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Publicação: 17/09/2026
CNTI
encerra plenária de 80 anos com defesa
do sindicalismo,
transição
justa e soberania
Último dia em Luziânia reuniu
debates sobre custeio sindical, mudanças
climáticas e IA, além de homenagens,
posse da nova direção e aprovação da
Carta de Luziânia

O terceiro e último dia da Plenária
Nacional CNTI 80 Anos, na quinta-feira
(17), foi marcado por debates sobre os
desafios do sindicalismo diante das
transformações no mundo do trabalho,
pela discussão sobre transição
energética e tecnológica e, no
encerramento, por homenagens, posse da
nova diretoria e decisões políticas da
entidade.
Na parte da manhã, o painel “Direito,
estrutura e sustentação sindical”
discutiu as mudanças no Direito do
Trabalho, o financiamento das entidades,
o chamado antissindicalismo
institucionalizado e as assimetrias na
relação entre capital e trabalho.
O debate foi mediado por Walison Reis,
professor e auditor independente da W2M
Auditoria, com participação da advogada
e procuradora do Trabalho aposentada
Elaine Nassif e do auditor-fiscal do
Trabalho André Grandizoli, diretor do
Departamento de Relações do Trabalho do
MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Elaine Nassif chamou atenção para o que
definiu como “sindicatofobia”, expressão
utilizada para caracterizar, segundo
ela, “discussão odiosa, discriminatória,
contra os sindicatos”. Para a advogada,
trata-se de “aversão social aos
sindicatos e sindicalistas”,
intensificada a partir de 2013 e
acompanhada, na avaliação dela, por
campanhas de desinformação e pelo que
classificou como “massacre midiático”.
Ao abordar o financiamento sindical,
Nassif afirmou que “não existe o direito
de oposição, de lesar os outros”,
defendendo que a liberdade individual
não deve ser utilizada para comprometer
a sustentação da organização coletiva
dos trabalhadores.
A discussão ocorreu no contexto das
mudanças no custeio sindical e da
jurisprudência recente. Em 2023, o
Supremo Tribunal Federal fixou, no Tema
935, que é constitucional a contribuição
assistencial estabelecida por acordo ou
convenção coletiva, inclusive para não
sindicalizados, desde que assegurado o
direito de oposição.
Grandizoli, por sua vez, tratou do
registro sindical e dos processos
envolvendo organizações de trabalhadores
em tramitação no Ministério do Trabalho.
VERDADE, MENTIRA E DISPUTA DE
NARRATIVAS
Ao tratar da disputa de ideias em torno
do sindicalismo, o debate também
recuperou a conhecida “Parábola da
Verdade e da Mentira”, segundo a qual a
“Mentira” veste as roupas da “Verdade” e
passa a circular com sua aparência,
enquanto a “Verdade” permanece sem
disfarces.
A metáfora foi utilizada para chamar
atenção para a forma como discursos
contra os sindicatos podem adquirir
aparência de verdade quando repetidos
sistematicamente. A reflexão serviu de
contraponto à discussão sobre
desinformação e criminalização da ação
coletiva.
TRANSIÇÃO JUSTA E TRABALHO
O segundo painel da manhã discutiu
“Transição justa: energética e
ecológica”, que abordou crise ambiental,
mudanças climáticas, impactos
territoriais, migrações, novas demandas
energéticas e hídricas e os efeitos das
tecnologias de inteligência artificial e
tecnologia da informação no Sul Global.

A mesa foi mediada por Pedro Ivo,
presidente da Associação Alternativa
Terrazul e coordenador do Fórum
Brasileiro de ONG e Movimentos Sociais
pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento.
Participaram Suzi Huff Theodoro,
professora doutora da UnB e coordenadora
do projeto de remineralizadores do CTE
(Centro de Treinamento e Educação) da
CNTI, e Clemente Ganz Lúcio, coordenador
do Fórum das Centrais Sindicais e
enviado especial da Presidência da COP30
para Assuntos do Trabalho.
Clemente defendeu maior preparação do
movimento sindical para enfrentar a
agenda climática. “É preciso preparar
quadros para debater a agenda
climática”, afirmou.
Ele também criticou a forma como o
sindicalismo é retratado por parte da
imprensa e defendeu a presença do
movimento sindical no debate político.
“O sindicalismo precisa sair das páginas
policiais e ir para a página de
política”, disse.
No caso, o movimento sindical é em geral
colocado pelos patrões e a grande mídia
sindical nas páginas policias, por
preconceitos aflorados pela “sindicatofobia”.
Ao relacionar democracia e organização
dos trabalhadores, foi enfático: “Sem
democracia não há sindicatos e tampouco
sindicalismo.” Para Clemente, o
movimento sindical precisa estar
preparado para enfrentar as mudanças
econômicas, sociais e tecnológicas do
século 21 e, ao mesmo tempo, dar maior
atenção ao envelhecimento da população
brasileira.
IA E FUTURO DO TRABALHO
Na parte da tarde, o debate se orientou
para os impactos da Indústria 4.0, da
automação avançada e da inteligência
artificial na reconfiguração do ambiente
fabril.
Foram discutidas as bases industriais da
IA, a dimensão geopolítica das
capacidades produtivas, os marcos
regulatórios brasileiros, as diretrizes
internacionais da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), a regulação
algorítmica, o direito à desconexão e os
riscos de desemprego estrutural.

O painel foi mediado
por Leandro Cerqueira, assessor da
Presidência da ABDI (Agência Brasileira
de Desenvolvimento Industrial), e contou
com Cristina Akemi Shimoda Uechi,
coordenadora-geral de Transformação
Digital do MCTI (Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação), e o professor
doutor Joerg Nowac, do Irel (Instituto
de Relações Internacionais) da UnB
(Universidade de Brasília).
O debate reforçou a necessidade de que a
transformação tecnológica seja
acompanhada de regulação, qualificação
profissional e participação dos
trabalhadores na definição dos rumos da
produção.
Após o almoço, os participantes se
dividiram em grupos para discutir os
temas da plenária. As conclusões foram
posteriormente apresentadas ao conjunto
dos delegados.
HOMENAGEM A CALIXTO E POSSE DA NOVA
DIREÇÃO
O encerramento ganhou tom especialmente
emotivo com a homenagem a José Calixto
Ramos, histórico dirigente da CNTI. As
filhas receberam placa em reconhecimento
à trajetória do dirigente sindical e à
contribuição que deixou para o movimento
dos trabalhadores da indústria.

Na sequência, ocorreu a posse política
da nova diretoria da CNTI, sob a
presidência de José Reginaldo Inácio,
com a entrega dos diplomas aos
dirigentes.
O ato marcou formalmente a continuidade
da direção da Confederação no ciclo em
que a entidade celebra 8 décadas de
existência e projeta atuação diante das
transformações econômicas, tecnológicas
e sociais.
MOÇÃO DE APOIO A LULA
No encerramento, os delegados aprovaram,
por unanimidade, Moção de Apoio ao
presidente Lula (PT) e à reeleição do
mandatário.

O documento, aprovado pela Plenária
Nacional CNTI, defende “apoio total e
irrestrito à reeleição do Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva” e vincula
essa posição à defesa, segundo o texto,
da democracia, da soberania nacional,
dos direitos sociais e de projeto de
desenvolvimento baseado na indústria
brasileira, no emprego decente, na
valorização do produto e no conteúdo
nacionais.
A decisão integra o conjunto de
deliberações políticas da plenária e
explicita a posição aprovada pela
entidade para o processo eleitoral de
2026.
CARTA DE LUZIÂNIA ATUALIZA
PLATAFORMA DA CNTI
Também foi aprovada a Carta de
Luziânia1, documento que procura
atualizar as formulações da CNTI 10 anos
depois da Carta de Brasília, aprovada em
2016.
O texto faz diagnóstico crítico das
transformações ocorridas na última
década e aponta como desafios a
sustentação financeira das entidades, a
defesa do Direito Coletivo do Trabalho,
a precarização das relações laborais, os
impactos da IA, a desinformação e as
mudanças climáticas.
Entre as diretrizes apresentadas estão o
fortalecimento da formação sindical e da
educação popular, a atualização
programática da entidade, a participação
no debate eleitoral de 2026, a defesa de
contrapartidas sociais para
investimentos públicos na Indústria 4.0,
a redução da jornada sem redução
salarial, o direito à desconexão e
políticas de igualdade de gênero, raça e
renovação geracional.
A Carta também destaca iniciativas
desenvolvidas pela CNTI, como a usina
fotovoltaica e o Centro de
Experimentação com Remineralizadores e
Agroecologia Socioprodutiva instalado no
CTE de Luziânia.
Ao encerrar os trabalhos, o documento
reafirmou, segundo os próprios termos, o
compromisso da CNTI com “democracia
política, soberania nacional e justiça
social”.
Realizada em Luziânia (GO), a Plenária
Nacional CNTI 80 Anos reuniu 288
delegados e combinou balanço histórico,
análise da conjuntura e formulação de
diretrizes para o sindicalismo
industrial diante das mudanças no mundo
do trabalho perante os avanços
tecnológicos nessa quase terceira década
do século 21.
______________________
¹ Leia
resumo da Carta: Documento apresenta
análise crítica da última década no
Brasil, e destaca retrocessos, ameaças e
propostas de resistência sindical e
social.
Contexto e
diagnóstico:
• Em 2016, a Carta de Brasília
representou a defesa da classe
trabalhadora durante a crise política.
• 10 anos depois, a crise se agravou, e
atingiu soberania e democracia.
• Aumentaram ameaças como a Lei
13.467/17, que institucionalizou a
sindicatofobia e enfraqueceu o
sindicalismo.
• A Reforma Trabalhista aprofundou
desigualdades, desmantelou o Direito
Coletivo e precarizou as condições de
trabalho.
• Escândalos nos três poderes e crise
ética alimentam desconfiança pública.
• Desinformação e manipulação ameaçam
soberania e controle sobre recursos
nacionais.
Objetivos e propostas:
• Fortalecer educação contra hegemônica
e resistência sindical.
• Atualizar programa de defesa e
consolidar a Carta de Luziânia.
• Intervir na eleição de 2026, exigindo
compromisso com revisão de reformas
regressivas.
• Exigir contrapartidas sociais na
indústria 4.0, como redução de jornada e
proteção ao trabalhador.
• Promover justiça de gênero, raça e
renovação geracional na luta sindical.
• Celebrar conquistas como autonomia
energética e projetos de
sustentabilidade.
• Enfrentar ameaças desenvolvimento
baseado na soberania, democracia e
justiça social.
Clique
aqui e leia o Moção de Apoio do
Presidente Lula
Clique
aqui e leia a Carta de Luziânia
Homenagens:





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