Publicação: 10/03/2025

 

 

Mulheres no Trabalho: alguns desafios e caminhos para a igualdade


 

por José Reginaldo Inácio


As mulheres brasileiras exercem papel indispensável na sociedade e na economia do país. No entanto, enfrentam desafios profundos e persistentes que limitam seu pleno potencial. Como presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), não posso ignorar as barreiras que milhões de trabalhadoras enfrentam diariamente. A dupla jornada, a violência doméstica, a disparidade salarial e a falta de representatividade são apenas alguns dos obstáculos que precisamos superar. É urgente agir, e isso exige mudanças na cultura, na política e na justiça.


No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é essencial reconhecer que conquistas importantes já foram alcançadas, mas se há desafios persistentes na história, oportunidades inovadoras surgem. Um exemplo recente é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, que propõe a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três de descanso, eliminando a escala 6x1. Essa proposta, que está em debate no Congresso Nacional, também reflete a luta histórica das mulheres por melhores condições de trabalho e qualidade de vida. Precisamos, todos, mulheres e homens, abraçar essa luta!


Desafios Estruturais


As mulheres, especialmente as negras, indígenas e periféricas, carregam um fardo desproporcional: (i) No mercado de trabalho, enfrentam salários menores que os dos homens, mesmo com capacidade ou escolaridade superior, daí a importância da disseminação e conscientização da Lei 14.611/23, a Lei de Igualdade Salarial. (ii) Além disso, muitas são vítimas de assédio moral e sexual no local de trabalho, o que as desencoraja a buscar ascensão em suas carreiras. (iii) A dupla jornada: mesmo após cumprir exaustiva carga horária em sucessivos contratos precários de trabalho, já que em muitas profissões é a única forma de se compor e garantir renda decente – há o cuidado dos filhos e da casa – consumindo todo tempo e energia que poderiam ser dedicados ao desenvolvimento pessoal e profissional.


A violência de gênero é outro flagelo. Apesar da Lei Maria da Penha ser um marco importante, sua implementação ainda é falha. O feminicídio, os assédios moral e sexual são crimes que persistem, continuam a matar, destruir vidas e a fazer perpetuar um ciclo de medo, opressão e adoecimento. Precisamos tornar efetivas tanto as leis quanto as políticas públicas, tornando-as eficazes, assegurando, de fato, uma mudança cultural que não normalize a violência contra as mulheres.


Caminhos para a transformação


Para superar esses desafios, é essencial agir em três frentes: cultura, política e justiça.


1. Cultura: educação e conscientização


A transformação começa na educação. Precisamos de uma educação não sexista, que combata estereótipos de gênero desde a infância. Campanhas de conscientização sobre violência doméstica, assédio e igualdade de gênero devem ser ampliadas, envolvendo escolas, empresas e a mídia. A representação das mulheres em espaços culturais, midiáticos e de influência social também precisa ser fortalecida, combatendo a objetificação e promovendo referências femininas transformadoras para a nossa sociedade.


2. Política: representatividade e inclusão


A participação das mulheres na política é fundamental para garantir que suas vozes sejam ouvidas. Defendemos cotas de gênero em partidos políticos e espaços de decisão, além de incentivar mais candidaturas e viabilidade eleitoral às mulheres. No mercado de trabalho, a efetividade de políticas de equidade salarial e de inclusão em cargos de liderança são urgentes. Programas de capacitação e microcrédito para mulheres em situação de vulnerabilidade, também são essenciais para promover o urgente e necessário empoderamento econômico e social.


3. Justiça: combate à violência e garantia de direitos


A efetiva implementação da Lei Maria da Penha e a criação de mecanismos ágeis para proteger vítimas de violência doméstica são prioridades. Além disso, é preciso garantir o acesso à justiça para todas as mulheres, especialmente para as mais vulneráveis. A descriminalização do aborto e a garantia de direitos reprodutivos também são pautas urgentes, que respeitam a autonomia das mulheres sobre seus corpos.


O papel da CNTI


A CNTI está comprometida com a luta por um mercado de trabalho mais justo e igualitário. Promovemos e disseminamos campanhas de conscientização, capacitamos trabalhadoras e pressionamos por mais efetividade e aplicação de políticas públicas que garantam seus direitos. Acreditamos que a igualdade de gênero não é apenas uma questão de justiça, mas também de desenvolvimento econômico e social.


Clique AQUI e acesse a Cartilha da CNTI sobre Lei de Igualdade Salarial


As mulheres brasileiras merecem, além de respeito, oportunidades e liberdade, também de garantias permanentes de que isto se torne realidade. A transformação que buscamos exige o engajamento de todos: Estado, empresas, sociedade civil e indivíduos. Juntos temos que garantir um presente digno e construir um futuro em que as mulheres não precisem lutar para romper com barreiras injustas, mas sim prosperar em um ambiente de igualdade e dignidade. A hora de agir sempre é agora!