governo
Governo sinaliza resposta à pressão social por
regras menos precárias para terceirização e
pejotização
Por Cristiane Gercina
(Folhapress) – O quarto mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo
(25), poderá ter alterações na CLT (Consolidação das
Leis Trabalhistas) após apoiar o fim da escala 6×1.
As mudanças em regras trabalhistas já estavam
previstas no plano de governo do petista, sem haver
detalhamento, e a ideia agora é debater as possível
alterações para enviar legislações ao Congresso.
Entre os pontos que podem ser alterados estão o
combate ao que se chamou de terceirização e
pejotização fraudulenta, além de uma tentativa de
fortalecimento dos sindicatos, que ganham
importância com as negociações coletivas previstas
na implantação da escala 5×2, com dois dias de
descanso semanal remunerado, e redução de jornada de
44 horas semanais para 42 horas a partir de
dezembro.
“Vamos aprimorar a legislação trabalhista, alterando
regras que induzem à precarização das condições de
trabalho, os marcos regressivos contidos na
legislação, as fraudes presentes em muitas
terceirizações, e retomando assistência sindical nas
homologações de rescisão do contrato de trabalho”,
diz o programa de governo.
Segundo o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, coordenador
do Fórum das Centrais Sindicais e um dos
coordenadores do plano de governo de Lula na área
econômica, não houve um debate operacional do que
seria feito, mas há “claramente uma intenção de
enfrentar esses problemas”.
“O presidente manifesta isso, todos nós que
trabalhamos indicamos essa necessidade, e as ruas
têm mostrado que algo precisa ser feito”, diz Ganz
Lúcio, ex-presidente do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos).
Lúcio diz que será necessário transformar as
propostas em medidas concretas, em um cenário que
deve exigir maior atuação dos sindicatos e
fortalecimento da negociação coletiva, em especial
com o fim da escala 6×1 e a implantação da escala
5×2 e a redução da jornada de trabalho de 44 horas
semanais, hoje, para 40 horas semanais em dezembro
de 2027.
Um dos principais desafios é o que ele chamou de
pejotização fraudulenta, quando as empresas
contratam trabalhadores como pessoas jurídicas,
embora a relação de trabalho tenha características
de emprego assalariado. De acordo com ele, será
preciso regulamentar de alguma forma esse tipo de
contratação.
“Se quer fazer um contrato PJ, que faça, mas esse
trabalhador precisa ter direitos, como 13º,
licença-maternidade e férias”, afirma.
O sociólogo diz ainda que será preciso combater a
terceirização irregular, tanto no setor público
quanto no privado, incluindo situações em que há
mudanças de CNPJ, mas os trabalhadores continuam
exercendo as mesmas funções.
Lúcio afirma também que o enfrentamento dessas
práticas exigirá encontrar caminhos jurídicos
capazes de proteger os trabalhadores sem impedir a
adoção desses modelos de contratação. Para ele,
relações de trabalho que não sigam o formato
tradicional conhecido hoje também podem assegurar
direitos equivalentes, desde que haja algum tipo de
garantia efetiva.
Ele acredita que não será fácil, mas que o
presidente Lula e o governo precisam ouvir as ruas,
com o apoio que a campanha recebeu neste segundo
turno.
O sociólogo também aponta a necessidade de discutir
mudanças mais amplas no financiamento da Previdência
Social. Na avaliação dele, o debate sobre as
relações de trabalho pode abrir espaço para repensar
o sistema de contribuição previdenciária diante de
formas de contratação que não se enquadram no modelo
clássico de emprego.
Em nota divulgada após vitória de Lula, as centrais
sindicais agradecem ao presidente reeleito,
reconhecem que a reeleição só foi possível por conta
de uma união de forças que contou com a presença de
jovens nas ruas e nas redes, além de idosos que se
dispuseram a votar, mesmo sem ser obrigados.
O manifesto afirma que o governo tem agora “a
responsabilidade de transformar a esperança renovada
em novas realizações”, e citam um série de áreas que
precisam de ações, segundo os sindicalistas.
As entidades defendem que a mobilização continue
após as eleições e se transforme em participação
política permanente, e apontam como prioridade para
o próxio mandato crescimento econômico com
distribuição de renda, criação de empregos, aumento
dos salários, redução da jornada de trabalho,
combate às desigualdades e a ampliação das
oportunidades para os jovens.
“Nenhum governo realizará sozinho essas
transformações. A força que vimos nas ruas precisa
continuar presente na sociedade e ocupar espaço no
governo.” Dizem também que Lula já ajudou a
“plantar” sonhos dos quais a sociedade não quer mais
abrir mão.
“Durante décadas, Lula ajudou a demonstrar que
sonhos coletivos podem se transformar em realidade:
sonhos em organização, organização em luta, luta em
políticas públicas, políticas públicas em direitos e
direitos em transformação concreta da vida de
milhões de brasileiros.” Também afirmam que é
necessário enfrentar as mudanças climáticas e
tecnológicas.
Assinam o documento Sérgio Nobre, presidente da CUT
(Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres,
presidente da Força Sindical; Ricardo Patah,
presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores);
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Antônio
Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos
Brasileiros); Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova
Central Sindical de Trabalhadores); Nilza Pereira,
secretária-geral da Intersindical Central da Classe
Trabalhadora; José Gozze, presidente da Pública
Central do Servidor; e Luiz de Souza Arraes, do
Fórum Sindical de Trabalhadores.
Fonte: ICL Noticias

28/10/2026 -
Demissão por voto nas eleições é ilegal; saiba como
denunciar
Após reeleição de Lula, parlamentares e pessoas
que se dizem empresárias incentivam, pelas redes
sociais, demissões de petistas. Prática
discriminatória pode gerar indenização e
reintegração ao emprego.
A reeleição de Lula (PT) provocou uma série de
publicações nas redes sociais incentivando a
demissão de funcionários por suas preferências
políticas. A prática é ilegal: embora o empregador
possa dispensar trabalhadores sem justa causa, não
pode fazê-lo por sua escolha eleitoral. Quem sofrer
discriminação pode recorrer à Justiça para pedir
indenização e reintegração ao emprego.
Entre os autores das publicações estão pessoas que
se apresentam como empresárias e a vereadora de
Londrina (PR) e deputada estadual eleita Jessicão
(PL). No X, ela escreveu: "Você tem uma empregada
que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é
petista? DEMITA!". Também recomendou romper relações
com prestadores de serviços e amigos que apoiam o
PT.
No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau
(PL) comparilhou nas redes mensagem que sugeria que
empresários verificassem as manifestações políticas
dos empregados: "Empresário, olha a rede social do
teu funcionário aí e confere se ele fez 'L'", dizia
o texto que ainda questionava a manutenção de
funcionários que "odeiam empresários". A publicação
foi posteriormente apagada pela parlamentar.
Reeleita, Índia Armelau foi a deputada estadual mais
votada do Rio de Janeiro, com mais de 248 mil votos.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná
abriu investigação sobre a manifestação de Jessicão
por possível assédio eleitoral. O órgão ressalta que
represálias motivadas por escolhas políticas podem
ser denunciadas mesmo depois das eleições.
O que diz a lei?
A Constituição garante a liberdade de convicção
política, enquanto a Lei 9.029/1995 proíbe práticas
discriminatórias nas relações de trabalho. Isso
significa que o empresário pode ter suas
preferências eleitorais e manifestá-las, mas não
usar sua autoridade para constranger, ameaçar ou
punir funcionários por suas escolhas políticas.
Se a Justiça reconhecer que a demissão foi
discriminatória, o trabalhador poderá pedir
indenização por danos morais e escolher entre duas
alternativas:
- Voltar ao emprego, com recebimento dos salários e
demais remunerações devidas pelo período de
afastamento.
- Receber em dobro a remuneração correspondente ao
período de afastamento, com correção monetária e
juros legais.
A empresa também pode sofrer sanções administrativas e
responder por danos morais coletivos, conforme as
circunstâncias.
Demitir por motivo político é crime?
Não automaticamente. A demissão discriminatória é uma
ilegalidade trabalhista, mas não configura, por si
só, crime eleitoral.
O artigo 301 do Código Eleitoral prevê até quatro
anos de prisão, além de multa, para quem usa
violência ou grave ameaça para obrigar alguém a
votar ou deixar de votar em determinado candidato ou
partido.
A diferença está na conduta: ameaçar um empregado
para interferir em seu voto pode configurar crime
eleitoral. Já dispensá-lo como represália depois da
votação pode gerar indenização e outras
consequências trabalhistas, sem necessariamente
constituir aquele crime.
O MPT considera que o assédio eleitoral pode ocorrer
antes, durante ou depois da eleição, desde que
relacionado à disputa e à relação de trabalho.
Como denunciar?
Quem sofrer ou presenciar ameaças, constrangimentos ou
demissões por motivação política pode procurar o
Ministério Público do Trabalho. Não é necessário
esperar pela demissão para denunciar.
Veja o que fazer, segundo orientações do Ministério
Público do Trabalho:
- Guarde as provas. Preserve mensagens, áudios,
vídeos, publicações e capturas de tela. Anote datas
e nomes de possíveis testemunhas.
- Procure o MPT. Acesse mpt.mp.br e entre no canal de
denúncias da unidade do seu estado.
- Relate o ocorrido. Informe o nome da empresa, os
envolvidos e como aconteceu a ameaça ou represália.
- Solicite sigilo. É possível pedir a preservação da
identidade do denunciante.
Fonte: Congresso em Foco

28/10/2026 -
Lula bate próprio recorde e se torna o presidente
mais votado da história
A marca anterior pertencia ao próprio presidente,
quando recebeu 60,3 milhões votos nas eleições de
segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022
Reeleito neste domingo (25) para seu quarto mandato
com 64,25 milhões de votos (51,79%), Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) supera as suas próprias marcas e
se consagra como o presidente mais votado da
história da República brasileira.
A marca histórica anterior pertencia ao próprio
Lula, quando recebeu 60,34 milhões votos nas
eleições de segundo turno contra Jair Bolsonaro
(PL), em 2022.
Em relação a essa última eleição, o presidente
recebeu mais de 3,9 milhões de votos diante da
expansão do eleitorado brasileiro, que subiu de
156,4 milhões para 158 milhões de eleitores aptos a
votar em 2026.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve
56,10 milhões votos (47,03%) contra 53,87 milhões de
votos (45,16%) de Lula.
Na votação final, o presidente somou mais de 10,3
milhões de votos adicionais, o que reverteu a
vantagem do adversário.
Também foi a primeira vez, desde a instituição do
sistema de dois turnos (1989), que um candidato que
terminou o turno em segundo lugar conquistou a
Presidência.
Na comparação entre as duas eleições, o presidente
também dobrou sua margem de vitória.
Em 2022, venceu Bolsonaro por diferença de 2,13
milhões de votos (1,8 ponto percentual), ao passo
que, em 2026, a diferença sobre o filho 01 do
ex-presidente superou os 4,5 milhões de votos (3,5
pontos percentuais).
Em termos percentuais, o maior desempenho de Lula
permanece sendo o de 2002 (61,27% contra José Serra)
e o de 2006 (60,83% contra Geraldo Alckmin, seu
atual vice).
Lista das votações presidenciais:
2026 — Lula (PT): 64,2 milhões de votos
2022 — Lula (PT): 60,3 milhões de votos
2006 — Lula (PT): 58,3 milhões de votos
2018 — Jair Bolsonaro (PL): 57,8 milhões de votos
2010 — Dilma Rousseff (PT): 55,7 milhões de votos
2014 — Dilma Rousseff (PT): 54,5 milhões de votos
Fonte: Portal Vermelho

28/10/2026 -
Xi Jinping parabeniza Lula e propõe acelerar
parceria estratégica China-Brasil
Segundo o líder chinês, a cooperação ganhou maior
relevância global, estratégica e de longo prazo,
tornando-se um "exemplo de solidariedade e
cooperação entre os países do Sul Global".
O presidente da China, Xi Jinping, enviou nesta
terça-feira, 27, uma mensagem ao presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, para
parabenizá-lo pela reeleição e defender o
aprofundamento da parceria estratégica entre os dois
países, segundo comunicado divulgado pelo governo
chinês. Xi destacou as contribuições de Lula para o
desenvolvimento das relações bilaterais e afirmou
que ambos mantiveram comunicação estreita nos
últimos anos.
Segundo o líder chinês, a cooperação ganhou maior
relevância global, estratégica e de longo prazo,
tornando-se um “exemplo de solidariedade e
cooperação entre os países do Sul Global”.
O presidente chinês disse ainda que pretende
trabalhar com Lula para elevar a novos patamares a
construção de uma “comunidade de futuro
compartilhado China-Brasil” e ampliar a cooperação
estratégica abrangente, em benefício das populações
dos dois países.
Pequim já havia reconhecido o resultado da eleição
brasileira na segunda-feira. Na ocasião, o porta-voz
da chancelaria, Guo Jiakun, afirmou que a China
respeita a “escolha do povo brasileiro”, ao ser
questionado sobre a contestação do resultado por
Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa
presidencial.
O vice-presidente chinês, Han Zheng, também enviou
mensagem de congratulações ao vice-presidente
reeleito Geraldo Alckmin.
Fonte: Estadão Conteúdo

27/10/2026 -
Motta defende o diálogo e diz que Lula tem a
oportunidade de conciliar o país
Segundo ele, a Câmara e o Senado darão o apoio
necessário às pautas voltadas à população
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), afirmou que a reeleição de Luiz
Inácio Lula da Silva para a Presidência da República
abre uma nova oportunidade para conciliar o país,
marcado pela divisão política e pela radicalização.
Ele também defendeu o diálogo entre os Poderes e
disse que o Congresso estará pronto para apoiar
pautas consideradas necessárias para a população
brasileira.
“Temos um Brasil dividido e radicalizado e, com a
vitória de hoje, o presidente Lula tem uma nova
oportunidade de conciliar o país, de olhar para
frente e governar para todos”, disse ele, em
pronunciamento feito ao lado do presidente do
Senado, Davi Alcolumbre.
Ao cumprimentar Lula pela eleição, o presidente da
Câmara destacou o sistema eleitoral brasileiro e a
rapidez na apuração dos votos. Segundo ele, o
processo eleitoral é motivo de orgulho para o país e
serve de exemplo para o mundo.
“Quero cumprimentar o presidente eleito, Luiz Inácio
Lula da Silva, consagrado pela maioria dos eleitores
para exercer a função de presidente da República. A
sua eleição traz para nós um processo eleitoral
digno de todas as homenagens. Temos um sistema
eleitoral que é orgulho para o país, exemplo para o
mundo e também pela sua rapidez na apuração”,
afirmou.
Motta também disse esperar que o presidente eleito
avalie os acertos e erros e identifique os pontos
que precisam ser aprimorados. Entre os desafios
mencionados, citou o crescimento econômico, a
segurança pública e a segurança social.
“Quero que o presidente reeleito possa fazer uma
avaliação dos acertos e erros cometidos. Precisamos
fazer uma autoavaliação do que precisa ser
melhorado”, disse.
Motta afirmou ainda que a Câmara e o Senado darão o
apoio necessário às pautas voltadas à população. Ele
ressaltou a importância da independência e da
harmonia entre os Poderes, conforme previsto na
Constituição, e defendeu a construção de um futuro
com mais justiça para o país. Ao falar sobre a
relação com o novo governo, o parlamentar afirmou
que estará aberto ao diálogo e disposto a contribuir
com as iniciativas consideradas importantes para o
país.
“Quero dizer mais uma vez que estaremos prontos para
diálogo, independência e harmonia, como preconiza a
Constituição, para dialogar e projetar um futuro do
país, para poder ajudar e se empenhar naquilo que é
importante”, afirmou.
Ao final, o presidente da Câmara também cumprimentou
Flávio Bolsonaro, seu partido e sua bancada,
ressaltando que a disputa eleitoral ocorre dentro
das regras do processo democrático.
Fonte: Agência Câmara

27/10/2026 -
Centrão acena a Lula e tentará manter cargos em novo
governo
Partidos se movimentam para manter espaço na
Esplanada após terem apoiado Flávio no segundo turno
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
partidos do Centrão que embarcaram na candidatura de
Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições
voltaram a se reaproximar do governo.
A vantagem de Flávio no primeiro turno estimulou o
alinhamento de União Brasil, PP e Republicanos ao
candidato do PL. O apoio abriu, ainda durante a
campanha, negociações por cargos em um eventual
governo bolsonarista.
Nos bastidores, porém, a escolha nem sempre
correspondia à avaliação dos próprios dirigentes.
Alguns presidentes de partido procuraram Lula antes
de fechar com Flávio e, em conversas reservadas,
admitiam considerar o petista melhor para o país.
No terceiro mandato, o União Brasil teve espaços em
Turismo, Comunicações e Integração e Desenvolvimento
Regional. O PP chegou ao Ministério do Esporte com
André Fufuca, enquanto o Republicanos ocupou Portos
e Aeroportos com Silvio Costa Filho, atualmente
cotado para assumir a articulação política do
Planalto.
O MDB ficou com Transportes, Cidades e Planejamento,
ocupados inicialmente por Renan Filho, Jader Filho e
Simone Tebet.
Além da negociação por ministérios, o presidente
terá de lidar com a eleição dos comandos da Câmara e
do Senado, em uma provável aliança com Davi
Alcolumbre e Hugo Motta.
A reaproximação com o Centrão servirá para Lula
fortalecer a base em um Congresso mais à direita.
O presidente precisará da base para aprovar o
orçamento de 2027 e avançar com promessas
eleitorais, como o transporte público gratuito aos
fins de semana, o reajuste do Bolsa Família e a
ampliação do Pé-de-Meia, que estarão entre os
primeiros testes de Lula no Congresso.
Fonte: CNN Brasil

27/10/2026 -
Maioria de oposição no Congresso será desafio para
governo Lula, dizem analistas
Oposição vai ter o controle da pauta do
Legislativo, diz cientista política
Eleito para seu quarto mandato como presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá na
composição do Congresso um desafio para governar.
“A oposição vai ter o controle da pauta do
Legislativo e tem voto suficiente para derrubar
eventuais vetos dados pelo presidente eleito”,
afirma a professora Mariana Chaise, do Departamento
de Ciência Política da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp).
O cientista político Ismael Almeida acrescenta o
desafio da eleição dos presidentes da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal. “Esses cargos são
estratégicos, porque influenciam diretamente quais
matérias avançam, quais ficam paradas e como será
conduzida a relação entre os Poderes”, explica. “Se
a oposição conseguir uma maioria para eleger os dois
presidentes, Lula poderá enfrentar dificuldades
ainda maiores para aprovar a sua agenda.”
Já o cientista político Antônio Flávio Testa disse
que Lula terá que assumir compromissos com um
Congresso “em tese resistente às suas posições”, se
quiser cumprir as promessas de campanha.
Diálogo
Ismael Almeida e Mariana Chaise acreditam, no entanto,
na possibilidade de uma pacificação entre o
Executivo e o Legislativo. Na avaliação de Almeida,
o desafio estará em formar uma base estável, sem
transformar cada votação numa crise política.
Já Mariana acredita que Lula tentará reconstruir sua
base de apoio a partir de uma adesão dos
parlamentares ao governo. “Mas essa adesão tende a
ser negociada tema a tema. A pauta tende a ser mais
enxuta e focada em temas muito populares”, avalia a
professora.
Ela diz ainda que a negociação seguirá a lógica de
negociar com diferentes partidos. “Existe uma
composição de partidos que tende a negociar,
independentemente de qual seja o governo. A
dificuldade se mantém no PL, que tem incentivos
eleitorais para manter o espírito de polarização
ativo até a próxima eleição presidencial”, afirma
Mariana Chaise.
Neste novo mandato, Lula também não terá a “caixa de
ferramentas”, nas palavras de Mariana, que teve em
seus primeiros governos nos anos 2000. As emendas
parlamentares, por exemplo, passaram a ser
impositivas, obrigando o governo a executar gastos
indicados por parlamentares no orçamento público e
acabando com o poder de barganha do presidente.
Fonte: Agência Câmara

27/10/2026 -
Lula poderá indicar ao menos quatro ministros do STF
no novo mandato; veja as vagas
A conta considera a vaga aberta com a
aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em
outubro de 2025, e as aposentadorias compulsórias de
três ministros que completarão 75 anos no período
Reeleito no domingo (25), o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) poderá indicar até quatro
ministros para vagas no Supremo Tribunal Federal
(STF) até o fim de seu mandato, em janeiro de 2031.
A conta inclui a cadeira de Luís Roberto Barroso,
aberta desde sua aposentadoria antecipada em outubro
de 2025, além das aposentadorias compulsórias de
três ministros que completarão 75 anos ao longo do
período.
Um dos nomes mais citados em Brasília para ocupar a
vaga de Barroso é o de Rodrigo Pacheco,
ex-presidente do Senado que assumiu uma cadeira no
Tribunal de Contas da União (TCU) em setembro.
O Planalto não confirma que apoiará a indicação de
Pacheco, mas Lula vem de uma derrota na tentativa de
nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias,
para o cargo. Em abril, Messias foi rejeitado pelo
plenário do Senado por 42 votos a 34. O episódio
marcou a primeira rejeição de um indicado ao STF
desde o governo Floriano Peixoto, no fim do século
XIX.
As outras três vagas que poderão ser preenchidas por
indicações de Lula seguem o calendário de
aposentadorias compulsórias no STF. Luiz Fux,
indicado por Dilma Rousseff em 2011, deixará a Corte
em abril de 2028. Cármen Lúcia, escolhida pelo
próprio Lula em 2006, se aposentará em abril de
2029. Já o decano Gilmar Mendes, nomeado por
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, deverá
deixar o tribunal em dezembro de 2030.
Dos dez ministros atualmente em atividade, quatro
foram indicados por Lula: Cármen Lúcia, Dias Toffoli,
Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Fonte: InfoMoney

26/10/2026 -
Lula é reeleito presidente do Brasil em virada
histórica
Com mobilização nas redes e nas ruas, candidato
superou adversário
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, foi reeleito
neste domingo (25) para seu quarto mandato à
Presidência da República pelo Partido dos
Trabalhadores (PT).
Com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula obteve
51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863
votos em uma campanha que tomou fôlego no segundo
turno, a partir de uma reação nas redes sociais e de
manifestações de rua.
Ele venceu o adversário Flávio Bolsonaro (PL).
Nas redes, Lula adotou um tom mais informal,
gravando vídeos em formato selfie e falando
diretamente com o eleitor. Mas a grande guinada
nesse quesito foi a entrada do deputado André
Janones (Rede-MG) na campanha.
Janones criou o grupo “Exército de Lula” no
WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas
e, com a ajuda delas, aumentou o engajamento da
esquerda nas redes sociais e amplificou a campanha
pró-Lula.
Ao mesmo tempo, a população foi às ruas em atos
espontâneos. Movimentos sociais e estudantes
organizaram várias mobilizações em dezenas de
cidades pelo país. As imagens das ruas tomadas de
vermelho ajudaram a dar o tom de uma virada até
então inédita no segundo turno.
Propostas
Sua campanha trouxe a promessa de continuidade a
políticas adotadas nos últimos quatro anos ou
aprofundá-las, com mais investimentos ou alcance.
Entre as propostas do plano de governo de Lula,
considerando diferentes áreas de gestão, estão o
aumento do salário mínimo sempre acima da inflação,
investimento em defesa nacional e a criação de um
ministério para a Segurança Pública. A ideia do
ministério é garantir a participação da União nas
políticas de segurança atualmente geridas unicamente
pelos estados.
Seu programa de governo falou em criar “a maior rede
pública de cuidado ao câncer do mundo”. Para isso,
prevê investimentos em diagnóstico e tratamento ao
câncer com técnicas e equipamentos modernos, bem
como a atualização de novos medicamentos
quimioterápicos e imunoterápicos.
Na área de educação, Lula prometeu criar novas
versões do Programa Pé-de-Meia, como o Pé-de-Meia
universitário. O programa Pé-de-Meia foi criado em
2024, em uma versão escolar. Trata-se de um
incentivo financeiro-educacional pago pelo governo
federal para promover a permanência e a conclusão
escolar de pessoas matriculadas no ensino médio
público.
Após enfrentar com soberania o "tarifaço" imposto
pelo governo de Donald Trump, Lula reafirmou o
compromisso em manter relações equânimes,
diplomáticas e comerciais com todos os países do
mundo, fortalecendo a economia nacional, com base na
industrialização, e buscando novos mercados para
exportação.
Fonte: Agência Brasil

26/10/2026 -
Ganhos reais nos salários avançam e devem superar
2025
Levantamento do Dieese aponta crescimento dos
ganhos reais em 2026 e destaca a campanha salarial
dos metalúrgicos da Força Sindical
O crescimento dos reajustes salariais acima da
inflação deve continuar em 2026, superando os
resultados registrados no ano passado, segundo
levantamento divulgado pelo Dieese.
Além disso, os dados mostram estabilidade nas
negociações coletivas, com resultados positivos para
trabalhadores de diferentes categorias, fortalecendo
o poder de compra dos salários brasileiros.
Segundo o boletim
De Olho nas Negociações, do Dieese – Edição nº 73,
os reajustes acima da inflação alcançaram 83,1% em
julho, 90,1% em agosto e 84,7% em setembro.
O levantamento considera acordos e convenções
coletivas registrados no Sistema Mediador do
Ministério do Trabalho e Emprego, além dos
aditamentos negociados entre as partes envolvidas.
Luís Ribeiro, técnico do Dieese e coordenador dos
levantamentos, destaca a estabilidade econômica e
demonstra otimismo quanto à continuidade dos
resultados positivos nas próximas negociações
salariais.
“Não vejo motivos pra esse quadro mudar nos próximos
três meses. Até porque novembro, por exemplo, é a
data-base dos metalúrgicos do Estado de São Paulo,
categoria que geralmente fecha a campanha com ganho
real”.
Economia aquecida favorece reajustes
De acordo com Ribeiro, aproximadamente 85% das
negociações salariais devem garantir aumentos reais
em 2026, percentual que poderá superar os resultados
registrados durante o ano anterior.
Além disso, o crescimento do Produto Interno Bruto,
o aquecimento do mercado interno e o desempenho da
construção civil contribuem para sustentar as
perspectivas positivas atuais.
Exportações brasileiras apresentam crescimento
Enquanto isso, as exportações brasileiras cresceram
9,3% no terceiro trimestre de 2026, alcançando US$
100,73 bilhões, conforme os indicadores econômicos
apresentados na reportagem da Agência Sindical.
Em outubro, as vendas destinadas à União Europeia
registraram crescimento de 34,5%, enquanto as
exportações para a Índia avançaram 87,9%, reforçando
o desempenho comercial brasileiro.
Bets e consumo interno
Por outro lado, uma entidade ligada ao setor
supermercadista identificou crescimento nas vendas e
relacionou esse movimento à proibição das apostas
esportivas, conhecidas como bets.
Segundo essa avaliação, recursos anteriormente
destinados às apostas estariam retornando ao consumo
das famílias, embora a relação apresentada ainda
dependa de comprovação por estudos econômicos.
Fonte: Rádio Peão Brasil

26/10/2026 -
Economista aponta ganhos da 6×1
A Agência Sindical entrevistou Pedro Afonso Gomes.
Ele é economista, atua no BNDES e integra o Conselho
Federal de Economia (Cofecon). Ex-funcionário do
Banco do Brasil, Pedro Afonso também é perito
contábil, especialista na recuperação de empresas.
Ele falou do fim da escala 6×1, da redução da
jornada pra 40 horas e de outros avanços.
Pedro diz:
6×1 – “A Emenda à Constituição teve a cautela
de assegurar um período de transição de 60 dias, ou
seja, até 17 de dezembro do corrente. Período para
que as empresas se adaptem e os Sindicatos possam
atuar”.
Empregos – “Sem dúvida, um dos objetivos do
fim da 6×1 foi abrir novas vagas de trabalho,
observando-se o porte da empresa ou seu setor de
atuação”.
Empresa – “Caberá à empregadora buscar formas
de adaptação e encontrar novas maneiras de
contratação, observando-se as duas folgas semanais
do empregado e o salário, que não pode ser
reduzido”.
Duas folgas – “Cada pessoa utilizará esse dia
da forma que lhe for mais favorável. Pode ser maior
tempo de convivência com a família, pode ser mais
lazer, pode ser também estudar ou mesmo fazer um
bico pra aumentar a renda. Importa que serão duas
folgas na semana”.
Folguista – “A depender do setor, a empresa
contratará folguista para suprir a ausência do
trabalhador com uma folga a mais. Em muitas bases
sindicais, vai ser levado em conta o que estabelece
a Convenção Coletiva da categoria”.
Possibilidade – “A reforma trabalhista de
2017 ampliou as formas de contrato e de contratação
e, sem dúvida, as empresas irão buscar essas saídas,
desde que não descumpram as Convenções das
categorias”.
40 horas – “Para caber 44 horas numa jornada
de segunda a sexta, o empregado terá que, de segunda
a sexta, ou seja, em cinco dias, trabalhar 8 horas e
48 minutos”.
Família – “Um dia a mais de folga beneficia o
trabalhador e a família, com mais tempo para a
convivência, cuidar dos filhos, zelar pela educação
e tratar de assuntos domésticos. Há um evidente
ganho na qualidade de vida, inclusive no que diz
respeito à saúde física e mental”.
Economia – “Temos visto um quadro estável na
economia nacional e com avanços. O fim da bets,
agora proibidas por Lula, já mostra que parte
daquele dinheiro hoje está direcionada para compra
de alimentos, remédios e outros gêneros de primeira
necessidade”.
Mais – Site do Cofecon
Fonte: Agência Sindical

26/10/2026 -
Combate ao racismo nas relações de trabalho será
tema de audiência pública no TST
Contribuições serão recebidas para a
implementação da Convenção Interamericana contra o
Racismo
Como promover ações afirmativas e combater racismo
nas relações de trabalho? Esta será uma das questões
que a sociedade poderá responder em audiência
pública no Tribunal Superior do Trabalho (TST), no
dia 3 de novembro, das 9h30 às 12h30. A audiência
trata da implementação da Convenção Interamericana
contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas
Correlatas de Intolerância nas relações de trabalho
e será transmitido ao vivo pelo canal oficial do TST
no YouTube.
Estarão em foco os artigos 5º a 9º da Convenção e
buscará contribuir para o fortalecimento de ações
afirmativas, o engajamento da iniciativa privada no
enfrentamento ao racismo e a formulação de
recomendações técnicas para o sistema de justiça.
Promovida pelo Programa de Equidade do TST, em
parceria com a EDUCAFRO Brasil, o Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) e o Ministério Público do Trabalho
(MPT), a audiência reunirá especialistas,
magistrados, advogados e representantes da sociedade
civil.
Acompanhe
Data: 3 de novembro de 2026 (terça-feira)
Horário: das 9h30 às 12h30
Local: Sala de Sessões da 6ª Turma do TST
Transmissão ao vivo:
canal oficial
do TST no YouTube
Fonte: TST

26/10/2026 -
Trabalho habitual em folgas descaracteriza escala
3x3, decide 9ª Câmara
A 9ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª
Região declarou inválida a escala de trabalho 3x3
adotada por uma fabricante de embalagens metálicas
ao concluir que a empresa exigia, de forma habitual,
a prestação de serviços em dias destinados às
folgas. Para o colegiado, a prática descaracterizou
o regime de compensação de jornada previsto em
acordo coletivo, resultando na condenação ao
pagamento, como extras, das horas trabalhadas além
da 8ª diária e da 44ª semanal, e também da
remuneração pelo intervalo intrajornada parcialmente
suprimido.
Ao apreciar os pedidos, o Juízo da Vara do Trabalho
de Itu considerou válida a escala 3x3 prevista em
acordo coletivo e entendeu que a prova produzida não
afastava a regularidade do regime de compensação.
Contudo, em sede recursal, a relatora do acórdão,
desembargadora Cinthia Maria da Fonseca Espada,
observou que o acordo coletivo não autorizava
expressamente a prorrogação da jornada em ambiente
insalubre, nem dispensava a licença prévia
determinada pelo artigo 60 da CLT. Além disso, a
decisão destacou que a prova oral, corroborada pelos
cartões de ponto, demonstrou que o empregado
trabalhava habitualmente em dias destinados ao
descanso, chegando a prestar serviços por quatro
dias consecutivos e usufruir apenas um dia de folga.
Segundo o acórdão, embora a prestação habitual de
horas extras não invalide, por si só, um acordo de
compensação de jornada, o mesmo não ocorre quando há
trabalho frequente nos dias reservados ao repouso,
hipótese em que a escala deixa de ser observada nos
moldes pactuados.
O colegiado também reconheceu que os registros de
jornada não refletiam integralmente a realidade, ao
constatar que o trabalhador permanecia, em média,
duas vezes por semana, por mais 30 minutos em
reuniões após o expediente e usufruía apenas 20
minutos de intervalo intrajornada, apesar da
pré-assinalação de uma hora nos cartões de ponto.
Com a invalidação da escala 3x3, a empresa foi
condenada ao pagamento, como extras, das horas
trabalhadas além da 8ª diária e da 44ª semanal, de
forma não cumulativa, com adicional normativo de
67%, além da remuneração correspondente aos 40
minutos diários de intervalo intrajornada suprimido.
Processo nº 0011014-11.2025.5.15.0018
Fonte: TRT15

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